Muitos brasileiros consideram que o genocídio em Gaza pouco tem a ver com as suas vidas, exceto em algum nível identitário por alguns setores evangélicos da população. Ledo engano. No último dia 10 de julho, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), realizou a compra de drones israelenses para “Auxiliar” na segurança pública. Os equipamentos contam com tecnologia militar já usada pelas IDF como captura de movimento e identificação facial. Não custa lembrar, aliás, que a efetividade dessa tecnologia foi “testada e aprovada” em corpos palestinos. Esse, todavia, não é um fato isolado. Não é a primeira vez que tecnologia usada em um contexto colonial foi trazida de volta para o “mundo livre” e usada contra a sua população civil. Hannah Arendt percebeu isso no Nazismo quando as práticas coloniais aplicadas antes aos territórios ultramarinos foram aplicadas nas minorias. Ela chamou isso de “Efeito Bumerangue”. Porém, foi o filósofo e poeta martinicano, Aimé Césaire, que amadureceu o conceito para expressar como as tecnologias de repressão coloniais voltam para seviciar a população civil do chamado “Mundo livre”.
Aimé Fernand David Césaire (1913-2008), poeta, dramaturgo e ensaísta martinicano, figura entre os intelectuais mais influentes do século XX no que concerne à crítica anticolonial e à construção de uma consciência negra pan-africana. Formado na École Normale Supérieure de Paris, onde conviveu com Leopold Sédar Senghor e Léon-Gontran Damas, Césaire foi um dos principais articuladores do movimento da Négritude, conceito que ele próprio cunhou em 1935 para designar a valorização da identidade e cultura negras em contraposição aos valores coloniais europeus. Sua obra intelectual foi de forte influência para Frantz Fanon, além de toda uma geração de autores como Achille Mbembe, destacando-se também na poesia e dramaturgia com obras como “Uma tempestade” e “Uma temporada no Congo”. Sua obra seminal, “Discurso sobre o Colonialismo” (1950), constitui uma das mais contundentes análises sobre os mecanismos de dominação imperial, estabelecendo conexões fundamentais entre as práticas coloniais e o surgimento do fascismo europeu – tese que ele desenvolveu através do conceito de “efeito bumerangue”, segundo o qual as violências exercidas nas colônias inevitavelmente retornam para atormentar as metrópoles.
Aimé Césaire
Tendo essa base, partamos do conceito cunhado por Hannah Arendt em “Origens do Totalitarismo” para a reformulação dentro do pensamento cesariano. Arendt entendia o efeito bumerangue como uma continuação das práticas coloniais aplicadas na África e na Ásia dentro da Alemanha nazista. Para ela, as colônias foram o principal laboratório dos horrores dos campos de concentração – segregação, extermínio em massa como no Congo Belga, e hierarquia racial. Não por acaso, a filósofa alemã frequentemente citava os campos de concentração britânicos estabelecidos durante as Guerras dos Bôeres (1899-1902) na África do Sul, onde milhares de civis africânderes e africanos foram confinados em condições desumanas, como precursores diretos dos mecanismos de controle populacional que seriam posteriormente aplicados na Europa. Ou seja, o nazismo é percebido como parte desse efeito bumerangue do colonialismo, mas voltado contra a Europa e suas minorias – judeus, ciganos, homossexuais etc. Césaire, no entanto, não nega essa visão de Arendt, mas adiciona uma nova camada. Para ele o nazismo não é uma consequência do imperialismo, ele é o imperialismo. O problema e o espanto foram a sua aplicação contra as populações da Europa Ocidental, como foi evidenciado em “Discurso contra o colonialismo”:
“Aonde quero chegar? A esta ideia: que ninguém coloniza inocentemente, que ninguém coloniza impunemente; que uma nação que coloniza, que uma civilização que justifica a colonização — e, portanto, a força — já é uma civilização doente, uma civilização moralmente doente, que irresistivelmente, progredindo de uma consequência para outra, de uma rejeição para outra, clama pelo seu Hitler, quero dizer, pela sua punição. (…) A colonização, repito, desumaniza até o homem mais civilizado; que a atividade colonial, o empreendimento colonial, a conquista colonial, que se baseia no desprezo pelo nativo e se justifica por esse desprezo, tende inevitavelmente a mudar aquele que a empreende; que o colonizador, que para aliviar a consciência adquire o hábito de ver o outro homem como um animal, acostuma-se a tratá-lo como um animal e tende objetivamente a se transformar em animal. É esse resultado, esse efeito bumerangue da colonização que eu queria apontar.” (CÉSAIRE, 1978, p. 17-18).
