Ser muçulmano depois de Gaza

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Texto de Farah el-Sharif, publicado no site Hashiya em 18 de maio de 2026.

O Islã depois de Gaza[1]

“Ó fiéis, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Deus os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão, serão compassivas para com os fiéis e severas para com os incrédulos; combaterão pela causa de Deus e não temerão censura de ninguém. Tal é a graça de Deus, que a concede a quem Lhe apraz, porque Deus é Munificente, Sapientíssimo.”

– Alcorão 5:54

“Islamistas, liberais, esquerdistas, socialistas ou o que quer que seja, somos todos filhos do Acordo Sykes-Picot. Ninguém está isento dessa situação. Seria bom que todos nós admitíssemos isso a nós mesmos e nos reavaliássemos a partir disso.”[2]

– Dr. Ḥātim ʿAbd al-ʿAzīm, intelectual egípcio contemporâneo

O Profeta Muhammad ﷺ disse que “no início de cada século, Allah enviará a esta ummah alguém que renovará para ela a sua religião”.[3] Embora não se trate de uma figura específica, talvez a gravidade do momento atual permita uma certa liberdade interpretativa para sugerir que Gaza inspirou a renovação (tajdīd) necessária para os nossos tempos.[4] O tajdīd que Gaza desencadeou teve um custo elevado. O ṣumū singular de seu povo,[5] cujas comoventes demonstrações de sacrifício reavivaram o que, por décadas, se não séculos, havia ficado adormecido na consciência muçulmana. Seus milhares de mártires arrancaram camadas de ilusões como “direito internacional” e “direitos humanos” e despertaram novamente um senso de unidade islâmica que ultrapassou regimes e fronteiras, falando diretamente aos corações de milhões, se não bilhões, de crentes comuns aflitos em todo o mundo. Isso trouxe de volta ao centro as questões que haviam sido deliberadamente adiadas ao longo de gerações: O que significa pertencer a uma ummah fragmentada por fronteiras coloniais e pelo poder mundano, mas unida pela fé? Qual é a responsabilidade de um muçulmano em uma era de extermínio transmitido ao vivo em tempo real? E onde reside verdadeiramente a autoridade moral quando os governantes muçulmanos a perderam? Diante da aniquilação, Gaza forçou um retorno coletivo ao Alcorão e ao modelo profético como fontes vivas de significado e ação. Se tajdīd é o renascimento da fé em um momento de decadência, então Gaza sintetizou esse papel por meio da transmissão ativa da verdade, forçando o mundo adormecido e cúmplice ao seu redor a reordenar suas prioridades e esclarecer suas lealdades, ao mesmo tempo em que lembra a uma ummah ferida quem ela é e o que realmente precisa defender.

Palestinos realizam a oração matinal do Eid al-Adha no pátio da histórica Mesquita Omari, na Cidade de Gaza, que foi severamente danificada por bombardeios israelenses, em 16 de junho de 2024. Foto da AFP, via Turkiye Today.

Não só isso, mas Gaza também representa o pequeno fio que desfez a atual desordem mundial. É a ferida aberta por onde a violência oculta do sistema global agora sangra abertamente. As explosões que ecoam pela Venezuela, Congo, Sudão, Síria, Irã, Líbano, Somália, Iêmen e Nigéria, e por todo o Mar Vermelho, o Mediterrâneo e o Caribe, são convulsões erráticas de impérios em declínio que reagem em pânico. O rastro da guerra que devastava o mundo muçulmano atingiu um crescendo grotesco na tentativa de apagar o povo palestino, e agora estende sua violência à Venezuela, às ruas de Minnesota e aos hospitais de Cuba, marcando o paradoxo da escalada em meio à decadência. A contínua “Guerra ao Terror” e os horrores indescritíveis infligidos ao povo do Iraque, Afeganistão, Síria, Irã, Somália, Sudão, Iêmen e Líbia nos últimos vinte anos destruíram milhões de vidas, e serão lembrados como a ardilosa estratégia da “Pax Judaica” para sufocar a causa palestina através da demonização e combate dos muçulmanos e dos preceitos centrais do Islã.[6]

Já não há qualquer hesitação quanto ao papel dos estados árabes como instrumentos da crueldade macabra dessa desordem. Talhadas nas ruínas do Império Otomano por cartógrafos coloniais com tinta ensanguentada, essas fronteiras nunca tiveram a intenção de sustentar a dignidade, a soberania ou o propósito coletivo muçulmano. Foram concebidas para fragmentar, exaurir e governar por meio de uma política permanente de domínio autocrático e autoritário. Um século depois, esses estados de segurança artificiais — dos quais muitos muçulmanos hoje são, em muitos aspectos, produto — provaram ser exatamente o que se pretendia que fossem: estruturalmente artificiais, politicamente frágeis e estrategicamente subservientes, totalmente incapazes de resistir a ditames imperiais externos ou de deter a violência exterminadora que se desenrola em seu meio.[7] Reduzidos a subcontratados de segurança, dependências rentistas e meras fachadas diplomáticas, muitos regimes árabes e muçulmanos funcionam menos como guardiões de seus povos do que como extensões administrativas de uma ordem global que prospera com sua paralisia. Neste momento de desmoronamento histórico, a arquitetura colonial imposta após a queda do Califado revelou sua verdade final: nunca foi um caminho para a autodeterminação, mas um mecanismo para garantir que, à medida que o império ataca repetidamente, os interesses sectários, nacionalistas e tribalistas se sobreponham aos esforços para o ressurgimento de uma fortaleza islâmica soberana de dissuasão.

