Por que os palestinos devem ser considerados um povo indígena?

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Artigo original de Jamal Nabulsi, disponível no Journal of Palestine Studies, Volume 52, 2023.

Se nossa luta é alguma coisa, ela é uma luta pela soberania; e, se a soberania é alguma coisa, ela é um modo de vida… É uma decisão — uma decisão que tomamos em nossas mentes, em nossos corações e em nossos corpos — de sermos soberanos e de descobrir, no processo, o que isso significa.

— Robert Allen Warrior1

In ann qad aana awanuh / Se a dor perdura, então chegou a sua hora.

— Daboor, “Inn ann”

A Intifada da Unidade de 2021 representou um momento fundamental na história da resistência palestina. Os palestinos se uniram para além das fronteiras impostas pela colonização israelense. Romperam com a fragmentação da terra e da vida palestinas, com a divisão do povo palestino e com a violação dos corpos palestinos que caracterizam o domínio de Israel sobre a Palestina.

Ativistas palestinos do bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém, colocaram seus próprios corpos em risco simplesmente por se sentarem, compartilharem alimentos e cantarem diante de casas palestinas ameaçadas de destruição. A violência do Estado israelense não apenas reprimiu brutalmente esses protestos, como também promoveu ataques incendiários contra fiéis palestinos em Jerusalém durante o mês sagrado do Ramadã, inclusive dentro da Mesquita de Al-Aqsa, um local sagrado. Isso provocou uma resposta do Hamas e de outros grupos armados em Gaza, que recorreram aos limitados recursos militares de que dispunham. Israel lançou então mais uma ofensiva brutal contra o enclave costeiro, destruindo novamente bairros inteiros, matando centenas de palestinos e ferindo outros milhares. Como símbolo da luta mais ampla do povo palestino contra sua eliminação, Sheikh Jarrah tornou-se um ponto de convergência da resistência palestina. Milhares de palestinos de 1948 — aqueles que vivem como cidadãos de terceira classe no Estado colonial de Israel — viajaram até Jerusalém para se solidarizar com seus compatriotas. Quando a polícia israelense os interceptou na estrada, abandonaram seus carros e iniciaram uma longa caminhada até Jerusalém. Palestinos que viviam na cidade foram ao encontro deles com seus próprios veículos, conduzindo-os até o coração da Palestina. Apesar de sua dispersão geográfica, os palestinos responderam amplamente às convocações para uma greve geral, incorporando de maneira mais expressiva os palestinos da Cisjordânia à mobilização. Enquanto isso, palestinos da diáspora organizaram manifestações multitudinárias em cidades ao redor do mundo, ao passo que refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia marcharam até as fronteiras que os separam de sua terra natal.

Essas ações podem ser compreendidas como poderosas manifestações da soberania indígena palestina (siyada asliya falastiniya). Com base no pensamento crítico de intelectuais palestinos e de outros povos indígenas, defendo neste artigo uma concepção da indigeneidade palestina (aslaniya falastiniya) como a própria materialização da terra palestina nos corpos de seu povo.2 Nessa perspectiva, a soberania indígena palestina constitui uma reivindicação política sobre a totalidade da terra da Palestina, expressa e incorporada nos próprios corpos palestinos. Essa concepção oferece caminhos particularmente fecundos tanto para compreender quanto para enfrentar a violência colonial de assentamento israelense. Também pode constituir uma base conceitual para a revitalização do movimento de libertação palestino, recolocando no centro da luta a terra da Palestina e o vínculo duradouro de seu povo com ela. Essa retomada da soberania representa, ao mesmo tempo, uma recusa às tentativas israelenses de apagar a soberania indígena palestina e uma rejeição às tentativas da Autoridade Palestina (AP) de exercer uma soberania estatal.

Em vez de apresentar uma posição definitiva sobre a indigeneidade e a soberania palestinas, meu principal objetivo aqui é simplesmente contribuir para o avanço do debate em torno desses conceitos. Como argumenta a pesquisadora Kanaka Maoli J. Kēhaulani Kauanui: “Qualquer análise da dominação colonial implica necessariamente uma reflexão sobre a soberania — sobre o contraste entre as concepções ocidentais de soberania e a soberania indígena.”3 Neste artigo, pretendo explorar as possibilidades que se abrem quando começamos a traduzir as teorias e práticas palestinas de resistência para o vocabulário da soberania indígena. O que peço aos leitores, portanto, é que estejam dispostos a repensar a própria noção de soberania palestina, reconhecendo que transformações fundamentais são não apenas urgentemente necessárias, mas já estão em curso na luta do povo palestino por sua libertação.

Ao recorrer às concepções indígenas de soberania, este trabalho parte da minha própria posição como palestino da diáspora que vive na condição de colono nas terras dos povos Jagera e Turrbal, na colônia hoje conhecida como Austrália. Nas palavras da pesquisadora Chelsea Watego, dos povos Munanjahli e das Ilhas dos Mares do Sul: “Não afirmo falar em nome de um povo, mas escrevo a partir de um lugar.”4 Para mim, esse lugar é marcado pela dissonância. Compreendo a Palestina/Israel e a Austrália de maneira contrapontística, para empregar o termo de Edward Said.5 Isso significa que sempre compreendo uma em relação à outra — ambas dialogam entre si, embora muitas vezes de maneira dissonante. Constituem os dois contrapontos da minha compreensão do colonialismo de assentamento enquanto estrutura e da resistência indígena a essa estrutura. Este texto, portanto, é inspirado não apenas pela Intifada da Unidade, mas também pela resistência incessante dos povos aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres (povos negros) à colônia de assentamento australiana e por sua recusa em aceitá-la. Inspira-se também na firme solidariedade demonstrada por ativistas negros ao longo da Intifada e para além dela, que permaneceram inabalavelmente ao lado dos palestinos em nossa luta compartilhada contra o colonialismo de assentamento.

Desenvolvo meu argumento ao longo de cinco seções. Primeiro, apresento a noção de soberania estatal. Enfatizo que a soberania do Estado se efetiva por meio do exercício performativo da violência sobre determinados corpos, observando que, no contexto dos Estados coloniais de assentamento, essa violência é exercida principalmente sobre os corpos indígenas, que precisam ser eliminados para abrir caminho aos colonos. Em seguida, introduzo o conceito de soberania indígena, fundamentado na presença contínua dos povos indígenas, que antecede o Estado colonial e persiste apesar dele. Trata-se, como sugerem os teóricos indígenas, de uma reivindicação territorial incorporada nos próprios corpos, referente a terras que jamais foram cedidas. No campo discursivo, a soberania indígena ganhou destaque como instrumento de articulação das reivindicações políticas dos povos indígenas. Alguns pesquisadores rejeitam a adequação desse termo para tal finalidade, considerando suas origens em concepções violentas de soberania vinculadas ao Estado. Sugiro, contudo, que podemos enfrentar esses paradoxos para reafirmar o vínculo duradouro com as terras indígenas que esse discurso expressa.

Na terceira seção, argumento que há força política na reivindicação da indigeneidade palestina. Embora a compreensão da Palestina/Israel como um contexto de colonialismo de assentamento tenha conquistado crescente reconhecimento, essa perspectiva pode acabar reproduzindo narrativas coloniais caso não coloque a soberania indígena palestina em seu centro.6 A indigeneidade palestina é uma identidade política que, por sua própria natureza, se opõe ao colonialismo de assentamento sionista. A força dessa reivindicação reside na unificação da Palestina que ela promove. Com base nas teorizações indígenas e no pensamento palestino, tanto histórico quanto contemporâneo, proponho compreender a indigeneidade palestina como a incorporação da própria terra da Palestina. Isso significa tanto que o corpo palestino é parte constitutiva da terra da Palestina quanto que a terra da Palestina é parte constitutiva do corpo palestino. Também abordo duas dificuldades aparentes relacionadas à reivindicação da indigeneidade palestina: primeiro, o fato de que os israelenses também reivindicam uma condição indígena em relação ao mesmo território; segundo, o fato de que nem todos os palestinos adotam ativamente uma identidade indígena.

Enfrento essas dificuldades concentrando-me na soberania indígena palestina, conceito central deste artigo, que desenvolvo na quarta seção. Seguindo a concepção de indigeneidade palestina apresentada anteriormente, a soberania indígena palestina refere-se à reivindicação sobre a totalidade da terra da Palestina, incorporada nos próprios corpos palestinos. Sugiro que o conceito de soberania indígena apresenta uma profunda afinidade com as concepções palestinas de existência política, centradas no vínculo corporal e material com a terra da Palestina. Isso oferece as bases para desenvolver uma concepção especificamente palestina de soberania indígena, que coloca no centro a reunificação da Palestina e de seu povo diante da fragmentação imposta pelo colonialismo de assentamento. Uma política fundamentada na soberania indígena tem como objetivo a descolonização da Palestina, e não a assimilação a um Estado israelense concebido como liberal. Entretanto, assim como ocorre com outras formas de soberania indígena, a reivindicação da soberania indígena palestina envolve paradoxos que precisam ser enfrentados ao longo do processo de descolonização.

Para demonstrar a força desse conceito, utilizo então a soberania indígena palestina como instrumento de crítica à busca israelense pela soberania estatal. Argumento que a soberania do Estado colonial de Israel é produzida por meio da tentativa de apagamento da soberania indígena palestina. Israel precisa afirmar performativamente sua frágil soberania por meio da violência contra os corpos indígenas palestinos, uma vez que estes representam uma ameaça inerente à soberania estatal israelense. Entretanto, a soberania indígena que esses corpos carregam não é algo que possa ser eliminado.

