Relatos e mapas: o quanto os muçulmanos sabiam sobre a América antes de Colombo?

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No Al-Bayan al-Mughrib, obra do historiador norte-africano Ibn Idhari, relata-se que, após consolidar o domínio do Califado Omíada no Norte da África, o grande conquistador árabe Uqba ibn Nafi (611–638) teria exclamado na costa atlântica saariana: “Ó Deus, se o mar não fosse um impedimento, eu teria galopado para sempre como Alexandre, o Grande (…)”.[1]

Mas, naquela época, para onde galopar além do Oceano Atlântico? O que existiria além daquele oceano que parecia interminável? Evidentemente, ao escrever na terra do outro lado do mar — para onde Uqba teria manifestado seu desejo mais de mil anos atrás —, a existência, as dimensões e a localização geográfica do Brasil são amplamente conhecidas. Contudo, durante séculos, o que hoje conhecemos como Brasil, a porção meridional do futuro “Novo Mundo” ou das Américas, foi objeto de intensa especulação, lenda e mistério. Mesmo entre os muçulmanos, frequentemente apagados da narrativa histórica sobre a construção desse espaço, existiam especulações e imaginações acerca desse “aqui”, que para eles era “lá”, antes da chegada mais amplamente registrada dos primeiros adeptos do Islã ao Brasil.

No século IX, o cartógrafo, geógrafo, historiador, cientista natural, explorador e filósofo Ali al-Masudi, de Bagdá (896–956), considerado por muitos o “Heródoto dos Árabes”, escreveu seu magnum opus, o Murūj al-Dhahab (“Prados de Ouro”). Em suas viagens, al-Masudi percorreu a Arábia, a Síria, o Egito e a Pérsia, passou pela Armênia e pela Geórgia, navegou o Mar Cáspio e explorou a Índia e a África Oriental; alguns afirmam que teria chegado até mesmo à China.

Tendo estudado com os maiores intelectuais de seu tempo na vibrante corte dos califas abássidas em seu apogeu, registrou descrições detalhadas não apenas sobre questões topográficas, mas também sobre a política das terras que visitou e de suas circunvizinhanças. [2] Contudo, algo particularmente fascinante para o nosso tema encontra-se no mapa-múndi que al-Masudi transmitiu.

Escrevendo sobre al-Andalus, ou a chamada “Espanha muçulmana”, em 947, Ali al-Masudi registra um relato curioso acerca de uma navegação ocorrida décadas antes, em 889:

“No Oceano dos Nevoeiros (Atlântico), existem muitas curiosidades que mencionamos em detalhes em nosso Akhbar az-Zaman (“Relatos da Época”). Com base nas observações feitas em nosso Akhbar az-Zaman, houve aventureiros que penetraram no Oceano dos Nevoeiros (Atlântico), arriscando suas vidas. Alguns voltando em segurança, outros perecendo na tentativa. Deste modo, um certo habitante de Córdoba, Khashkhash, recrutou um grupo de jovens, seus concidadãos, e singrou este oceano. Depois de muito tempo, ele voltou com ricos espólios. Todos os andaluzes conhecem esta façanha.”[3]

Reconstrução do mapa-múndi de al-Masudi, anterior a 956 d.C., orientado com o Sul no topo.

Marcando em seu mapa as novas terras além do Atlântico, visitadas por Khashkhash ibn Sa‘id ibn Aswad, ele as denominou em árabe Arḍ Majhūlah, ou “Terra Desconhecida”. Mas a lendária saga islâmico-atlântica medieval não termina aí.

Em Nuzhat al-Mushtaq, obra encomendada em 1138 pelo rei normando Rogério II da Sicília, cuja tradução latina se popularizou sobretudo sob o título Tabula Rogeriana, o geógrafo, cartógrafo e botânico árabe Muhammad al-Idrisi (1100–1165), célebre por seus mapas, descreveu uma das cidades islâmicas da Península Ibérica de sua época: a formosa al-Usbuna, a atual Lisboa. Ao tratar de outros navegantes de al-Andalus, à semelhança de Khashkhash, al-Idrisi narrou a seguinte e notável saga:

“Os Aventureiros partiram de Lisboa durante sua expedição, que tinha como objetivo descobrir o que continha o Oceano e quais eram seus limites, conforme já mencionado. Ainda existe em Lisboa, perto dos banhos quentes, uma rua que se chama Rua dos Aventureiros. Vejamos como a coisa se passou: eles reuniram-se ao número de oito, todos parentes próximos; e depois de terem construído um navio mercante, embarcaram água e víveres em quantidade suficiente para uma navegação de vários meses. Lançaram-se ao mar ao primeiro sopro de vento leste. Depois de terem navegado durante onze dias ou cerca disso, chegaram a um mar cujas ondas compactas exalavam um odor fétido, escondiam numerosos recifes que eram difíceis de ver. Temendo o perigo, mudaram a direção das suas velas, correram para o sul durante doze dias e alcançaram a ilha dos Carneiros, onde numerosos rebanhos pastavam sem pastor e sem pessoa para os guardar. Tendo posto o pé nesta ilha, encontraram uma fonte de água corrente e perto daí uma figueira selvagem. Apanharam e mataram algumas ovelhas, mas a carne era tão amarga que era impossível de comer. Só aproveitaram as peles. Navegaram ainda doze dias para o sul e encontraram enfim uma ilha que parecia habitada e cultivada; aproximaram-se a fim de saber o que era; pouco tempo depois foram cercados por barcos, feitos prisioneiros e conduzidos a uma cidade situada no litoral. Desceram e foram levados a uma casa onde encontraram homens de alta estatura e de cor laranja-avermelhada, que tinham pouca barba e mantinham os cabelos longos, além de mulheres de rara beleza.”[4]

Muhammad al-Idrisi prossegue em seu relato, ampliando a narrativa com novas interações entre os exploradores luso-muçulmanos e os nativos, acrescentando detalhes adicionais à história. Considerando a centralidade de al-Idrisi na Idade Média, a extensão de sua obra — especializada em geografia — desenvolvida na corte normanda da Sicília sob Rogério II da Sicília, bem como suas viagens com fins investigativos, essa descrição anedótica de um itinerário náutico sobre terras situadas além de Portugal adiciona mais um elemento de especulação acerca do quanto os mouros efetivamente sabiam sobre a possível Arḍ Majhūlah (“Terra Desconhecida”).

Uma cópia de 1929 com os nomes transpostos para o alfabeto latino da Tabula Rogeriana árabe de al-Idrisi de 1154, de cabeça para baixo, com o norte orientado para cima.

A Península Ibérica, o Atlântico, Lisboa e algumas ilhas no mapa de al-Idrisi.

Descendo um pouco mais pela costa do Magrebe, encontramos outro relato impressionante, oriundo da África Subsaariana, sobre muçulmanos que tentaram cruzar o Atlântico em direção a terras situadas além do oceano. O Império Mali (1240–1645), o maior e mais rico império já conhecido da África Ocidental, possuía territórios sob domínio atlântico. Tornou-se amplamente conhecido na historiografia pela figura de seu grande mansa, Mansa Musa, célebre por sua opulenta peregrinação a Meca, durante a qual o monarca devoto distribuiu enormes quantidades de ouro.

No entanto, para além do reinado de Mansa Musa, sua sucessão também merece destaque. Segundo relatos preservados pela tradição escrita, seu irmão e predecessor, Abu Bakr II, teria tentado alcançar outro continente do outro lado do mar, desaparecendo em uma segunda expedição após uma primeira tentativa considerada bem-sucedida. Conforme registrado pelo erudito egípcio Shihab ad-Din ibn Fadl al-Umari (1300–1384), Mansa Musa teria relatado esse episódio ao governante do Cairo, o sultão mameluco Al-Nasir Muhammad, durante sua estada na capital egípcia:

“O governante que me precedeu não acreditava que fosse impossível alcançar a extremidade do oceano que circunda a terra e desejava chegar até lá, persistindo obstinadamente nesse projeto. Assim, mandou preparar duzentos barcos repletos de homens, além de outros carregados de ouro, água e alimentos suficientes para vários anos. Ordenou ao chefe da expedição que não retornasse até alcançar a extremidade do oceano ou até que se esgotassem as provisões e a água. Eles partiram, e sua ausência prolongou-se por muito tempo, até que, por fim, apenas um barco retornou. Ao interrogarmos seu capitão, ele disse: ‘Príncipe, navegamos por longo período até avistarmos, no meio do oceano, algo semelhante a um grande rio correndo violentamente. Meu barco era o último; os outros estavam à frente. Assim que chegaram a esse local, afundaram em um vórtice e nunca mais emergiram. Voltei para escapar dessa corrente.’ O sultão não acreditou em seu relato. Ordenou então que fossem preparados dois mil barcos para ele e seus homens, além de outros mil com água e mantimentos. Transferiu-me a regência durante sua ausência e partiu com seus homens pelo oceano, sem jamais retornar ou dar qualquer sinal de vida.”[5]

Ainda que, até o presente momento, não exista qualquer evidência arqueológica da presença de muçulmanos medievais — sejam andaluzes, magrebinos ou subsaarianos — nas Américas, especialmente na América do Sul, em período pré-colombiano, é significativo notar que, ao menos no plano dos relatos, das lendas e da historiografia islâmica medieval, uma terra além-mar já era concebida como existente, habitada e narrativamente explorada.

O conhecimento muçulmano sobre a possibilidade de atravessar o Atlântico foi, inclusive, valorizado por seus próprios antagonistas. O próprio Cristóvão Colombo, cruzado entusiasta, admite ter recorrido a saberes “mouros” em sua navegação de 1492 e na chamada “descoberta” da América. Entre esses saberes estava a milha árabe, padronizada séculos antes em Bagdá, na Casa da Sabedoria, onde o já mencionado Ali al-Masudi havia atuado. Além do conhecimento geográfico, os cristãos ibéricos herdaram dos muçulmanos da Península tecnologias náuticas decisivas para a expansão marítima, como o aperfeiçoamento da bússola, os avanços em astronomia aplicada à navegação e o desenvolvimento da cartografia científica. [6]

Entre os campos mais estudados e desenvolvidos pelos muçulmanos na Ibéria medieval destacavam-se a geolocalização e a astronomia, áreas que alcançaram notável grau de sofisticação prática. Maslama al-Majriti (m. 1007), conhecido como o “Euclides de al-Andalus”, revisou e adaptou as tabelas astronômicas do renomado matemático persa Al-Khwarizmi — considerado o pai da álgebra e cujo nome deu origem aos termos “algoritmo” e “algarismo” —, ajustando-as ao meridiano de Córdoba.[7] Maslama foi pioneiro na introdução do conhecimento astronômico oriental em al-Andalus, estudou o Planisphaerium de Cláudio Ptolomeu e fundou uma escola de astronomia na Península Ibérica. Antes dele, destacou-se o notável polímata Abbas Ibn Firnas (m. 887), que construiu um planetário capaz de simular o movimento das estrelas, bem como fenômenos atmosféricos como nuvens, relâmpagos e trovões. Desenvolveu também uma “cadeia de anéis” — uma forma primitiva de esfera armilar — destinada a modelar o movimento dos planetas e das estrelas.[8]

Entre as contribuições originais no campo da astronomia e da navegação, destaca-se sobretudo Al-Zarqali (m. 1087). Foi o criador do instrumento de navegação conhecido como azafea, um astrolábio universal funcional em qualquer latitude, eliminando a necessidade de placas específicas para cada localidade — uma limitação do já avançado astrolábio muçulmano então em uso.[9] Esses muçulmanos medievais não foram meros transmissores do conhecimento grego. O astrônomo Ibn Aflah, conhecido nas fontes latinas como Geber Hispalensis, escreveu no século XII o Kitab al-Hay’a, uma crítica sistemática ao modelo geocêntrico de Cláudio Ptolomeu, propondo alternativas matemáticas para explicar o movimento dos planetas. Sua obra influenciou o pensamento astronômico europeu posterior, inclusive o de Nicolau Copérnico.[10] Na mesma linha crítica em relação à herança grega destacaram-se também Al-Bitruji e Ibn Bajjah, ambos muçulmanos ibéricos.