Pior ainda, a islamofobia foi internalizada e institucionalizada no próprio Estado árabe: um sonho realizado para os colonizadores. O que antes era uma arma externa do império foi domesticado por meio de regimes de segurança que controlam a crença, criminalizam a consciência e dividem o Islã em formas “aceitáveis” (submissas) e “más” (desafiadoras). Onde a “obediência” é elogiada como “moderação” e a resistência justa é rotulada como “extremismo”. A linguagem da chamada Guerra ao Terror não precisa mais do sionismo ou de grupos de extrema-direita para avançar; ela foi totalmente terceirizada para intermediários neocoloniais. Regimes pró-Israel, como os Emirados Árabes Unidos, Egito, Bahrein, Marrocos e Jordânia, agora realizam esse trabalho com entusiasmo, com os Emirados Árabes Unidos liderando o financiamento da repressão anti-muçulmana na Europa e nos EUA, instrumentalizando leis antiterroristas para prender acadêmicos, ativistas, jornalistas e cidadãos muçulmanos comuns cujo único crime é apoiar a Palestina ou denunciar a traição pelo seu nome.[8] Nessa inversão sombria, o carcereiro pode ter uma marca de oração — uma zabība — na testa; o interrogador muçulmano invoca Allah e a “estabilidade”; e a acusação de “terrorismo” é usada não contra ocupantes ou executores, mas contra aqueles que se recusam a ficar em silêncio. O Império não precisa mais impor a islamofobia de fora; ele conseguiu fazer com que partes do mundo árabe a reforcem internamente.

Qualquer análise honesta deste momento deve também confrontar esta verdade: a atual desordem global, que reivindica sua herança dos “ideais iluministas”, falhou em cumprir os pactos éticos das tradições “judaico-cristãs”[9] — fundamentalmente, “não matarás, não roubarás, não cobiçarás os bens do teu próximo”. Os estados modernos que deram origem ao Acordo Sykes-Picot e invocam “valores judaico-cristãos” enquanto os violam sistematicamente, fazem desta atual desordem uma farsa falida. Os poderes que foram fundados na violência e na limpeza étnica, e que depois passaram a impor políticas externas de destruição, supremacia bruta e slogans de guerra religiosa no exterior, estão agora a implementar essa mesma dominação e violência brutais e implacáveis ​​nas suas ruas. As alegações de “liberdade”, “ética”, “dignidade humana” e “santidade da vida” ruíram sob o peso das suas próprias contradições, revelando esses valores como aplicados seletivamente ou instrumentalizados politicamente. Nesse sentido, a pretensão da existência de uma ordem mundial racional e secular chegou ao fim. A crise, portanto, é civilizacional e teológica, quando a “Terra Prometida” (Eretz Israel), o “povo escolhido de Deus” ou os “ungidos por Cristo” são invocados para abençoar a violência contra inocentes.[10]

Apesar da anarquia, do derramamento de sangue e dos conflitos, este ponto mais baixo representa um momento crucial para o estado do Islã. O fracasso moral da atual desordem mundial atingiu seu ponto mais baixo, revelando um enorme vácuo moral e político. À medida que grandes titãs se enfrentam e antigas hegemonias se fragmentam, a questão se impõe com renovada urgência e gravidade: qual é o papel do Islã e dos muçulmanos neste momento, em uma escala civilizacional? É justo que as comunidades mais vulneráveis ​​e marginalizadas carreguem sozinhas a tarefa de defender a soberania islâmica, enquanto os muçulmanos mais ricos e poderosos do Golfo e do Ocidente retomam seus estilos de vida consumistas, assistindo passivamente? Onde situamos o papel coletivo da ummah como força moral e testemunha, e como portadora de uma visão alternativa em um mundo que está sendo violentamente remodelado? Será que a ummah algum dia se recuperará da mancha moral de seu abandono ao povo de Gaza, Sudão, Líbano, Irã, Síria, Caxemira e Iêmen, e aos rohingyas, bósnios, uigures e outros muçulmanos indefesos que foram espancados, massacrados e deslocados à luz do dia com tamanha impunidade, enquanto seus líderes estatais permaneciam inertes — pior ainda, quando a maioria era cúmplice do crime ao apoiar acordos comerciais, coordenação de segurança e esforços de normalização, como os Acordos de Abraão?[11] Não atender ao claro chamado do Alcorão não é um pecado pequeno; quando os líderes falham em cumprir seus deveres, o indivíduo muçulmano tem o dever de deixar de obedecê-los: “E não sigais a ordem dos transgressores, que espalham a corrupção por toda a terra, jamais corrigindo as coisas.”[12]