Concluo o artigo destacando como a reivindicação e o desenvolvimento de uma concepção propriamente palestina de soberania indígena podem oferecer uma saída para a armadilha da soberania na qual a Autoridade Palestina (AP) conduziu os palestinos ao perseguir a soberania estatal.7 Ao reconectar a luta palestina à terra da Palestina, a soberania indígena pode contribuir para a unificação da causa palestina. Ela oferece possibilidades para o aprofundamento das solidariedades entre povos indígenas e, em última instância, para a construção de futuros descoloniais.

Soberania Estatal

A soberania estatal é um princípio fundamental do sistema internacional e constitui a base dos Estados-nação que o compõem. Nesse contexto, a soberania pode ser entendida como a “autoridade suprema dentro de um território”.8 Essa concepção moderna de soberania é geralmente associada ao pensamento de Jean Bodin, filósofo francês do século XVI.9 O pensamento de Bodin, juntamente, sobretudo, com o de Thomas Hobbes,10 inspirou a noção de soberania absoluta, fundamentada no direito divino dos reis de governar seus súditos e declarar guerra a outros soberanos.11

Essa concepção se desenvolveu paralelamente ao surgimento de novas formas de colonialismo europeu e foi frequentemente invocada para justificar tais empreendimentos coloniais. A soberania era reservada aos povos que demonstrassem um grau considerado suficiente de “civilização”, segundo critérios europeus racializados que excluíam deliberadamente os povos indígenas.12 O conceito de soberania estatal, portanto, tem suas bases na violência racializada e na expropriação dos povos indígenas pelos europeus.13

A soberania estatal possui um caráter performativo, pois não apresenta um fundamento ontológico permanente, sendo produzida por meio de seu próprio exercício. Como afirma Judith Butler, “A soberania é aquilo que se produz taticamente por meio do próprio mecanismo de sua autojustificação.”14 Embora a soberania estatal procure se apresentar como algo natural e previamente estabelecido, na realidade, ela depende de sua constante reprodução. Não é produzida por atos isolados de soberania, mas por um amplo conjunto de práticas que se estendem pelos territórios do Estado e por suas interações com outros agentes soberanos e não soberanos. Assim, em vez de oferecer uma justificativa fundamentada (ontológica) para as práticas estatais, a soberania emerge como um efeito dessas próprias práticas.15

A soberania estatal se manifesta por meio da violência. Em outras palavras, os Estados exercem sua soberania por meio do emprego da violência que consideram legítima. Como afirmou Max Weber em sua célebre definição: “O Estado é a comunidade humana que, dentro de determinado território, […] reivindica para si o monopólio do uso legítimo da força.”16 A legitimidade da violência estatal não deriva da soberania; ao contrário, é por meio dessa violência que a soberania se manifesta. Como observa Mark Rifkin, isso também implica reivindicar um “monopólio do exercício legítimo da legitimidade”,17 evidenciando a relação circular entre soberania estatal e violência, bem como a maneira pela qual a legitimidade é produzida por meio dessa relação.

A violência da soberania estatal é exercida sobre determinados corpos. Em outras palavras, o Estado afirma sua soberania ao exercer seu monopólio da violência tanto sobre cidadãos quanto sobre não cidadãos. A violência estatal infligida aos corpos assume inúmeras formas e depende profundamente do contexto em que ocorre. Como observam Thomas Blom Hansen e Finn Stepputat: “Essas manifestações podem ser espetaculares e públicas, secretas e ameaçadoras, e também podem assumir a aparência de racionalidades científicas e técnicas voltadas à administração e à punição dos corpos […] elas estão […] sempre construindo sua autoridade pública por meio da capacidade de exercer violência sobre os corpos humanos.”18

Em contextos de colonialismo de assentamento, a soberania do Estado colonial se manifesta principalmente por meio da eliminação dos corpos indígenas de suas terras. Na medida em que a presença soberana contínua dos povos indígenas e sua resistência expõem a ilegitimidade da soberania do Estado colonial, seus corpos precisam ser eliminados para que esse Estado possa afirmar sua soberania. Como observa Watego, a colônia que os colonos “construíram para si foi estabelecida e é sustentada pela violência racial, e todas as suas instituições são implacáveis em sua brutalidade contra os corpos negros soberanos”.19 Portanto, a eliminação não constitui apenas a lógica central do colonialismo de assentamento, conforme descrito na literatura especializada,20 mas é também por meio da eliminação dos corpos indígenas que a soberania do Estado colonial se estabelece e se manifesta. Como explica a pesquisadora Goenpul Aileen Moreton-Robinson, a soberania do Estado colonial se manifesta pela prática de tomar posse das terras indígenas, que, ao mesmo tempo, precisam ser esvaziadas de sua presença indígena.21 Os corpos indígenas precisam ser eliminados porque carregam consigo uma soberania indígena que representa uma ameaça inerente à soberania do Estado colonial, dada a natureza particularmente frágil e insegura de sua reivindicação de legitimidade.22

Soberania Indígena

A soberania indígena representa um desafio fundamental à soberania do Estado colonial de assentamento. Ela possui um fundamento ontológico na presença, no pensamento e nas práticas indígenas, que antecedem em muito a existência do Estado colonial. A indigeneidade é uma identidade política que, por si só, se opõe ao colonialismo de assentamento, como demonstrarei adiante. É importante destacar a natureza política da indigeneidade, uma vez que as reivindicações políticas dos povos indígenas sobre suas terras são frequentemente desconsideradas pelos Estados coloniais, que privilegiam as dimensões culturais da identidade indígena.23 A indigeneidade, enquanto categoria política, é algo pelo qual os povos indígenas precisaram lutar. Trata-se de um conceito flexível na maneira como é empregado por esses povos, permitindo diferenças significativas entre contextos e períodos históricos. Não está condicionado a noções estáticas de autenticidade cultural.

As concepções de indigeneidade não podem ficar restritas àquelas formuladas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP), ainda que reconheçamos que essa declaração representou, em muitos aspectos, uma conquista árdua dos povos indígenas — especialmente pelo intenso esforço de suas lideranças para garantir que o documento reconhecesse os povos enquanto coletividades, e não apenas os indivíduos indígenas.24 A declaração consagrou direitos específicos dos povos indígenas em escala global, constituindo um instrumento valioso para responsabilizar os Estados coloniais. Entretanto, como observa a pesquisadora Irene Watson, dos povos Tanganekald, Meintagk e Boandik, embora a UNDRIP “estabeleça padrões mínimos de relevância universal, a realidade é que ela não será eficaz na proteção e na afirmação da soberania dos povos aborígenes”.25

A soberania indígena expressa a presença contínua dos povos indígenas em suas terras ancestrais e o vínculo duradouro que mantêm com elas. Seu fundamento ontológico reside na própria terra e, por isso, resiste a qualquer tentativa colonial de extingui-la. Embora possua essa base ontológica permanente, sua formulação enquanto conceito é mais recente. Ainda que manifestações da soberania indígena remontem pelo menos ao início do século XVII,26 o conceito ganhou destaque no discurso indígena após a Segunda Guerra Mundial, como “um termo em torno do qual se formaram movimentos sociais e se articularam agendas políticas de descolonização e justiça social”.27 Trata-se de um conceito forjado, em sua própria essência, pela luta indígena. A soberania do Estado colonial se sustenta precariamente na negação da soberania indígena, enquanto as soberanias indígenas, enraizadas na terra, desafiam incessantemente e recusam a legitimidade do Estado colonial. Assim como a própria indigeneidade, o conceito de soberania indígena é flexível e profundamente contextual.28 As soberanias indígenas podem assumir diferentes formas, mas compartilham uma reivindicação permanente sobre as terras indígenas, que não foi, nem pode ser, extinta pelo Estado colonial.29

A soberania tornou-se um conceito central nos estudos indígenas, especialmente em suas vertentes críticas. De fato, no contexto da Ilha da Tartaruga (América do Norte), o compromisso com a soberania indígena constituiu a própria base para a convergência dos campos de estudos dos povos nativos e indígenas.30 Ainda assim, a soberania permanece um conceito debatido nesse campo de estudos.31 Traduzir a diversidade das ontologias e epistemologias indígenas para a noção de soberania é, por natureza, uma tarefa repleta de dificuldades. O discurso da soberania indígena jamais será capaz de abarcar plenamente a profundidade e a amplitude das formas indígenas de compreender o mundo.32

Isso leva alguns pesquisadores indígenas a rejeitar o discurso da soberania. Por exemplo, o pesquisador Taiaiake Alfred, do povo Mohawk de Kahnawà:ke, argumenta que, devido às suas raízes em concepções violentas vinculadas ao Estado, a própria noção de soberania constitui um conceito perigoso para pensar e praticar a política indígena.33 Ele observa que os meios e os objetivos da soberania estatal são incompatíveis com as filosofias indígenas e suas concepções de política.34 Dessa forma, “o desafio é desconstruir o próprio conceito de soberania e substituí-lo por uma noção de poder fundamentada em uma premissa mais adequada”.35

Partindo do ceticismo expresso na obra de Alfred, adoto uma concepção de soberania indígena que reconhece seus paradoxos e, ao mesmo tempo, procura enfrentar essas tensões, em vez de abandonar completamente o conceito. Apoio-me aqui especialmente em Kauanui, cujo projeto consiste em identificar os paradoxos da soberania indígena havaiana para “avançar em direção a possibilidades descoloniais, apesar das enormes limitações estruturais”.36 É, portanto, no enfrentamento dos paradoxos da soberania indígena que emerge a força desse discurso. Em outras palavras, o próprio processo de lidar com os paradoxos da soberania contribui para a construção de concepções indígenas de soberania.

