Prisão de Ketziot: onde Mansur e ativistas da Sumud Flotilla foram detidos

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Recentemente, após a interceptação das embarcações da Global Sumud Flotilla que levava ajuda humanitária para Gaza, recebemos informações sobre a concentração dos ativistas da GSF em Ashdod e consequente envio à Prisão de Ketziot. A notícia se espalhou, mas muitos de nós sequer conhecia a existência de tal prisão.

O envio dos ativistas para a Prisão de Ketziot não é por acaso – sendo bastante consoante ao tratamento que fora prometido pelas autoridades israelenses: seriam encarados como “terroristas”. Localizada em região isolada, no deserto do Negev, no sul de Israel, é a maior instalação de detenção do país, abrangendo cerca de 400.000 metros quadrados. Originalmente construída em 1988 como campo de prisioneiros durante a Primeira Intifada, foi reaberta em 2002 com o início da Segunda Intifada e permanece ativa até hoje.

Desde outubro de 2023, relatos de abusos físicos, psicológicos e sexuais em Ketziot se intensificaram. O relatório da ONG israelense B’Tselem, intitulado “Welcome to Hell”, documenta as experiências de diversos palestinos detidos durante esse período. Os testemunhos incluem espancamentos, privação de alimentos e cuidados médicos, superlotação, humilhações e ameaças de morte. Além disso, há relatos de violência sexual por parte dos guardas, incluindo tentativas de estupro e obrigar a realização de atos sexuais entre prisioneiros.

A organização Addameer, que monitora as condições dos prisioneiros palestinos, também denuncia que Ketziot é um centro de detenção onde se pratica tortura sistemática. Prisioneiros são frequentemente mantidos em celas superlotadas, com instalações sanitárias precárias e sem acesso adequado a cuidados médicos.

Estudos indicam que mais de 9.600 palestinos estavam detidos em prisões israelenses no final de 2024, muitos sem julgamento ou acusação formal. Desde outubro de 2023, pelo menos 56 prisioneiros morreram sob custódia, com evidências sugerindo que as mortes foram resultado de abusos físicos e negligência médica.

Os efeitos psicológicos sobre os detidos são profundos. Ex-prisioneiros relatam traumas duradouros, incluindo distúrbios de sono, medo constante de novo encarceramento e dificuldades em retomar uma vida normal após a liberação.

Organizações internacionais, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, têm documentado e denunciado as condições nas prisões israelenses, incluindo Ketziot. Apesar disso, as autoridades israelenses negam sistematicamente as acusações de tortura e maus-tratos, e pouco foi feito para melhorar as condições de detenção ou responsabilizar os responsáveis pelos abusos.

A Prisão de Ketziot representa um microcosmo das práticas de detenção e tratamento de prisioneiros palestinos por Israel. As evidências de abusos sistemáticos e condições desumanas exigem uma resposta urgente da comunidade internacional para garantir a proteção dos direitos humanos e a responsabilização dos responsáveis.

Ativistas da Global Sumud Flotilla, detidos em outubro de 2025 ao tentar romper o bloqueio de Gaza, relataram abusos semelhantes em Ketziot. Eles mencionaram agressões físicas, humilhações públicas e privação de alimentação e medicamentos. Alguns foram forçados a beijar a bandeira de Israel e a realizar atos degradantes. Esses relatos corroboram as denúncias de organizações de direitos humanos sobre a prática de tortura e tratamento desumano na prisão.

Aguardamos a liberação de todos os ativistas que ainda estão presos em Ketziot para que deem seus testemunhos, importante registro do sofrimento palestino pelas mãos sionistas e mais um crime israelense a ser denunciado.

Referências:

AZMAN, Hidayah. What we know about Ketziot Prison. New Straits Times. 4 out. 2025.

ADDAMEER. Prisons and Detetion Centers. Prisoner Support and Human Rights Association.

BTSELEM. Welcome to Hell: The Israeli Prison System as a Network of Torture Camps. Agosto de 2024.

SAUCHELLI, Veronica; WILKS, Andrew. Gaza flotilla activists allege abuse and humiliation while being detained in Israel. ABC7. 5 out. 2025.

AL-MUGHRABI, Nidal; ANGEL, May; SAWAFTA, Ali. Amid ceasefire push, Palestinians bear the scars of Israeli detention. Reuters. 31 dez. 2024.

MRAFFKO, Clothilde. Beatings, deprivation, torture, rape: Palestinians speak of the ‘hell’ of Israeli prisons. Le Monde. 12 jul. 2024.

AMNESTY INTERNATIONAL. URGENT ACTION: Palestinian activist in administrative detention. 14 jun. 2017.

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