Mesmo com o despertar lento, gradual e adormecido do gigante que é a ummah pós-genocídio, uma estagnação atordoada ainda paralisa o estado do Islã após Gaza. Ironicamente, os tropos islamofóbicos globais retratam o Islã como ameaçador, quando os próprios muçulmanos estão, em grande parte, desarmados, com exceção de alguns poucos atores. Cabe-nos perguntar: sem uma liderança íntegra no comando e sob o controle cada vez mais rígido de estados de segurança forjados pelo colonialismo, a maioria dos muçulmanos hoje está simplesmente condenada a ser mero espectador passivo no cenário mundial? Há um provérbio africano que diz: “Quando elefantes lutam, é a grama que é pisoteada”. Os muçulmanos serão relegados a ser a grama esmagada sob os pés de elefantes em duelo? Ou, como diz o nobre hadith que descreve estes tempos contenciosos, os muçulmanos estão destinados a ser vítimas ou espectadores enquanto “jumentos brigando se mordem”,[13] enquanto as grandes potências disputam o poder de uma maneira que lembra o mundo após as guerras napoleônicas no século XIX?

É precisamente neste contexto sombrio que devemos recorrer à lente esclarecedora do Alcorão. Se Gaza revelou algo, defendo que não foi a fraqueza do Islã; pelo contrário, expôs a falência das estruturas que alegavam representar ordem, moralidade e autoridade na ausência do Islã. O vácuo moral exposto pelo extermínio, pela traição e pelo silêncio não é incidental: ele dá origem à condição que torna os mandamentos divinos — o imperativo corânico — urgentes e existenciais. O pandemônio e a escala do massacre em massa que permeiam o nosso momento atual sinalizam a futilidade das nossas análises, discursos e ideias contemporâneas. Tempos extraordinários exigem respostas extraordinárias: vivemos um momento tão moralmente falido que a narrativa por si só já não consegue deter a decadência, e não excluo este artigo da sua modesta tentativa de lidar com o significado nestes tempos sombrios.

Parafraseando Yeats, “as coisas desmoronam, o centro não consegue se sustentar”. Por muito tempo, os estudiosos da história intelectual dominaram as ideias-chave do papel teórico do Islã no mundo moderno. Esgotamos o discurso sobre “Islã e modernidade”. Lemos al-Afghani, Abduh e Rida em seus projetos reformistas. Analisamos al-Banna e Qutb em sua incansável busca por um Islã dinâmico para a era moderna. Quase memorizamos os debates, já bastante repetidos, entre Taymiyyanos e Ghazalianos. Valorizamos as apaixonadas reflexões revolucionárias de Shariati sobre o Islã. Nos deleitamos com o gênio de Iqbal e sua revolta poética contra o nacionalismo. Consideramos as visões de al-Qaradawi e Mawdudi e nos deleitamos com as análises perspicazes de Bennabi sobre o declínio civilizacional.

Em “Islam and the West”, os estudiosos responderam adequadamente à tese do “choque de civilizações”. Já esgotamos todos os tropos apologéticos. Chegamos a um beco sem saída nos debates circulares entre o Islã nativista americano/europeu e o Islã orientado para à ummah/ao imigrante. Já lemos tudo o que havia para ler sobre liberalismo e secularismo. O projeto neotradicionalista, apesar de suas críticas úteis à modernidade, será visto no futuro como produto das guerras culturais ocidentais, como conservadorismo de direita disfarçado de islamismo, com sua ênfase excessiva na metafísica clássica e na purificação interior, mas com sua falta de consideração pelos oprimidos.[14] À esquerda do espectro político, as tentativas de conciliar socialismo, marxismo e islamismo são como chutar cachorro morto.

Após Gaza, chegamos ao fim do pensamento islâmico?

Apesar de toda a genialidade que esta ummah produziu, já analisamos o suficiente e certamente teorizamos o bastante. Nossas mentes e prateleiras estão cheias, e os diagnósticos, completos, mas o mundo ao nosso redor continua em chamas. Pois o que pode a análise fazer diante de um menino em Gaza, uma criança ferida sem família sobrevivente, enquanto é mordido por ratos[15], tremendo em uma tenda fria e enlameada? Não cessam todos os debates diante de uma mãe enforcada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão ou das estudantes assassinadas em Minab, no Irã? O intelectualismo não se mostra insensível à família de um mujahidin afegão deficiente ou a um sobrevivente de Abu Ghraib, no Iraque? Os seminários, conferências e púlpitos bem financiados não conseguem abordar adequadamente as condições de uma criança trabalhadora nas minas do Congo ou de um pai mexicano doente morrendo em centros de detenção do ICE. Como pode o pensamento islâmico sequer pretender fornecer respostas para crimes tão implacáveis ​​contra a humanidade em sua forma sistêmica, para um caos tão generalizado? É exatamente isso: o pensamento não pode. Só a ação pode.