Os povos indígenas continuam a reformular o conceito de soberania, não apenas para diferenciá-lo da concepção estatal, mas também para expressar uma ontologia que antecede a soberania colonial e persiste apesar dela. A pesquisadora Joanne Barker, do povo Lenape, destaca o caráter historicamente contingente do discurso da soberania, observando que seu significado não está simplesmente vinculado à violência estatal e que suas diferentes formulações também podem surgir para atender a objetivos específicos: “A soberania carrega o terrível odor do colonialismo. É incompleta, imprecisa e problemática. Mas também foi reformulada pelos povos indígenas para significar coisas completamente diferentes.”37 Assim, embora a soberania não possa ser desvinculada de sua associação com o exercício da violência estatal sobre os corpos colonizados, ela é reelaborada para expressar reivindicações indígenas sobre a terra que antecedem a soberania estatal e a rejeitam categoricamente. Como afirma Moreton-Robinson: “Soberania não é uma palavra inventada pelos povos indígenas, mas somos os donos das terras das quais fomos ‘despossuídos’.”38

Uma dimensão fundamental das reivindicações indígenas de soberania é o vínculo com suas terras e a responsabilidade por elas. Como expressa Moreton-Robinson de maneira contundente: “Nossas ontologias, nossas formas de existir enquanto indígenas, estão indissociavelmente ligadas ao fato de estarmos em nossas terras e de fazermos parte delas”39 e “Nossas soberanias estão na terra e são parte dela”.40 Não se trata de uma reivindicação de propriedade privada sobre a terra, nos termos do colonizador, mas de uma relação profundamente enraizada de pertencimento e cuidado com ela. Nas palavras da pesquisadora Audra Simpson, do povo Mohawk de Kahnawà:ke, trata-se de “uma forma de relação, e não de uma reivindicação violenta de propriedade”.41 O corpo indígena soberano é fundamental para essa relação. Moreton-Robinson esclarece: “Nossa soberania está incorporada em nossos corpos; ela é ontológica (nosso ser) e epistemológica (nossa maneira de conhecer).”42 Foi ao testemunhar a soberania sendo exercida — nas manifestações do Dia da Invasão ou na firme recusa de intelectuais negros soberanos em aceitar a colônia conhecida como Austrália — que mais aprendi sobre o significado de incorporar a soberania. A soberania frequentemente se manifesta nos corpos como uma convicção inabalável na busca por justiça, cuja força deriva de seu profundo enraizamento na terra e na comunidade.43

Por meio de sua presença nas terras sobre as quais reivindicam soberania, os corpos indígenas permanecem firmes diante das tentativas infrutíferas do Estado colonial de extinguir a soberania indígena. Moreton-Robinson afirma: “Enquanto existências resilientes, nossas soberanias persistem ontológica e materialmente; enquanto seres humanos, somos a personificação de nossas terras.”44 Essa soberania incorporada nos corpos, portanto, perturba o Estado colonial em seu próprio fundamento ontológico. De fato, é precisamente porque os povos indígenas incorporam sua soberania que o colonizador se vê compelido a afirmar, de maneira incessante e insegura, a soberania estatal por meio da violência contra os corpos indígenas. Essa concepção de soberania incorporada, desenvolvida principalmente a partir do pensamento e das práticas dos povos aborígenes, encontrou profunda ressonância entre outros povos indígenas, do Havaí a Oaxaca.45

Indigeneidade Palestina

A indigeneidade palestina é uma identidade de resistência que se opõe ao colonialismo de assentamento sionista/israelense. Embora essa perspectiva seja reconhecida há muito tempo por pesquisadores palestinos,46 a compreensão da Palestina/Israel como um contexto de colonialismo de assentamento ganhou espaço em círculos cada vez mais amplos ao longo da última década.47 Entretanto, como argumenta Rana Barakat, as análises do colonialismo de assentamento precisam estar inseridas no quadro conceitual da soberania indígena, caso contrário acabam reproduzindo narrativas coloniais.48

A indigeneidade palestina é uma identidade política que se opõe ao colonialismo de assentamento sionista, não estando fundamentada em uma concepção despolitizada e essencialista da cultura palestina. Lana Tatour examina os perigos da “culturalização” da indigeneidade no contexto dos beduínos palestinos do Naqab. Segundo a autora, o discurso liberal sobre a indigeneidade beduína tem se apoiado em uma concepção cultural essencialista. Isso acaba enfraquecendo os objetivos políticos mais amplos dos palestinos, pois condiciona sua indigeneidade e as reivindicações territoriais a ela associadas à demonstração de uma suposta “autenticidade” cultural.49 A análise de Tatour evidencia a necessidade de enfatizar a natureza política da indigeneidade palestina e de rejeitar a definição extremamente restritiva de indigeneidade presente no direito internacional.50

Grande parte dos estudos existentes sobre a indigeneidade palestina concentra-se nos palestinos de 194851 e, particularmente, nos beduínos do Naqab.52 Os beduínos do Naqab ocupam uma posição singular entre o povo palestino por terem conquistado o reconhecimento internacional de sua indigeneidade em diferentes órgãos das Nações Unidas.53 Entretanto, destacar a indigeneidade de grupos específicos de palestinos pode acabar enfraquecendo a noção de uma indigeneidade palestina coletiva. Por exemplo, ao reivindicarem sua indigeneidade no cenário internacional, os beduínos do Naqab foram obrigados a se diferenciar não apenas da população colonial israelense, mas também do próprio povo palestino, ao qual afirmam pertencer.54 Isso acaba apagando a identidade palestina dos beduínos e integra a estratégia colonial israelense, de longa data, de fragmentar o povo palestino em diferentes grupos étnicos e religiosos,55 enfraquecendo sua reivindicação coletiva de indigeneidade.

Em oposição a essas reivindicações excludentes, argumento que a força do discurso da indigeneidade reside precisamente em sua capacidade de unir os palestinos para além das fronteiras coloniais, das distinções identitárias e dos diferentes estatutos jurídicos. Uma indigeneidade palestina coletiva desafia diretamente a antiga estratégia sionista de fragmentação colonial.56 Ela expressa a possibilidade de reafirmar a condição de todos os palestinos como indígenas de toda a Palestina. Afirma não apenas o direito de permanência dos palestinos que resistiram em suas terras, mas também o direito dos refugiados palestinos de retornar às suas terras ancestrais.

Apoiando-me especialmente na formulação teórica de Moreton-Robinson apresentada na seção anterior, proponho compreender a indigeneidade palestina como a incorporação da própria terra da Palestina nos corpos de seu povo.57 Isso significa tanto que o corpo palestino é parte constitutiva da terra da Palestina quanto que a terra da Palestina é parte constitutiva do corpo palestino. Essa concepção de indigeneidade já é expressa há muito tempo pelos palestinos, embora nem sempre nesses termos. Por exemplo, em uma conversa com Gilles Deleuze intitulada “Os índios da Palestina”, Elias Sanbar estabelece uma relação semelhante entre o corpo palestino e a terra: “A Palestina não é apenas um povo, mas também uma terra. É o vínculo entre esse povo e sua terra espoliada, é o lugar onde se manifestam uma ausência e um imenso desejo de retorno.”58

Essa indigeneidade palestina também costuma ser expressa em termos de pertencimento à terra natal. Tomemos, por exemplo, as palavras de Mahmoud Darwish em Diário de uma tristeza comum, nas quais ele contrapõe a tentativa israelense de estabelecer um pertencimento à terra ao pertencimento palestino incorporado nos próprios corpos: “A verdadeira pátria é aquela que não pode ser conhecida nem comprovada. Quanto ao país que surge de uma fórmula química ou de uma teoria elaborada em um instituto, esse não é uma pátria. Sua consciência da necessidade de comprovar a história de uma pedra e sua capacidade de fabricar provas não lhe conferem prioridade de pertencimento em relação àquele que consegue prever a chegada das chuvas pelo cheiro dessa pedra. Para você, essa pedra é um exercício intelectual, mas, para seu verdadeiro dono, ela é um teto e uma parede.”59

Assim, para o israelense, a terra da Palestina precisa ser constantemente construída como Israel por meio de um grande esforço intelectual, enquanto, para o palestino, essa terra é simplesmente seu lar. Essa pátria está inscrita no corpo palestino por meio dos sentidos, como no exemplo anterior, em que o cheiro da pedra permite reconhecer a chegada da chuva. Trata-se de uma pátria incorporada que os palestinos carregam consigo através dos oceanos, para a diáspora, e transmitem às gerações nascidas no exílio. Além disso, aprendemos aqui que a indigeneidade palestina não é algo que precise ser comprovado diante de ninguém, seja por critérios de autenticidade cultural ou por quaisquer outros meios. Ela simplesmente existe.

Enquanto a citação de Darwish destaca como a terra da Palestina está incorporada ao corpo palestino, podemos perceber, em um verso do rapper e produtor palestino Muqata‘a, a compreensão de que o corpo palestino é parte constitutiva da própria terra. Na música “Fi mi‘ad”, produzida em parceria com o também rapper e produtor palestino Dakn durante a Intifada da Unidade, Muqata‘a repete o verso “uhfur taht al-Aqsa hatlaqina” (cave sob Al-Aqsa e você nos encontrará).60 Trata-se de uma referência às tentativas israelenses de fabricar um pertencimento nacional a Jerusalém e, de maneira mais ampla, à Palestina, por meio de escavações arqueológicas de legitimidade questionável, algumas delas realizadas sob a Mesquita de Al-Aqsa.61 Entretanto, como afirma Muqata‘a, se escavarem a terra, encontrarão apenas a nós — os palestinos —, pois o corpo palestino é parte constitutiva dessa terra. Isso demonstra claramente a dimensão coletiva da incorporação da terra nos corpos que caracteriza a indigeneidade palestina. Além disso, mais uma vez, a indigeneidade palestina se revela capaz de persistir apesar do exílio: mesmo quando o corpo palestino é expulso, ele permanece incorporado à própria terra.