Até mesmo as embarcações utilizadas pelos primeiros navegadores portugueses em suas travessias atlânticas carregavam essas marcas tecnológicas mouras. A caravela de velas latinas, cujo uso inicial remonta ao período romano, mas ainda de forma limitada, adquiriu sua configuração plenamente portuguesa durante as Grandes Navegações a partir do qârib, um tipo de navio árabe comum na Península Ibérica e fundamental para seu aperfeiçoamento quinhentista. Essa tecnologia, embora de origem romana, foi significativamente aprimorada pelos muçulmanos ibéricos e difundida pelos navegadores árabes nos mares da Ásia Ocidental.[11]

Retomando o conhecimento islâmico sobre o Novo Mundo, a primeira cartografia islâmica conhecida até hoje com representação detalhada da costa do Brasil é o mapa presente no chamado Atlas Javanês. Ele foi capturado pelo navegador português Afonso de Albuquerque de muçulmanos indonésios durante uma de suas incursões e enviado, já traduzido, ao rei Dom Manuel I em 1512. O documento demonstra que, no Oriente islâmico, a cartografia do Novo Mundo era acompanhada com atenção e interesse. O próprio Albuquerque expressa espanto, em carta ao monarca, ao constatar que um território tão recentemente “descoberto” pelos portugueses quanto o Brasil já se encontrava mapeado com notável precisão, apesar da distância geográfica significativa.[12]

Afonso de Albuquerque escreve ao rei Dom Manuel I, em 1º de abril de 1512:

“…um pedaço de uma carta náutica, retirado de uma grande carta de um piloto javanês, contendo o Cabo da Boa Esperança, Portugal, e a terra do Brasil, o Mar Vermelho e o Mar Pérsico, as Ilhas do Cravo (ou seja, Ilhas das Especiarias), a navegação dos chineses e dos gores, com seus rumos e rotas diretas seguidas pelos navios, e o interior, e como os reinos se delimitam. Parece-me, Majestade, que esta foi a melhor coisa que já vi, e que Vossa Alteza ficaria muito satisfeita em vê-la; tinha os nomes em escrita javanesa, mas eu tinha comigo um javanês que sabia ler e escrever. Envio este pedaço a Vossa Alteza, que Francisco Rodrigues copiou do outro, no qual Vossa Alteza pode ver de onde vêm os chineses e os gores, e o curso que seus navios devem seguir para as Ilhas do Cravo [ou seja, Ilhas das Especiarias], e onde ficam as minas de ouro, e as ilhas de Java e Banda, de noz-moscada.”[13]

Parte do litoral do Brasil, copiada do “Atlas Javanês”.

As embarcações dos muçulmanos javaneses, conhecidas como djong, segundo uma fonte europeia — o renomado cartógrafo e geógrafo veneziano do século XV Fra Mauro —, teriam realizado uma travessia do Cabo da Boa Esperança em sentido oposto àquele que seria seguido por Vasco da Gama décadas mais tarde. Fra Mauro relata:

“Por volta de 1420, um navio, ou o que se conhece por junco (zonchi) indico , cruzou o Mar da Índia em direção à Ilha dos Homens e à Ilha das Mulheres, perto do Cabo Diab (Cabo da Boa Esperança), entre as Ilhas Verdes e as Sombras. Navegou por 40 dias em direção sudoeste sem encontrar nada além de vento e água. Segundo os próprios habitantes, o navio percorreu cerca de 3.200 quilômetros até que – quando as condições favoráveis ​​cessaram – retornou ao Cabo Diab em 70 dias. Os navios chamados juncos (lit. “Zonchi”) que navegam por esses mares possuem quatro mastros ou mais, alguns dos quais podem ser erguidos ou abaixados, e têm de 40 a 60 cabines para os mercadores e apenas um leme. Podem navegar sem bússola, pois contam com um astrólogo que fica a bordo e, com um astrolábio na mão, dá ordens ao navegador.”[14]

Em seguida, destaca-se o mapa do cartógrafo otomano Piri Reis, que em 1513 elaborou para o sultão Selim I um notável atlas, baseado tanto em cartas de navegadores europeus da primeira década do século XVI quanto em outras fontes por ele reunidas. O mapa, de elevado refinamento técnico, menciona a chegada dos portugueses ao Brasil e faz referência, ainda que brevemente, aos povos nativos das regiões costeiras. Nesse ponto, a Arḍ (“terra”) de Ali al-Masudi, concebida meio milênio antes, já não era inteiramente majhūlah (“desconhecida”).[15]