Quando Hussein ibn Ali enfrentou as forças de Yazid em Karbala, ele proferiu a célebre frase: “Nunca me levantei em vão, nem como um tirano arrogante.”[16] Para os muçulmanos, a dignidade, adquirida por meio da submissão aos mandamentos de Allah e de Seu Mensageiro ﷺ, não é fraqueza; pelo contrário, é uma fonte da força do Islã e um modelo civilizacional duradouro, que nem mesmo os modernos e sofisticados sistemas tecnológicos e de defesa podem afirmar destruir. Apesar de mais de quinhentos anos de declínio islâmico, possivelmente desde a queda de Granada, o Islã ainda não foi derrotado: não se transformou em um estado étnico perverso nem em uma burocracia singular nos moldes do papado. Isso é algo pelo qual devemos ser gratos. Os grandes pensadores e sábios do Islã já realizaram seu trabalho ao longo dos séculos: mapearam o terreno, nomearam os males e nos forneceram as ferramentas.

E agora?

Continuar com a rotina de sempre — impotência, falta de rumo e debates circulares sobre nossa condição — é antitético ao preceito do que significa ser muçulmano, conforme o Alcorão: “Pensais, acaso, que podereis ser deixados livres, sendo sabido que Deus ainda não pôs à prova aqueles, dentre vós, que lutarão e não tomarão por confidentes ninguém além de Deus, Seu Mensageiro e os fiéis? Deus está bem inteirado de tudo quando fazeis![17]

É cada vez mais evidente que a crise atual não é mais primordialmente intelectual — visto que os ensinamentos islâmicos não são um domínio intelectual —, mas sim primordialmente ética, orientada para a ação e centrada no coração: “Não meditam, acaso, no Alcorão? Ou há cadeados em seus corações?”[18]

Portanto, o melhor que os muçulmanos podem fazer é permitir que o Alcorão inspire o coração da humanidade à ação neste momento de colapso das virtudes, dos valores, da moderação e da responsabilidade que assola o mundo. Somente através do imperativo do Alcorão podemos verdadeiramente saber como agir como crentes em uma época em que há um ataque generalizado ao sentido da vida.

Para estarmos à altura da gravidade de um momento como este, o que se exige de nós não é outra teoria ou estrutura, mas sim uma reorientação que nos afaste do taqlīd (imitação) do condicionamento arraigado e herdado do modelo Sykes-Picot, seja consciente ou inconscientemente. O que se exige de nós é um retorno intencional, ativo e individualizado a Allah e à leitura de Seus sinais e do nosso papel neles: os sunan kawniyya, as Leis Divinas que governam a história, o poder, a ascensão e a queda, a justiça e a decadência, e o nosso papel nelas à medida que se desenrolam.[19] Sunan kawniyya refere-se aos padrões fixos e consistentes e às leis físicas pelas quais o universo opera e pelas quais Allah lida com as nações ao longo da história. Exemplos incluem a gravidade, os ciclos da natureza e a consequência de que as sociedades que rejeitam a orientação divina e oprimem seu povo acabarão por enfrentar o julgamento divino ou a ruína (referido como sunnat al-awwalīn ou o “caminho dos antigos” no Alcorão).

Os colonos foram confrontados por vários fiéis muçulmanos palestinos, Getty via The New Arab.

Os três sunan kawniyya que abordarei a seguir são istibdāl, istikhlāf e tadāfuʿ. De acordo com o Alcorão, este, e todos os tempos, é um momento de submissão ao sunan de Allah, Sua ordem e desígnio primordiais e perfeitos. No Islã, o mandamento do ser humano é submeter-se ao poder soberano de Allah. O conhecimento humano é limitado e, portanto, falível. O maior trunfo da civilização islâmica tem sido o alinhamento com a sabedoria divina já em movimento. Allah e Seu Mensageiro ﷺ são as fontes perpétuas das quais o Islã deriva sua soberania. Assim, de acordo com o fato ontológico, Allah e Seu Mensageiro ﷺ são invencíveis. Partindo desse princípio fundamental da crença islâmica, o papel civilizatório do Islã não terminou; na verdade, torna-se evidente que ele ainda nem atingiu sua plenitude. Mas isso não implica em ficar sentado e testemunhar passivamente o desenrolar das leis cósmicas; Em vez disso, é um apelo para preencher o vazio moral com aquilo que é melhor e mais em consonância com a lei divina, por meio de ações justas e corajosas, guiadas pela máxima: “Ó fiéis, se socorrerdes á Deus, Ele vos socorrerá e firmará os vossos passos.”[20]