Também podemos perceber claramente, nas palavras de Darwish e Muqata‘a, o que significa compreender a indigeneidade palestina como uma relação política com o colonialismo de assentamento sionista/israelense. Embora o pertencimento à terra expresso pela noção de indigeneidade palestina anteceda historicamente o colonialismo de assentamento sionista, a própria formulação dessa indigeneidade surge em oposição à colonização. Antes do colonialismo de assentamento sionista, a indigeneidade palestina era algo dado — não precisava ser formulada ou reivindicada, pois simplesmente existia. Entretanto, quando o colono sionista chega às costas da Palestina e passa a reivindicar direitos exclusivos sobre a terra, torna-se necessário afirmar a indigeneidade palestina para confrontar essas reivindicações. Nos termos de Muqata‘a, é quando o sionista começa a escavar a terra da Palestina que o palestino indígena emerge.

Uma dificuldade aparente na reivindicação da indigeneidade palestina é o fato de que os próprios israelenses também reivindicam essa condição. O sionismo contemporâneo procura apresentar o povo judeu como indígena da terra da Palestina/Israel. Essa narrativa geralmente combina um suposto direito divino do povo judeu de governar a terra com justificativas coloniais mais seculares para o assentamento, como a ideia de “fazer o deserto florescer”. Dessa forma, os sionistas reinterpretam o assentamento colonial como um retorno às suas terras de origem, ao mesmo tempo que apresentam os palestinos indígenas como se fossem colonos dessas mesmas terras! É importante observar que uma pequena minoria da população judaica israelense descende de comunidades judaicas originárias da Palestina, cuja presença no território antecede o movimento colonial sionista. Curiosamente, o pertencimento palestino dessas comunidades judaicas da Palestina foi apagado à medida que elas foram “reindigenizadas” pelo projeto sionista.62 Entretanto, a indigeneidade não consiste em apresentar provas de uma ligação ancestral com determinado lugar, tampouco em demonstrar uma suposta “quantidade” de “sangue indígena”.63 Como estabelecido anteriormente, trata-se de uma relação política com a estrutura do colonialismo de assentamento.

A tentativa do colono sionista de se tornar nativo é, na realidade, uma característica típica dos projetos coloniais de assentamento.64 Steven Salaita e Nur Masalha examinam detalhadamente como essa dinâmica opera no contexto do colonialismo de assentamento sionista.65 Longe de constituir a exceção como frequentemente se supõe, a reivindicação israelense de indigeneidade é, na verdade, uma característica bastante comum entre populações colonizadoras, ainda que apresente uma narrativa própria e particularidades específicas. Isso reafirma a importância central de ampliar a visibilidade da reivindicação palestina de indigeneidade, enfatizando especialmente a soberania que essa condição implica, uma soberania que antecede a existência do Estado israelense e persiste apesar dela.

Uma segunda dificuldade potencial na reivindicação da indigeneidade palestina é o fato de que nem todos os palestinos adotaram ativamente uma identidade indígena. Em determinados momentos, os palestinos enxergaram na indigeneidade uma política de derrota. Por exemplo, em 1987, Yasser Arafat declarou a um entrevistador: “Israel não conseguiu nos exterminar. Estamos aqui, na Palestina, enfrentando-os. Não somos índios americanos.”66 Como demonstra o pesquisador Nick Estes, do povo Kul Wicasa, uma rejeição semelhante à indigeneidade era comum entre palestinos envolvidos nos movimentos de solidariedade entre povos indígenas norte-americanos e palestinos nas décadas de 1970 e 1980.67 Entretanto, parte do que pretendo demonstrar neste artigo é que, se considerarmos as concepções de indigeneidade formuladas pelos próprios povos indígenas, em vez daquelas impostas pelos colonizadores, encontraremos na indigeneidade não uma política de derrota, mas uma política de presença contínua e de pertencimento duradouro à terra.

Enxergar na indigeneidade uma política de derrota é um equívoco por pelo menos duas razões: pressupõe uma visão determinista do colonialismo de assentamento e apaga a resistência indígena que continua em curso. O colonialismo de assentamento não é um processo linear e predeterminado que conduz inevitavelmente à eliminação.68 Ele encontra resistência em todas as suas etapas, e sua trajetória é profundamente moldada pelas formas que essa resistência assume. A descolonização permanece sempre possível enquanto a soberania indígena persistir. A derrota dos povos indígenas não deve ser tratada como um fato consumado, como sugere a declaração de Arafat. Assim como os palestinos, povos indígenas de todo o mundo continuam resistindo firmemente às tentativas de eliminá-los. Reconhecer essa resistência é fundamental, pois o colonialismo de assentamento opera precisamente por meio do ocultamento dessa luta indígena incessante.

É por essas razões que a linguagem da indigeneidade vem sendo cada vez mais reivindicada pelos palestinos.69 Isso é fundamental e, como afirma Salaita: “Não consigo pensar em dois grupos mais preparados do que os povos indígenas e os palestinos para, juntos, confrontar as narrativas da história […] porque a sobrevivência do nosso mundo depende disso.”70

Soberania Indígena Palestina

Os palestinos nunca governaram a Palestina por meio da violência performativa de um Estado-nação, mas incorporam em seus próprios corpos uma reivindicação soberana e duradoura sobre a terra pela qual lutam. Lila Abu-Lughod sugere que, em vez de corresponder perfeitamente à realidade vivida no território, a força do discurso sobre o colonialismo de assentamento na Palestina e a indigeneidade palestina que ele implica reside na possibilidade de imaginar formas “Alter-Nativas” de soberania.71 Neste artigo, procuro contribuir para esse exercício de imaginação, propondo que a soberania indígena palestina constitui uma reivindicação sobre a terra da Palestina incorporada nos próprios corpos palestinos.

Enquanto a indigeneidade palestina representa a incorporação da terra da Palestina nos corpos de seu povo, conforme discutido na seção anterior, a soberania indígena palestina constitui a reivindicação dessa terra expressa por meio desses corpos. Em outras palavras, a soberania indígena afirma o pertencimento do corpo palestino à terra da Palestina. É fundamental observar que, ao colocar a terra no centro dessa concepção, não estou sugerindo que a soberania palestina dependa de uma ligação física e presente com o território. Na verdade, ao compreendermos a indigeneidade palestina tanto como a presença constitutiva do corpo na terra quanto como a presença constitutiva da terra no corpo, percebemos que a soberania indígena dos palestinos exilados persiste tanto em seus próprios corpos quanto na própria terra.

O enraizamento ontológico nas terras indígenas, característica central das soberanias indígenas, apresenta uma profunda afinidade com as concepções palestinas de existência e resistência. Salaita expressa isso poeticamente ao discutir a determinação demonstrada pelos palestinos que resistem à expulsão de Sheikh Jarrah: “Os palestinos jamais entregarão aos tribunais israelenses seus direitos de habitação. Esses tribunais atribuem a si mesmos jurisdição sobre a vida palestina, mas as reivindicações palestinas ao direito de viver possuem fundamentos muito mais sólidos: uma história secular nas cidades e nos bairros que habitam, uma cultura inseparável de seu entorno, uma linguagem de liberdade em harmonia com a beleza da terra. Os palestinos sabem perfeitamente que pertencem a esse lugar.”72

Ao abordar a resistência palestina de maneira mais ampla, Ala Alazzeh observa que “a terra permanece como o centro de gravidade”.73 Isso fica evidente, por exemplo, na comemoração anual do Dia da Terra, que homenageia as vidas perdidas em 1976, quando palestinos protestaram contra seu apagamento. Como afirma Alazzeh, o Dia da Terra é “um acontecimento central que simboliza a unidade do povo palestino e o espaço concreto e imaginado ao qual ele pertence”.74 É evidente que os vínculos dos palestinos com a terra, assim como os de outros povos indígenas, abrangem muito mais do que a simples propriedade territorial, envolvendo uma ligação muito mais profunda com a terra e o solo da Palestina. De fato, o termo árabe al-ard não se refere apenas à terra enquanto território, mas também à terra enquanto elemento físico, ao solo, ao próprio fundamento da vida.