Fragmento sobrevivente do mapa de Piri Reis

Mesmo uma historiografia eurocêntrica, paradigmática e oficial não costuma negar que novas terras no Atlântico possivelmente tenham sido visitadas por explorações muçulmanas — como as Ilhas Canárias, a Madeira e os Açores — antes das navegações portuguesas e espanholas plenamente documentadas. Afinal, os muçulmanos dispunham, de fato, tanto da tecnologia náutica quanto da posição geográfica necessárias para tais empreendimentos. O que se distingue é o impulso econômico: a pressão comercial que levou portugueses e espanhóis a essas explorações — sobretudo o objetivo de alcançar a Ásia por rotas alternativas — não esteve presente de forma equivalente no mundo islâmico. Ainda assim, essa mesma historiografia tende a restringir, com um conjunto amplo de questionamentos céticos — em grande parte metodologicamente plausíveis —, a hipótese de que algum adorador de Allah tenha estado no Brasil antes de 1500.

Referências

[1] Ibn Idhari, Al-Bayan al-Mughrib fi akhbar al-Andalus, 1ª ed. GS Colin e E. Lévi-Provençal, 2 vols. (Leiden 1949) pág. 27

[2] John L. Esposito (ed.), The Oxford Dictionary of Islam, Oxford University Press (2004), p. 195

[3] Tabish Khair (2006). Other Routes: 1500 Years of African and Asian Travel Writing, p. 12. Signal Books.

[4] Kitāb Nuzhat al-mushtāq .. : 880-01Idrīsī,ca. 1100-1166 : Free Download, Borrow, and Streaming : Internet Archive. (1592b). Internet Archive. https://archive.org/details/1130053.med.yale.edu/page/n97/mode/2up

[5] Khair, T. (2005). Other routes: 1500 Years of African and Asian Travel Writing. Indiana University Press.

[6] Ralla, L. (2026, February 5). A influência do conhecimento árabe na Navegação de Colombo. História Islâmica Com Mansur Peixoto. https://historiaislamica.com.br/a-influencia-do-conhecimento-arabe-na-navegacao-de-colombo/

[7] Introduction to the History of Science : Sarton, George : free download, borrow, and streaming : Internet Archive. (1931). Internet Archive. https://archive.org/details/in.ernet.dli.2015.211923

[8] Lévi-Provençal, E. (1986). “ʿAbbās b. Firnās”. In Bearman, P.; Bianquis, Th.; Bosworth, C.E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W.P. (eds.). Encyclopaedia of Islam. Vol. I (2nd ed.). Brill publishers. p. 11.

[9] M. T. Houtsma and E. van Donzel (1993), “ASṬURLĀB”, E. J. Brill’s First Encyclopaedia of Islam, Brill Publishers,

[10] Calvo, Emilia (2007). “Jābir ibn Aflaḥ: Abū Muḥammad Jābir ibn Aflaḥ”. In Thomas Hockey; et al. (eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer. pp. 581–2.

[11] Elbl, M.M. 1985. “The Portuguese Caravel and EuropeanShipbuilding: Phases of Development and Diversity.” Revistada Universidade de Coimbra. 33:547-72.

[12] Sezgin, F. (2017). Navegantes muçulmanos descobrem o continente Americano antes de Cristóvão Colombo: (Die Entdeckung des Amerikanischen Kontinents durch Muslimische Seefahrer vor Kolumbus).

[13] OLSHIN, B. B.: ‘A sixteenth century Portuguese report concerning an early Javanese world map’: História, Ciências, Saúde – Manguinhos, II (3), 97-104, Nov. 1995 – Feb.1996.

[14] De Documentación, I. G. N.-. S. (n.d.). Mundo. Mapas físicos. ([ca.1459]). 2016. https://www.ign.es/web/catalogo-cartoteca/resources/html/033012.html

[15] Mikhail, A. (2020). God’s shadow: Sultan Selim, His Ottoman Empire, and the Making of the Modern World. National Geographic Books.

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