Visto pela ótica do Alcorão, o que se desenrolou em Gaza não é meramente um colapso; é a manifestação da sunna ou princípio de tadāfuʿ, ou repulsão/desdobramento, com base neste versículo: “Se Deus não contivesse aos seres humanos, uns, em relação aos outros, a terra se corromperia; porém, Ele é Agraciante para com a humanidade.”[21] Compreendidos pela sunna de tadāfuʿ, o derramamento de sangue, a paralisia dos regimes muçulmanos e a criminalização da resistência à injustiça permitem-nos entender que estes não são sinais de que o Islã tenha recuado na história; pelo contrário, esta desordem aparentemente caótica abre caminho para a restauração da ordem. Tadāfuʿ é, portanto, uma misericórdia, porque permite o desvencilhamento de impasses e a aplicação de contrapressão. A sunna de tadāfuʿ, tal como entendida pelo Alcorão, lembra-nos que não existe o conceito de “status quo”: quando a corrupção se cristaliza numa estrutura, Allah não a permite simplesmente permanecer incontestada indefinidamente. O agente supremo, Allah, impulsiona pessoas, nações e estruturas umas contra as outras para libertar os opressores do jugo. Longe de ser um mero caos desordenado, tadāfuʿ, na sua sunna, permite que a verdade seja desvendada contra as falsidades sedimentadas, com discernimento claro.

É por isso que Gaza importa além de cálculos geopolíticos míopes e porque a causa palestina é tão central para a crença islâmica. É por isso que o genocídio em Gaza possivelmente desencadeou a reformulação dos contornos da ordem Sykes-Picot por meio da guerra contra o Irã, que começou em março de 2026 (Ramadã de 1447). A insistência em perseverar em sua terra é um sacrifício que às vezes parece pesado demais para a maioria, mas é essa insistência, por meio de convicção e fé enraizadas, que revelou as ilusões da desordem global, forçando aqueles que refletem a retornar à insistência corânica no decreto de Allah para a humanidade, baseado no imperativo da justiça. Essa luta transcende exércitos e fronteiras: é intelectual, espiritual, social e existencial. É por isso que a repressão só se intensifica e se expande globalmente, porque regimes despóticos estão em pânico e porque o termo “terrorismo” é invocado tão indiscriminadamente — porque o tadāfuʿ ameaça todo sistema construído sobre a injustiça.

Outro dos sunan kawniyya que regem a condição humana é o istikhlāf — o princípio da vice-regência — por meio do qual Allah confia a Terra àqueles que são moralmente qualificados para cultivá-la. Do ponto de vista corânico, o istikhlāf se baseia na fé e na ação justa, na compreensão da verdadeira servidão a Allah: que os humanos recebem a Terra não para dominá-la, mas para cultivá-la e estabelecer a justiça de acordo com a Sua orientação. Allah concede poder às comunidades crentes que agem de acordo com a sua fé, enquanto essa confiança diminui na presença da corrupção, da descrença e da opressão. É uma incumbência divina destinada a promover o florescimento humano e a plenitude moral. O Alcorão deixa essa condicionalidade clara: ׅ“Deus prometeu, àqueles dentre vós que creem e praticam o bem, fazê-los herdeiros da terra, como fez com os seus antepassados; consolidar-lhes a religião que escolheu para eles, e trocar a sua apreensão por tranquilidade — Que Me adorem e não Me associem a ninguém!”[22]

O istikhlāf se baseia nos seguintes pilares: ação justa fundamentada na fé, o cultivo ético da terra e o estabelecimento da justiça e da consciência de Deus. A própria história testemunha essa lei, como quando Deus diz: “Fizemos com que o povo que havia sido escravizado herdasse as regiões orientais e ocidentais da terra, as quais abençoamos. Então, a sublime promessa de teu Senhor se cumpriu, em relação aos israelitas, porque foram perseverantes, e destruímos tudo quanto o Faraó e o seu povo haviam erigido.”[23] Portanto, o istikhlāf não é concedido automaticamente nem é uma promessa permanente aos muçulmanos; ele está condicionado à ação justa e corre o risco de ser retirado (como já aconteceu) quando o poder se separa da orientação, da justiça e da contenção moral. Mas ele pode ser concedido novamente quando a paciência, a fé e a luta ética realinham um povo com a confiança divina (amāna).

Do ponto de vista do Alcorão, este momento de colapso moral generalizado e traição em larga escala da aliança divina passa de uma aparente confusão para uma clareza inspiradora. Este momento marca o início da sunnat al-istibdāl — o princípio da substituição — segundo o qual um povo que se esquiva de sua responsabilidade não representa o fim da história, mas sim o prelúdio para outra. Isso é uma misericórdia, pois se o destino da ummah estivesse nas mãos daqueles que traíram o Islã, o Islã já teria definhado há muito tempo. O Alcorão é inequívoco: Allah não depende de nenhuma nação, regime ou pessoa para cumprir Sua mensagem. Quando a custódia se transforma em cumplicidade, ela é transferida: “E quisemos agraciar aos oprimidos da terra, tornando-os líderes e constituindo-os herdeiros.”[24]

Assim, mesmo quando o Islã parece estar politicamente enfraquecido, fragmentado ou suprimido, isso é um sinal de que a soberania islâmica foi confiada a um partido mais fiel. Ele jamais poderá ser verdadeiramente derrotado, extinto ou submetido ao discurso materialista ou à repressão imperial. O que declinou, portanto, não foi o próprio Islã, mas sim os falsos pretendentes à autoridade islâmica; o que se renova continuamente, pelas sunan kawniyya — através do sofrimento, do sacrifício e de atores invisíveis à margem — é a ética universal do Islã, sua insistência na justiça e sua recusa em morrer silenciosamente em um mundo que desesperadamente precisa desse testemunho corretivo.