A soberania indígena palestina está enraizada na terra e é parte constitutiva dela. Fundamenta-se em uma ligação incorporada com a Palestina e se expressa nas formas palestinas de existir, conhecer e resistir nessa terra e por ela. A soberania se manifesta nos corpos, por exemplo, por meio da prática palestina do sumud (firmeza e perseverança). Lena Meari examina como os palestinos mantidos em prisões israelenses praticam o sumud ao se recusarem a colaborar mesmo sob tortura.75 Como declara desafiadoramente o prisioneiro palestino Ibrahim al-Ra‘i, posteriormente morto, a seu interrogador: “Você já interrogou uma mesa? Agora sou uma mesa. Vá interrogar uma mesa. Se ela lhe responder, venha até mim e descobrirá que me transformei em uma montanha.”76

Sarah Ihmoud caracteriza explicitamente a prática da murabata como uma forma de soberania palestina incorporada nos corpos. A murabata é a prática palestina de “permanecer em seu lugar e defender um espaço sagrado”, apresentando uma forte afinidade com o sumud.77 As Murabitat al-Haram são um grupo de mulheres palestinas de Jerusalém que praticam a murabata reunindo-se diariamente no Haram al-Sharif (Santuário Nobre, ou complexo da Mesquita de Al-Aqsa) para rezar, estudar e proteger o espaço sagrado contra incursões de colonos israelenses. Em uma poderosa manifestação da soberania incorporada nos corpos, Aida, integrante de 31 anos das murabitat, declara a Ihmoud: “Continuaremos nossa luta, mesmo que sejamos humilhadas, espancadas, mesmo que sejamos arrastadas pelas ruas, encarceradas […] ainda que a única arma que possuímos seja nossa voz. Erguemos nossas vozes para defender Al-Aqsa, para mostrar a eles que ainda estamos aqui, que ainda respiramos […] porque, enquanto Al-Aqsa viver, a Palestina também viverá.”78

A Intifada da Unidade representou outra profunda manifestação da soberania palestina incorporada nos corpos, quando testemunhamos a recuperação do corpo coletivo palestino, há muito submetido à lógica de fragmentação do colonialismo de assentamento sionista. Por meio da resistência compartilhada, o corpo palestino se reunifica em sua soberania sobre a Palestina. E é desse corpo palestino reunificado que emerge uma concepção especificamente palestina de soberania indígena, entendida como a reivindicação da terra da Palestina.

Ao desenvolver o conceito de soberania indígena palestina, encontramos novas razões para abraçar a indigeneidade palestina. Em primeiro lugar, em vez de aderir a um modelo liberal de direitos, no qual os palestinos poderiam, na melhor das hipóteses, tornar-se uma minoria subjugada dentro do Estado israelense, a reivindicação da soberania indígena palestina implica a rejeição desse modelo em favor da afirmação do pertencimento inerente de todos os palestinos, independentemente de sua dispersão geográfica, à terra da Palestina. Ilan Pappé argumenta que o discurso da indigeneidade sinaliza — e possibilita — a busca palestina por igualdade e humanização para além dos limites da libertação nacional.79 Entretanto, a partir da perspectiva da soberania desenvolvida aqui, sugiro que a indigeneidade palestina produz, na realidade, uma rejeição desse discurso humanista liberal em favor da busca por objetivos mais radicais de descolonização. Como sugere Tatour, apesar de sua apropriação pelo liberalismo colonial, o discurso da indigeneidade conserva um potencial emancipatório para o povo palestino, desde que mantenha a descolonização em seu centro.80

O enfoque na soberania assegura essa centralidade. Ele pode representar uma passagem de uma política de reconhecimento para uma política de recusa. Como explica Simpson, em contraste com a busca por reconhecimento por parte do colonizador, a recusa consiste em uma rejeição completa da soberania do Estado colonial, que “vem acompanhada da exigência de que a própria soberania política seja reconhecida e respeitada”.81 É uma postura na qual os povos indígenas “simplesmente se recusam a deixar de ser quem são”.82

Testemunhamos precisamente essa forma de recusa durante a Intifada da Unidade. Em Sheikh Jarrah, assim como em inúmeras outras localidades, os palestinos soberanos simplesmente se recusaram a abandonar suas casas na Palestina. Uma das razões pelas quais sua resistência encontrou tamanha repercussão entre os palestinos de maneira mais ampla é que ela sintetiza a experiência palestina de recusa absoluta à expropriação, ao deslocamento e ao apagamento. Sugiro que é por meio do conceito de soberania indígena palestina que podemos levar essa recusa ainda mais longe, em vez de buscar o reconhecimento dos colonos israelenses e da comunidade internacional, que apoia sua colonização tanto de maneira tácita quanto ativa.

Entretanto, assim como ocorre com outras formas de soberania indígena, o conceito de soberania indígena palestina apresenta paradoxos que precisam ser enfrentados. Um deles é o risco de que essa soberania assuma formas essencialistas. Ao invocar a soberania indígena, corre-se o risco de evocar versões romantizadas do passado palestino, às quais se buscaria retornar. Contudo, é importante deixar claro que uma política de soberania indígena palestina não tem como objetivo o retorno a uma condição pré-colonial “original” e idealizada. Não se trata de propor a recriação do passado, mas de enfrentar as tensões inerentes à maneira como imaginamos os passados palestinos, a fim de construir futuros descoloniais. Nas palavras de Kauanui, isso “não é um chamado ao retorno ao passado, mas uma apropriação crítica do passado — ou, pelo menos, das compreensões contemporâneas desse passado”.83

Outro paradoxo diz respeito às conotações da palavra árabe para soberania, siyada. Amahl Bishara observa que siyada carrega conotações de dominação e patriarcado, decorrentes de sua ligação etimológica com sayyid, termo que significa senhor ou mestre.84 Ao traduzir a política palestina para a linguagem da siyada, permanece sempre presente o risco de formular essa política em termos de dominação e patriarcado. Entretanto, sugiro que, quando qualificada pelo termo asliyya (traduzido aqui como “indígena”, mas que também pode significar “original”), a palavra siyada pode ter seu significado transformado para expressar uma política palestina descolonizadora, que necessariamente incorpore uma análise interseccional das relações de poder. Assim como o termo inglês sovereignty (soberania) foi apropriado pelos povos indígenas para designar uma forma de organização política que antecede o Estado colonial e persiste apesar dele, conforme discutido anteriormente, siyada também poderia ser apropriada e reformulada em oposição à sua concepção árabe moderna. Isso exigiria um aprofundamento teórico palestino significativo sobre o conceito, algo que ultrapassa os limites deste artigo. De fato, esse desenvolvimento teórico da soberania indígena palestina não é algo que eu — ou qualquer outra pessoa — possa ou deva realizar individualmente. Trata-se de um exercício coletivo que necessariamente precisa ocorrer por meio do diálogo através das fronteiras coloniais que dividem o corpo palestino. Em suma, é na unidade que deve se realizar o aprofundamento teórico de uma soberania indígena palestina.

O fracasso sionista em apagar a soberania indígena palestina

A indigeneidade palestina oferece uma posição soberana a partir da qual podemos não apenas afirmar e articular uma política palestina descolonial, mas também criticar as soberanias estatais. Parte da força do conceito de soberania indígena palestina reside em sua capacidade de expressar uma existência política palestina duradoura, que rejeita categoricamente os fundamentos do Estado colonial israelense e sua violência. A colonização sionista da Palestina está fundamentada, essencialmente, na tentativa de apagar a soberania indígena palestina. Talvez a expressão que melhor exemplifique isso seja o mito sionista de que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”. O que essa frase procura sugerir, em última instância, é que os palestinos não constituíam um povo capaz de exercer soberania sobre as terras que habitavam antes da colonização sionista. Para justificar seu empreendimento colonial, o sionismo precisou romper, no plano discursivo, o vínculo político entre o corpo palestino e a terra da Palestina. Procurou fazer desaparecer a soberania indígena palestina. Entretanto, essa soberania não pode ser extinta.

O fato de que a presença dos palestinos na terra da Palestina e seu vínculo com ela constituíam uma forma de soberania também foi ativamente negado pelos britânicos durante o estabelecimento de seu mandato colonial sobre o território. Podemos observar claramente esse apagamento na Declaração Balfour de 1917, documento fundamental que expressava o apoio britânico ao projeto sionista. Ao estabelecer que “nada deverá ser feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina”, a declaração nega tanto os direitos políticos dos palestinos quanto sua soberania sobre a Palestina. Igualmente importante é o fato de que os palestinos não foram descritos como nativos pelos britânicos ou pela Liga das Nações, em razão da bem-sucedida atuação política da Organização Sionista Mundial.85 Sua condição de povo indígena foi apagada. Além disso, houve também um apagamento dos palestinos enquanto palestinos, reduzidos à designação genérica de “não judeus”.

Entretanto, os palestinos jamais deixaram de reivindicar politicamente sua terra, expressando sua soberania por meio da resistência contínua tanto ao sionismo quanto ao Mandato Britânico. Além disso, é precisamente a negação de uma soberania palestina preexistente, juntamente com outras lógicas coloniais racializadas, que permite caracterizar as ações de resistência palestina como criminosas ou terroristas, em vez de reconhecê-las como expressões políticas de soberania. Em outras palavras, a negação colonial da soberania indígena palestina permite despolitizar a resistência palestina.