Em conjunto, sunan al-tadāfuʿ, istikhlāf e istibdāl explicam o paradoxo do nosso tempo: embora a ummah pareça politicamente enfraquecida, o Islã permanece moralmente indispensável, pois este é o código cósmico. Embora o Islã pareça estar sitiado, na realidade, ele é indestrutível. O que está sendo desmantelado não é a relevância do Islã, mas as falsas construções que buscaram contê-lo, removê-lo ou distorcê-lo. Aqueles que este sistema considera tolos e inconstantes, aqueles que resistem apesar das adversidades, serão transformados em heróis, em instrumentos da reafirmação das leis divinas que sobreviveram a todos os impérios: “Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de Deus serão os bem-aventurados?”[25] Por meio de ações impopulares, mas justas, essas pessoas atuam como sinais (ayāt) que nos reconduzem ao princípio corânico de que nenhuma corrupção é eterna, nenhuma tirania pode ficar sem contestação e nenhuma verdade pode desaparecer silenciosamente da Terra. Cada um de nós deve se perguntar individualmente onde quer estar e qual papel deseja desempenhar dentro dessas sunan: Estaremos entre aqueles que serão substituídos? Ou entre aqueles com quem Allah os substituirá? Esperamos que seja a segunda opção.[26]

Em outras palavras, o arco do universo moral se inclina em direção à justiça Divina por meio dos princípios de tadāfuʿ, istikhlāf, istibdāl e, finalmente, por meio da ação e do empoderamento individual enraizados (tamkīn). Para nos inserirmos como agentes ativos ao lado desses princípios, precisamos primeiro fazer uma reflexão honesta sobre quem nos tornamos como muçulmanos sob a longa sombra do Acordo Sykes-Picot. Estamos simplesmente reagindo ou agindo? Derivamos significado de sistemas modernos voláteis ou de leis eternas? Como observa o estudioso egípcio Ḥātim ʿAbd al-ʿAzīm na epígrafe de abertura deste artigo, esse reconhecimento não é uma concessão à derrota, mas o início da clareza. Liberais muçulmanos, esquerdistas, socialistas, nacionalistas e islamistas: nenhum de nós está fora dessa herança colonial. Somos todos, de maneiras diferentes, seus filhos — moldados por suas fronteiras, disciplinados por suas ansiedades e treinados para confundir suas categorias com inevitabilidades. Essa admissão nos libertará a todos da perpetuação do complexo de “povo escolhido” do Sionismo, que pressupõe um status especial perante Allah sem a necessidade de ações morais ou justas em relação àqueles que estão fora de seu grupo. Não se trata mais apenas de um Islã de identidade ou herança passiva, mas sim de um Islã concretizado por meio de ações justas e morais, que emanam de uma crença enraizada.

Admitir nossa formação compartilhada sob uma ordem colonial transitória é despir cada grupo de seu falso excepcionalismo moral e colocar todos os grupos muçulmanos, finalmente, em pé de igualdade e humildade. Desse ponto de vista, Gaza — simbolizada pela primeira qibla de Al-Aqsa — se ergue como o gatilho do tajdīd para os nossos tempos, porque seu povo pôde enxergar claramente os contornos dessa desordem, mesmo quando a ummah marchou para o mito de um mundo “pós-colonial” e o deixou para trás. A Palestina nos reconecta com o que sempre soube: que este mundo de Sykes-Picot não é um status quo inevitável, mas uma arquitetura temporária construída sobre ilusões e enganos, e é nosso dever coletivo resistir a ela. É histórica, construída e, portanto, substituível. Quanto mais profundamente alguém estiver inserido na ordem Sykes-Picot, mais completamente será substituído no mundo vindouro. Pela graça de Allah, Gaza deu início ao tão necessário tajdīd de nos reconduzir às lições da história — e, de fato, a uma compreensão essencial do Islã — através de lentes corânicas, em vez de analíticas, ideológicas, sectárias ou tribais. Somente através da revelação em ação o Islã poderá reentrar no imaginário público e civilizacional não como uma arma ideológica ou facciosa, mas como um preceito divinamente guiado, posto em prática, para reorientar um mundo que se perdeu.

Notas e referências

[1] Uma observação sobre a palavra “depois”: ela não deve, de forma alguma, sugerir que as condições de genocídio tenham chegado ao fim. O “cessar-fogo” anunciado no final de 2025 foi violado inúmeras vezes por Israel, e nenhuma justiça foi buscada para o povo de Gaza, da Cisjordânia e para os habitantes palestinos dos Territórios Ocupados. Guerras imorais e a ocupação ilegal da Palestina persistem; portanto, ainda não há um verdadeiro “depois” do genocídio de Gaza. O uso da palavra “depois” aqui visa transmitir uma análise projetada e voltada para o futuro de uma realidade contínua e em andamento. Livros de teólogos cristãos e judeus já foram escritos e publicados sobre Gaza, tais como John e Samuel Munayer, The Cross and the Olive Tree: Cultivating Palestinian Theology amid Gaza (Orbis, 2025); Bruce Fisk e Ross Wagner, Being Christian after the Desolation of Gaza (Cascade Books, 2025); e Peter Beinart, Being Jewish After the Destruction of Gaza: A Reckoning (Penguin Random House, 2025). Como as principais vítimas do genocídio são muçulmanas, este artigo é motivado por uma tentativa de contribuir para os debates teológicos sobre Gaza a partir do ponto de vista da comunidade religiosa mais impactada pela violência em massa.

[2] Ḥātim ʿAbd al-ʿAẓīm, “Min al-tadāfuʿ ilā al-tamkīn: Kayf nafham al-sunan al-Ilāhiyya?,” Jeser Podcast, YouTube,  30 de outubro de 2025, youtube.com.

[3] Sunan Abī Dāwūd, no. 4291.

[4] De fato, existem sinais proféticos (ishārat) que apontam para a validade de tal interpretação no seguinte hadith, que enfatiza a elevada posição das virtudes do fim dos tempos de guardar a fronteira (ribāṭ) diante dos inimigos de Ashkelon (ʿAsqalān), Palestina, considerada em grande parte como a área em Gaza e seus arredores hoje: “O início desta questão é a profecia e a misericórdia, depois será o califado e a misericórdia, depois será a realeza e a misericórdia, depois haverá imāra e a misericórdia, depois eles lutarão pela autoridade como jumentos brigando e mordendo uns aos outros. Portanto, apeguem-se ao jihad, e o melhor do seu jihad é ribāṭ, e o melhor e mais virtuoso do seu ribāṭ é ʿAsqalān.” Relatado por al-Ṭabarānī com base na autoridade de Ibn ʿAbbās em al-Muʿjam al-kabīr, nº. 11138. Al-Haythamī disse: “Seus homens [isto é, narradores] são confiáveis.” Majmaʿ al-zawāʾid, 5:193.

[5] Não existe equivalente para a palavra ṣumūḍ. Ela denota uma combinação de resiliência paciente e desafiadora com firmeza e perseverança.

[6] O sociólogo britânico Professor David Miller define “Pax Judaica” como os objetivos expansionistas do “Grande Israel”, que, segundo o pai fundador do sionismo, Theodor Herzl, é a meta de alcançar um Estado judeu que se estenda “do Riacho do Egito ao Eufrates”. Em fevereiro de 2026, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, provocou intensa controvérsia internacional durante uma entrevista com o podcaster Tucker Carlson, ao sugerir que Israel tem o direito bíblico de expandir seu território por uma vasta porção do Oriente Médio. Essa política expansionista é corroborada por um documento intitulado “A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm”, uma política de 1996 preparada para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu por um grupo de estudos americano liderado por Richard Perle. A iniciativa “A Clean Break” defendia a eliminação de “sete países em cinco anos”, a mudança do discurso de “terra por paz” para “paz pela força”, a promoção de mudanças de regime regionais, o desmantelamento do processo de paz de Oslo e um alinhamento estreito com os EUA para remodelar o Oriente Médio, o que, indiscutivelmente, já está em curso. O relatório de Darryl Li, “Anti-Palestinian at the Core”, conecta a chamada Guerra ao Terror e as ambições do Grande Israel, e faz uma afirmação contundente: a islamofobia nos EUA não começou com o 11 de setembro — ela foi incubada pela hostilidade à Palestina. “Anti-Palestinian at the Core: The Origins and Growing Dangers of U.S. Antiterrorism Law,”, Palestine Legal e Center for Constitutional Rights, fevereiro de 2024, ccrjustice.org.

[7] Essa arquitetura de vassalagem tornou-se cada vez mais evidente na resposta à guerra de março de 2026 contra o Irã por parte de estados árabes como Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, que apoiaram diretamente os esforços militares de Israel e dos EUA contra o Irã, com coordenação militar e de segurança, bem como a presença direta de bases de defesa americanas nesses territórios. Esses estados árabes veem a influência e as redes de aliados do Irã como perigos existenciais; portanto, priorizam a segurança nacional em detrimento da solidariedade islâmica nesse conflito.