A tentativa de apagar a soberania palestina “contrariava frontalmente a realidade de uma consciência nacional entre os árabes da Palestina”, como observa Noura Erakat ao se referir ao período que antecedeu a Nakba.86 A consciência de uma soberania de todos os palestinos sobre toda a Palestina se expressou na rejeição palestina ao Plano de Partilha da ONU de 1947, que previa a destinação de 56% da Palestina a um Estado sionista e 43% a um Estado “árabe”, enquanto a cidade de Jerusalém (o 1% restante) ficaria submetida a um regime internacional. Os palestinos denunciaram essa proposta como uma negação arbitrária de seu direito à autodeterminação em suas próprias terras.87 Entretanto, os líderes sionistas argumentaram, de maneira perversa, que, ao rejeitar o plano, os palestinos haviam renunciado à sua reivindicação de soberania.88

Pouco depois dessa rejeição e da retirada britânica da Palestina, o Estado de Israel foi constituído por meio da violência fundadora da Nakba. Milícias sionistas empregaram táticas destinadas a espalhar o terror, incluindo massacres e estupros, divulgando deliberadamente notícias dessas atrocidades entre as comunidades palestinas.89 Essa estratégia de eliminação levou mais de 780 mil palestinos a fugir de suas casas no território que, pouco depois, seria declarado Estado de Israel.90

O Estado colonial de Israel não apenas foi fundado sobre essa violência originária,91 como também, precisamente por se sustentar na negação infundada da soberania indígena palestina, precisa afirmar continuamente sua soberania estatal por meio da violência contra os palestinos, que incorporam uma soberania duradoura. A soberania israelense é frágil e insegura. Sua construção se apoia precariamente na rejeição injusta da soberania palestina. Enquanto a soberania indígena palestina está enraizada na própria terra, a soberania israelense repousa sobre sua superfície.92 Sua insegurança decorre do fato de que os palestinos se recusaram categoricamente a desaparecer. Sua presença soberana contínua representa uma ameaça inerente à legitimidade da soberania israelense. Como declarou Khaled Odetallah em um discurso fúnebre em homenagem a Basel al-Araj:

Depois de cem anos do projeto colonial na Palestina, o sionista não pode dizer “Eu venci”, e o palestino verdadeiramente comprometido com sua pátria não pode dizer “Fui derrotado”. […] Não é possível ao sionista construir outra coisa senão fortalezas; ele não constrói lares. E, quando vai para aquilo que chama de sua casa, não consegue fazê-lo sem uma arma na mão. Quem dorme com uma arma na mão não está em seu lar, mas em uma fortaleza, em um acampamento militar, em uma residência temporária neste país […] e eles sabem disso.93

A única maneira de a soberania estatal israelense se sustentar é por meio da tentativa contínua de apagar a soberania indígena palestina. Entretanto, essa soberania persiste na experiência vivida e incorporada nos corpos palestinos, de modo que a soberania israelense precisa ser constantemente afirmada por meio da violência contra esses corpos, paralelamente ao apagamento do espaço palestino. O corpo palestino precisa ser violentamente eliminado para que a soberania que carrega seja reprimida e negada. Como observam Nadera Shalhoub-Kevorkian e Sarah Ihmoud: “A natureza do poder colonial de assentamento israelense exige o exercício cotidiano do terror contra o Outro palestino nativo, cuja simples presença assombra o imaginário colonial. Na verdade, até mesmo nossa respiração o assombra.”94

Existem inúmeros exemplos de como a soberania israelense é exercida sobre os corpos palestinos. Durante a Intifada da Unidade, os corpos palestinos em Sheikh Jarrah, assim como em muitas outras localidades, que afirmavam sua presença soberana por meio de protestos, foram agredidos, encarcerados, mutilados e mortos. Enquanto isso, Israel reafirmava seu monopólio da violência por meio de mais uma ofensiva brutal contra Gaza. Não cabe a este artigo detalhar todas as formas de violência perpetradas. Meu objetivo é, antes, sugerir que o conceito de soberania indígena palestina constitui um instrumento capaz de esclarecer e enfrentar essas violências de maneiras particularmente fecundas.


A perspectiva da soberania indígena palestina nos permite criticar não apenas a soberania estatal israelense, mas também as iniciativas palestinas de busca por uma soberania centrada no Estado. Por meio de seu suposto projeto de construção estatal, a Autoridade Palestina (AP) passou a representar a soberania palestina como uma forma extremamente limitada de autogoverno, que facilita a continuidade da colonização israelense. Nessa busca pela soberania estatal, a AP e o chamado processo de paz que a originou conduziram os palestinos a uma “armadilha da soberania”,95 na qual a AP desfruta do privilégio de exercer uma autonomia severamente restrita em alguns fragmentos da Cisjordânia (que, por sua vez, já constitui apenas uma parte da Palestina). Em troca, colabora com Israel de maneira a assegurar a continuidade da colonização de assentamento na Cisjordânia. Assim, a capacidade da AP de exercer sua falsa soberania administrativa depende de sua renúncia à soberania palestina sobre parcelas cada vez maiores do território. Podemos observar isso de maneira particularmente clara no regime de coordenação de segurança com Israel.96 Em última instância, ao exercer violência contra os corpos palestinos que resistem, a AP contribui para ampliar e aprofundar a soberania estatal israelense, em vez de exercer qualquer forma substancial de soberania palestina.

A busca da AP pela soberania estatal não apenas reforça a soberania israelense, como também enfraquece simultaneamente a soberania indígena palestina. De fato, a assinatura dos Acordos de Oslo e a própria criação da AP representaram uma profunda negação da soberania indígena palestina. A formação de uma instituição política aparentemente representativa dos palestinos, mas que contempla apenas aqueles que vivem na Cisjordânia e em Gaza, acaba negando a soberania indígena de todos os palestinos da diáspora e da Palestina de 1948, que, juntos, constituem quase dois terços de todo o povo palestino.97

Os palestinos podem escapar dessa armadilha da soberania por meio da afirmação de uma soberania indígena. Enquanto o exercício da soberania estatal sobre um fragmento da Palestina serviu para ampliar e aprofundar a soberania israelense, os palestinos podem reivindicar novamente sua soberania sobre toda a Palestina por meio do discurso da soberania indígena. Isso contribuiria para unificar a luta palestina, algo que a Intifada da Unidade colocou em evidência de maneira contundente, como seu próprio nome sugere. A retomada de uma soberania indígena permite desfazer a perigosa ilusão de que os palestinos exercem alguma forma significativa de soberania estatal. Além disso, a soberania indígena afirma que os palestinos possuíam reivindicações políticas sobre a Palestina anteriores à colonização, reivindicações que jamais foram extintas e que estão fundamentadas no vínculo incorporado entre o povo palestino e sua terra. Isso representa um retorno à centralidade da terra na luta pela libertação palestina. Reafirma que a soberania palestina sobre a Palestina jamais foi cedida — ela permanece viva tanto em nossos corpos soberanos quanto na própria terra.

Reivindicar uma soberania indígena palestina significa iniciar a tarefa de traduzir as formas palestinas de existir, conhecer e resistir para o conceito de soberania, a fim de desenvolver uma concepção especificamente palestina. Trata-se de um trabalho longo e contínuo, que ultrapassa amplamente os limites deste artigo e que, necessariamente, deve ser realizado de maneira coletiva. Ainda existem muitas questões a serem formuladas e paradoxos a serem enfrentados. Até aqui, evitei, em grande medida, discutir questões relacionadas às táticas políticas. Entretanto, é fundamental aprofundar a reflexão sobre quais estratégias jurídicas e políticas se tornam possíveis, quais encontram limitações e quais são inviabilizadas pela afirmação de uma soberania indígena palestina.

As possibilidades abertas pela reivindicação de uma soberania indígena palestina são, sem dúvida, imensas. No mínimo, ela permite aprofundar as solidariedades entre povos indígenas,98 que não são apenas valiosas, mas absolutamente necessárias. Como argumenta Salaita, “O poder colonial precisa ser enfraquecido e disperso por diferentes hemisférios por meio de uma luta recíproca.”99 Isso estabelece um imperativo: todos os povos indígenas “precisam, por necessidade geopolítica, ser libertados conjuntamente, e […] nossa produção acadêmica deve contribuir para esse objetivo, e não se limitar a reproduzir o poder estatal”.100 Para os pesquisadores, portanto, a implicação é que, ao aproximarmos os estudos palestinos dos estudos indígenas, podemos contribuir para liberar o enorme potencial contido nas solidariedades entre esses povos.101 O fundamento dessas solidariedades reside na soberania que incorporamos em nossos próprios corpos em relação às nossas respectivas terras.

O potencial da soberania indígena palestina reside em sua capacidade fundamental de nos conduzir em direção a futuros descoloniais. Ela pode constituir uma base conceitual sólida para um movimento revitalizado de descolonização da Palestina. Em termos políticos, pode expressar o núcleo ardente do pertencimento palestino que, apesar de tudo, permanece vivo tanto nos palestinos de Sheikh Jarrah quanto nos de Nazaré, Rafah ou Ain al-Hilweh. Esse é o núcleo inabalável da existência política palestina, que não pode ser destruído. E é nessa fonte profunda de soberania que encontramos a força para seguir adiante.

Notas

  1. Robert Allen Warrior, “Intellectual Sovereignty and the Struggle for an American Indian Future. Chapter 3 of Tribal Secrets: Vine Deloria, John Joseph Mathews, and the Recovery of American Indian Intellectual Traditions,” Wicazo Sa Review 8, no. 1 (1992): 18, https://doi.org/10.2307/1409359. ↩
  2. Drawing particularly on Aileen Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties: Indigenous Ontology Matters,” in Routledge Handbook of Critical Indigenous Studies, ed. Brendan Hokowhitu et al. (London: Routledge, 2020), 259. ↩
  3. J. Kēhaulani Kauanui, Paradoxes of Hawaiian Sovereignty: Land, Sex, and the Colonial Politics of State Nationalism (Durham, NC: Duke University Press, 2018): 27–28. ↩
  4. Chelsea Watego, “Always Bet on Black (Power),” Meanjin Quarterly, Spring 2021, https://meanjin.com.au/essays/always-bet-on-black-power/. ↩
  5. Edward Said, Culture and Imperialism (New York: Vintage Books, 1993). ↩
  6. Rana Barakat, “Writing/Righting Palestine Studies: Settler Colonialism, Indigenous Sovereignty and Resisting the Ghost(s) of History,” Settler Colonial Studies 8, no. 3 (2018): 349–63, https://doi.org/10.1080/2201473X.2017.1300048. ↩
  7. Noura Erakat, “Noura Erakat, Justice for Some: Law and the Question of Palestine (New Texts out Now),” Jadaliyya, April 29, 2019, https://www.jadaliyya.com/Details/38592. ↩
  8. Daniel Philpott, “Sovereignty,” The Stanford Encyclopedia of Philosophy, last modified June 22, 2020, https://plato.stanford.edu/archives/fall2020/entries/sovereignty/. ↩
  9. Jean Bodin, On Sovereignty: Four Chapters from the Six Books of the Commonwealth, trans. Julian H. Franklin (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1992). ↩
  10. Thomas Hobbes, Leviathan (Oxford, UK: Clarendon Press, 1651). ↩
  11. Joanne Barker, ed., Sovereignty Matters: Locations of Contestation and Possibility in Indigenous Struggles for Self-Determination (Lincoln: University of Nebraska Press, 2005), 2. ↩
  12. S. James Anaya, Indigenous Peoples in International Law (Oxford, UK: Oxford University Press, 1996), 15–16; Antony Anghie, “Western Discourses of Sovereignty,” in Sovereignty: Frontiers of Possibility, ed. Julie Evans et al. (Honolulu: University of Hawai’i Press, 2012), 19–36; Margaret Mutu, “Mana Māori Motuhake: Māori Concepts and Practices of Sovereignty,” in Routledge Handbook of Critical Indigenous Studies, ed. Brendan Hokowhitu et al. (London: Routledge, 2020), 273. ↩
  13. Yarimar Bonilla, “Unsettling Sovereignty,” Cultural Anthropology 32, no. 3 (2017): 332, https://doi.org/10.14506/ca32.3.02. ↩
  14. Judith Butler, Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence (London: Verso, 2006), 82. ↩
  15. Thomas Blom Hansen and Finn Stepputat, eds., Sovereign Bodies: Citizens, Migrants, and States in the Postcolonial World (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2005): 2–11; Thomas Blom Hansen and Finn Stepputat, “Sovereignty Revisited,” Annual Review of Anthropology 35 (2006): 295–315, https://doi.org/10.1146/annurev.anthro.35.081705.123317. ↩
  16. Max Weber, Max Weber’s Complete Writings on Academic and Political Vocations, trans. Gordon C. Wells (New York: Algora Publishing, 2008), 156 (emphasis in original). ↩
  17. Mark Rifkin, “Indigenizing Agamben: Rethinking Sovereignty in Light of the ‘Peculiar’ Status of Native Peoples,” Cultural Critique 73 (Fall 2009): 91, http://www.jstor.org/stable/25619838. ↩
  18. Hansen and Stepputat, Sovereign Bodies, 3. ↩
  19. Watego, “Always Bet on Black (Power).” ↩
  20. Patrick Wolfe, “Settler Colonialism and the Elimination of the Native,” Journal of Genocide Research 8, no. 4 (2006): 387–409, https://doi.org/10.1080/14623520601056240. ↩
  21. Aileen Moreton-Robinson, The White Possessive: Property, Power, and Indigenous Sovereignty (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2015). ↩
  22. Rifkin, “Indigenizing Agamben,” 114; Audra Simpson, Mohawk Interruptus: Political Life across the Borders of Settler States (Durham, NC: Duke University Press, 2014), 129. ↩
  23. Circe Sturm, “Reflections on the Anthropology of Sovereignty and Settler Colonialism: Lessons from Native North America,” Cultural Anthropology 32, no. 3 (2017): 346, https://doi.org/10.14506/ca32.3.03. ↩
  24. Barker, Sovereignty Matters, 19. ↩
  25. Irene Watson, “The Future Is Our Past: We Once Were Sovereign and We Still Are,” Indigenous Law Bulletin 8, no. 3 (2012): 14, https://ssrn.com/abstract=2476795. ↩
  26. Barker, Sovereignty Matters, 18. ↩
  27. Barker, Sovereignty Matters, 1. ↩
  28. Robert Warrior, “Organizing Native American and Indigenous Studies,” PMLA 123, no. 5 (2008): 1686, https://doi.org/10.1632/pmla.2008.123.5.1683. ↩
  29. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 258. ↩
  30. Warrior, “Organizing Native American and Indigenous Studies,” 1684. ↩
  31. Isabel Altamirano-Jiménez, “Communality as Everyday Indigenous Sovereignty in Oaxaca, Mexico,” in Routledge Handbook of Critical Indigenous Studies, ed. Brendan Hokowhitu et al. (London: Routledge, 2020), 337. ↩
  32. Barker, Sovereignty Matters, 19. ↩
  33. Taiaiake Alfred, Peace, Power, Righteousness: An Indigenous Manifesto (Oxford, UK: Oxford University Press, 1999); Taiaiake Alfred, “Sovereignty,” in Sovereignty Matters: Locations of Contestation and Possibility in Indigenous Struggles for Self-Determination, ed. Joanne Barker (Lincoln: University of Nebraska Press, 2005), 33–50. ↩
  34. Alfred, “Sovereignty,” 43–45. ↩
  35. Alfred, “Sovereignty,” 46–47. ↩
  36. Kauanui, Paradoxes of Hawaiian Sovereignty, 29. ↩
  37. Barker, Sovereignty Matters, 26; see also Audra Simpson, “The Sovereignty of Critique,” The South Atlantic Quarterly 119, no. 4 (2020): 687, https://doi.org/10.1215/00382876-8663591. ↩
  38. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 258. ↩
  39. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 259. ↩
  40. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 267. ↩
  41. Simpson, “The Sovereignty of Critique,” 689. ↩
  42. Aileen Moreton-Robinson, ed., Sovereign Subjects: Indigenous Sovereignty Matters (Crows Nest, Australia: Allen & Unwin, 2007), 2. ↩
  43. In this regard, I owe the most to Professor Watego, who has not only taught me intellectually about embodied sovereignty, but powerfully demonstrates this embodiment by persistently living it. See Watego, “Always Bet on Black (Power)”; Chelsea Watego, Another Day in the Colony (Brisbane, Australia: University of Queensland Press, 2021). ↩
  44. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 259. ↩
  45. Kauanui, Paradoxes of Hawaiian Sovereignty, 27; Altamirano-Jiménez, “Communality as Everyday Indigenous Sovereignty in Oaxaca, Mexico,” 337. ↩
  46. Fayez Sayegh, “Zionist Colonialism in Palestine (1965),” Settler Colonial Studies 2, no. 1 (2012): 206–25, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648833; Ibrahim Abu-Lughod and Baha Abu-Laban, Settler Regimes in Africa and the Arab World: The Illusion of Endurance (Wilmette, IL: Medina University Press International, 1974); Jamil Hilal, “Imperialism and Settler-Colonialism in West Asia: Israel and the Arab Palestinian Struggle,” Utafiti 1, no. 1 (1976): 51–70, https://n2t.net/ark:/85335/m5k64c81d. ↩
  47. Omar Jabary Salamanca et al., “Past Is Present: Settler Colonialism in Palestine,” Settler Colonial Studies 2, no. 1 (2012): 1–8, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648823; Lorenzo Veracini, “What Can Settler Colonial Studies Offer to an Interpretation of the Conflict in Israel-Palestine?” Settler Colonial Studies 5, no. 3 (2015): 268–71, https://doi.org/10.1080/2201473X.2015.1036391; Francesco Amoruso, Ilan Pappé, and Sophie Richter-Devroe, “Introduction: Knowledge, Power, and the ‘Settler Colonial Turn’ in Palestine Studies,” Interventions 21, no. 4 (2019): 451–63, https://doi.org/10.1080/1369801X.2019.1581642. ↩
  48. Barakat, “Writing/Righting Palestine Studies,” 349–63. ↩
  49. Lana Tatour, “The Culturalisation of Indigeneity: The Palestinian-Bedouin of the Naqab and Indigenous Rights,” The International Journal of Human Rights 23, no. 10 (2019): 1569–93, https://doi.org/10.1080/13642987.2019.1609454. ↩
  50. Tatour, “The Culturalisation of Indigeneity,” 1579–80. ↩
  51. Amal Jamal, Arab Minority Nationalism in Israel: The Politics of Indigeneity (London: Routledge, 2011); Nadim N. Rouhana, “Homeland Nationalism and Guarding Dignity in a Settler Colonial Context: The Palestinian Citizens of Israel Reclaim Their Homeland,” Borderlands E-Journal 14, no. 1 (2015); Ilan Pappé, “Indigeneity as Cultural Resistance: Notes on the Palestinian Struggle within Twenty-First-Century Israel,” The South Atlantic Quarterly 117, no. 1 (2018): 157–78, https://doi.org/10.1215/00382876-4282082. ↩