[8] Acadêmicos como Mohamed Elshahed argumentam que essa agressiva campanha de repressão ao Islã começou já nas décadas de 1950 e 60, mas atingiu seu ápice na Primavera Árabe, com o massacre de Rabaa não sendo simplesmente um evento, mas um manifesto. Ele anunciou que o Estado estava disposto a matar seus próprios cidadãos em escala industrial para eliminar a capacidade política islâmica. (Mohamed Elshahed, “The Structural Ignorance Behind Declaring Islam a Death Cult”, The New Arab, 7 de dezembro de 2025,  newarab.com. Veja também “Paid to Defame: How the UAE Funded Smear Campaigns Against Muslim Communities in Europe”, Alistkilal, janeiro de 2026, alestiklal.net; “Egypt: Rab’a Massacre Reverberates 10 Years Later”, Human Rights Watch, 14 de abril de 2023, hrw.org). Tariq Dana, “The Military-Industrial Backbone of Normalization”, Middle East Research and Information Project, 20 de outubro de 2025, merip.org; Simon Speakman Cordall, “Will Morocco Stay the Course on Israel Normalisation?,” Al Jazeera, January 12, 2024, aljazeera.com; Liam Adiv, “Morocco Selects Elbit Systems as Main Weapons Supplier,” The Jerusalem Post, February 9, 2025, jpost.com; “Abraham Accords,” Grokipedia, grokipedia.com; David D. Kirkpatrick, “Can an American Hold the United Arab Emirates Responsible for a Smear Campaign?,” The New Yorker, January 24, 2024, newyorker.com; Alisa Odenheimer and Brendan Murray, “Red Sea Attacks Force Firms to Test New Land Routes Via UAE, Saudi,” Bloomberg, February 2, 2024, bloomberg.com; Gavin Blackburn, “Egypt Blocks Activists from March to Gaza to Draw Attention to Humanitarian Crisis,” Euronews, December 6, 2025, euronews.com; Allison Minor, Daniel B. Shapiro, Amir Hayek, Loay Alshareef, Ahmed Khuzaie, and Sarah Zaaimi, “The Abraham Accords at Five,” Atlantic Council, September 15, 2025, atlanticcouncil.org.

[9] O termo “judeu-cristão” é uma construção relativamente moderna, surgida após a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria. Foi amplamente adotado por comunidades cristãs e líderes políticos americanos para apontar para um suposto conjunto de princípios morais compartilhados entre o judaísmo e o cristianismo. Na prática, porém, o termo é frequentemente usado como arma para marginalizar aqueles que estão fora dessa estrutura — principalmente os muçulmanos.

[10] Ver Sara Braun, “US Troops Were Told War on Iran Was ‘All Part of Allah’s Divine Plan,’ Watchdog Alleges,” The Guardian, March 2, 2026, theguardian.com.

[11] Além dos tratados de normalização, como os “Acordos de Abraão”, os estados árabes não cessaram seus acordos comerciais, pontes terrestres, negociações de armas e coordenação de segurança e inteligência com Israel durante o genocídio em Gaza. Veja Tariq Dana, “The Military-Industrial Backbone of Normalization,” Middle East Research and Information Project, October 20, 2025, merip.org; Simon Speakman Cordall, “Will Morocco Stay the Course on Israel Normalisation?,” Al Jazeera, January 12, 2024, aljazeera.com; Liam Adiv, “Morocco Selects Elbit Systems as Main Weapons Supplier,” The Jerusalem Post, February 9, 2025, jpost.com.

[12] Alcorão 26:151–52.

[13] Ver nota de rodapé 4.

[14] Ver Jacob Williams, “Islamic Traditionalists: ‘Against the Modern World?,’” Muslim World 113 (2023): 333–54, doi.org; Walaa Quisay, Neo-Traditionalism in Islam in the West: Orthodoxy, Spirituality, and Politics (Edinburgh University Press, 2023).

[15] Ver Mohammad Mansour, “Rats Run Over Our Faces: Gaza’s Displaced Forced to Live on Infested Land,” Al Jazeera, February 16, 2026, aljazeera.com.

[16] Ver Omar Suleiman, “Husayn ibn Ali (RA): Redefining Victory, The Firsts Series,” Yaqeen Institute, YouTube, July 1, 2025, youtube.com.

[17] Alcorão 9:16.

[18] Alcorão 47:24.

[19] Ver Muḥammad Saʿīd Ramaḍān al-Būṭī, Min sunan Allāh fī ʿibādih (Dār al-Fikr al-Muʿāṣir, 2011); Arnold J. Toynbee, A Study of History (Arnold Toynbee, 1934).

[20] Alcorão 47:7.

[21] Alcorão 2:251.

[22] Alcorão 24:55.

[23] Alcorão 7:137.

[24] Alcorão 28:5.

[25] Alcorão 58:22.

[26] Ao descrever o fim dos tempos, o Profeta Muhammad ﷺ falou da guerra civil, a praga escura e cegante (fitnat al-duhaymāʾ), “que não deixará ninguém desta ummah sem ser atingido. Nela, um homem será crente pela manhã e descrente à noite, até que as pessoas se dividam em dois campos: um campo de fé sem hipocrisia e um campo de hipocrisia sem fé.” Sunan Abī Dāwūd, nº 4242.

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