  52. Ahmad Amara, Ismael Abu-Saad, and Oren Yiftachel, eds., Indigenous (In)Justice: Human Rights Law and Bedouin Arabs in the Naqab/Negev (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2013); Mansour Nasasra, “The Ongoing Judaisation of the Naqab and the Struggle for Recognising the Indigenous Rights of the Arab Bedouin People,” Settler Colonial Studies 2, no. 1 (2012): 81–107, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648827. ↩
  53. Tatour, “The Culturalisation of Indigeneity,” 1570. ↩
  54. Tatour, “The Culturalisation of Indigeneity,” 1578. ↩
  55. Magid Shihade, “Settler Colonialism and Conflict: The Israeli State and Its Palestinian Subjects,” Settler Colonial Studies 2, no. 1 (2012): 110–11, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648828. ↩
  56. Ahmad Amara and Yara Harawi, “Using Indigeneity in the Struggle for Palestinian Liberation,” Al-Shabaka, August 8, 2019, https://al-shabaka.org/commentaries/using-indigeneity-in-the-struggle-for-palestinian-liberation/. ↩
  57. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 259. ↩
  58. Gilles Deleuze, Elias Sanbar, and Timothy S. Murphy, “The Indians of Palestine,” Discourse 20, no. 3 (Fall 1998): 26, https://www.jstor.org/stable/41389493. ↩
  59. Mahmoud Darwish, Journal of an Ordinary Grief, trans. Ibrahim Muhawi (Brooklyn, NY: Archipelago Books, 2010), 41. ↩
  60. Dakn and Muqata‘a, “Fi mi‘ad,” YouTube video, May 26, 2021, https://www.youtube.com/watch?v=8eCfATqH9EY. ↩
  61. Juman Abu Arafeh, “How Israel’s Archaeological Excavations Work to Rewrite History in Jerusalem,” Middle East Eye, July 27, 2020, https://www.middleeasteye.net/news/jerusalem-israeli-tunnels-archaeology-history-palestinians-silwan. ↩
  62. Lana Tatour, “Citizenship as Domination: Settler Colonialism and the Making of Palestinian Citizenship in Israel,” Arab Studies Journal 27, no. 2 (2019): 28–29, http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3533490. ↩
  63. Pamela D. Palmater, Beyond Blood: Rethinking Indigenous Identity (Saskatoon, Canada: Purich Publishing, 2011). ↩
  64. Irene Watson, “Settled and Unsettled Spaces: Are We Free to Roam,” in Sovereign Subjects: Indigenous Sovereignty Matters, ed. Aileen Moreton-Robinson (London: Routledge, 2007), 18; Kauanui, Paradoxes of Hawaiian Sovereignty, 51–52. ↩
  65. Steven Salaita, The Holy Land in Transit: Colonialism and the Quest for Canaan (Syracuse, NY: Syracuse University Press, 2006); Nur Masalha, The Bible and Zionism: Invented Traditions, Archaeology and Post-Colonialism in Palestine-Israel (London: Zed Books, 2007). ↩
  66. Scott MacLeod and Yasser Arafat, “An Interview with Yasser Arafat,” New York Review of Books, June 11, 1987, https://www.nybooks.com/articles/1987/06/11/an-interview-with-yasser-arafat/. ↩
  67. Nick Estes, Our History Is the Future: Standing Rock Versus the Dakota Access Pipeline, and the Long Tradition of Indigenous Resistance (London: Verso, 2019), 237. ↩
  68. Alissa Macoun and Elizabeth Strakosch, “The Ethical Demands of Settler Colonial Theory,” Settler Colonial Studies 3, no. 3–4 (2013): 435, https://doi.org/10.1080/2201473X.2013.810695. ↩
  69. Steven Salaita, Inter/Nationalism: Decolonizing Native America and Palestine (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2016), 3. ↩
  70. Steven Salaita, “The Ethics of Intercultural Approaches to Indigenous Studies: Conjoining Natives and Palestinians in Context,” International Journal of Critical Indigenous Studies 1, no. 1 (2008): 11, https://doi.org/10.5204/ijcis.v1i1.18. ↩
  71. Lila Abu-Lughod, “Imagining Palestine’s Alter-Natives: Settler Colonialism and Museum Politics,” Critical Inquiry 47, no. 1 (Autumn 2020): 27, https://doi.org/10.1086/710906. ↩
  72. Steven Salaita, “Sheikh Jarrah: Zionism Distilled to Its Purest Expression,” Mondoweiss, May 12, 2021, https://mondoweiss.net/2021/05/sheikh-jarrah-zionism-distilled-to-its-purest-expression/. ↩
  73. Ala Alazzeh, “Locating Nonviolence: The People, the Past, and Resistance in Palestinian Political Activism,” (PhD diss., Rice University, 2014): 95. ↩
  74. Alazzeh, “Locating Nonviolence,” 95. ↩
  75. Lena Meari, “Sumud: A Palestinian Philosophy of Confrontation in Colonial Prisons,” South Atlantic Quarterly 113, no. 3 (Summer 2014): 547–78, https://doi.org/10.1215/00382876-2692182. ↩
  76. Meari, “Sumud,” 547. ↩
  77. Sarah Ihmoud, “Murabata: The Politics of Staying in Place,” Feminist Studies 45, no. 2–3 (2019): 513, https://doi.org/10.1353/fem.2019.0019. ↩
  78. Ihmoud, “Murabata,” 539. ↩
  79. Pappé, “Indigeneity as Cultural Resistance,” 176. ↩
  80. Tatour, “The Culturalisation of Indigeneity,” 1587. ↩
  81. Simpson, Mohawk Interruptus, 11. ↩
  82. Simpson, Mohawk Interruptus, 2. ↩
  83. Kauanui, Paradoxes of Hawaiian Sovereignty, 36 (emphasis in original). ↩
  84. Amahl Bishara, “Sovereignty and Popular Sovereignty for Palestinians and beyond,” Cultural Anthropology 32, no. 3 (2017): 349–50, https://doi.org/10.14506/ca32.3.04. ↩
  85. Noura Erakat, Justice for Some: Law and the Question of Palestine (Stanford, CA: Stanford University Press, 2019), 39. ↩
  86. Erakat, Justice for Some, 29. ↩
  87. Erakat, Justice for Some, 46. ↩
  88. Erakat, Justice for Some, 80. ↩
  89. Saleh Abdel Jawad, “Zionist Massacres: The Creation of the Palestinian Refugee Problem in the 1948 War,” in Israel and the Palestinian Refugees, ed. Eyal Benvenisti et al (Berlin: Springer, 2007), 59–127; Susan Slyomovics, “The Rape of Qula, a Destroyed Palestinian Village,” in Nakba: Palestine, 1948, and the Claims of Memory, ed. Ahmad H. Sa’di and Lila Abu-Lughod (New York: Columbia University Press, 2007), 27–52; Nur Masalha, The Palestine Nakba: Decolonising History, Narrating the Subaltern, Reclaiming Memory (London: Zed Books, 2012). ↩
  90. Ahmad Sa’di, “Afterword: Reflections on Representation, History and Moral Accountability,” in Nakba: Palestine, 1948, and the Claims of Memory, ed. Ahmad H. Sa’di and Lila Abu-Lughod (New York: Columbia University Press, 2007), 285–314. ↩
  91. Irene Watson, “In the Northern Territory Intervention, What Is Saved or Rescued and at What Cost?” Cultural Studies Review 15, no. 2 (2009): 45–60, https://doi.org/10.5130/csr.v15i2.2037. ↩
  92. Moreton-Robinson, “Incommensurable Sovereignties,” 267. ↩
  93. Khaled Odetallah, “Eulogy for Basel al-Araj” in Basel al-Araj, I Have Found My Answers: Thus Spoke the Martyr Basel al-Araj [in Arabic] (Jerusalem: Ribal Publications, 2018); Louis Allday (@Louis_Allday), “The above is my rough translation of an extract from a very moving eulogy given by Khaled Oudatallah shortly after the IDF’s murder of his friend and comrade, Basel al-Araj, in 2017,” Twitter, August 28, 2019, 8:07 p.m., https://twitter.com/louis_allday/status/1166396915187093504?lang=en. Also see Hazem Jamjoum, “Liberation, Wonder, and the ‘Magic of the World’: Basel al-Araj’s I Have Found My Answers,” Liberated Texts, April 5, 2021, https://liberatedtexts.com/reviews/liberation-wonder-and-the-magic-of-the-world-basel-al-arajs-i-have-found-my-answers/. ↩
  94. Nadera Shalhoub-Kevorkian and Sarah Ihmoud, “Two Letters from Jerusalem: Haunted by Our Breathing,” Jerusalem Quarterly, no. 59 (Summer 2014): 11, https://www.palestine-studies.org/en/node/165349. ↩
  95. Erakat, “Noura Erakat, Justice for Some: Law and the Question of Palestine.” ↩
  96. Tariq Dana, “The Beginning of the End of Palestinian Security Coordination with Israel?” Jadaliyya, July 4, 2014, https://www.jadaliyya.com/Details/30903; Alaa Tartir, “Criminalizing Resistance: Security Sector Reform and Palestinian Authoritarianism,” in Palestine and Rule of Power: Local Dissent vs. International Governance, ed. Alaa Tartir and Timothy Seidel (New York: Palgrave Macmillan, 2019), 217. ↩
  97. Palestinian Central Bureau of Statistics, “Dr. Awad Presents a Brief on Palestinians at the End of 2021,” news release, December 30, 2021, https://www.pcbs.gov.ps/post.aspx?lang=en&ItemID=4150. ↩
  98. Mike Krebs and Dana M. Olwan, “‘From Jerusalem to the Grand River, Our Struggles Are One’: Challenging Canadian and Israeli Settler Colonialism,” Settler Colonial Studies 2, no. 2 (2012): 138–64, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648846; Waziyatawin, “Malice Enough in their Hearts and Courage Enough in Ours: Reflections on US Indigenous and Palestinian Experiences under Occupation,” Settler Colonial Studies 2, no. 1 (2012): 172–89, https://doi.org/10.1080/2201473X.2012.10648831; Estes, Our History Is the Future, 236–37. ↩
  99. Salaita, Inter/Nationalism, ix. ↩
  100. ,Salaita, Inter/Nationalism, xix. ↩
  101. Salaita, “The Ethics of Intercultural Approaches to Indigenous Studies,” 10; Barakat, “Writing/Righting Palestine Studies,” 359–60. ↩

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