Opositores políticos dos nazistas, sob custódia das SA, são forçados a apagar slogans anti-Hitler de uma parede logo após a tomada do poder pelos nazistas. Alemanha, março de 1933.
Ou seja, no processo de subjugo das populações coloniais, há também uma certa “morte moral” dos colonizadores. Na medida em que se normaliza a tortura, o racismo, a violência contra outros seres humanos, nada impede que essas violências se voltem contra os povos colonizadores. Aimé Césaire, portanto, zomba dessa dicotomia entre colônia e civilização, ou civilização e barbárie. E o faz porque aquela nasce criando o conceito de selvagem, o selvagem que precisa ser “civilizado”, adequado aos moldes europeus. Ou seja, o conceito de colonialismo cria também o conceito de COLONIALIDADE, que é esse estado de eterna dependência para com a metrópole, seja no nível econômico, cultural e social. Há um movimento duplo: ao mesmo tempo que se cria um pensamento imperialista, se cria também um pensamento colonizado – o nosso famoso “Complexo de vira-lata”. É o que diz Eduardo Galeano:
“As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.” (GALEANO, 1986, p. 2)
O destrinchar desse conceito não é vago, ou meramente metafísico. Pelo contrário, é ele que vai nortear todo o atual conceito de negritude e decolonialidade. Para Césaire, o colonialismo cria uma mentalidade colonizada, e essa mentalidade naturaliza as violências sofridas pelos próprios colonizados. E é nesse aspecto que o pensamento cesariano encontra ecos em um novo conceito: o de Necropolítica.
Analisemos bem. Esse conceito foi criado pelo filósofo camaronês Achille Mbembe a partir da junção de outros dois, o de BIOPODER de Michel Foucault e o de Bumerangue Imperial já apresentado. Vamos por partes. O conceito de Biopoder apresentado por Foucault é, grosso modo, o direito que o Estado tem de “fazer viver e deixar morrer”. Esse controle se dá pelas instituições médicas, de assistência, policiamento. Entretanto, o biopoder não se separa do controle dos aparelhos repressivos – monopólio da violência –, uma vez que o mesmo Estado acaba se atribuindo o direito de matar. Ou seja, a ação efetiva do Estado se sobre as vidas dos seus cidadãos em uma relação desigual, da qual a soberania absoluta se dá pelo direito de matar ou deixar viver. Há, porém, um outro aspecto. A concepção do Estado-nação moderno nasce também sob a égide do racionalismo, isto é, impessoal e institucional de acordo com Max Weber. No entanto, essa impessoalidade – na hora de decidir sobre a vida e a morte dos cidadãos – não pode ser entendida sem o componente RACIAL. E é aqui que Achille Mbembe faz a desconstrução do discurso.
Para ele:
“Mais do que o pensamento de classe (a ideologia que define história como uma luta econômica de classes), a raça foi a sombra sempre presente sobre o pensamento e a prática das políticas do Ocidente, especialmente quando se trata de imaginar a desumanidade de povos estrangeiros – ou dominá-los.” (MBEMBE, 2003, p. 3)
Achille Mbembe nasceu em Otele, Camarões, em 1957.
Ele chega a essa conclusão após analisar as premissas racionalistas e utilitaristas de Hegel e Bataille para chegar ao conceito de soberania e biopoder presentes em Foucault. Ao analisar, entretanto, os pressupostos – o racionalismo que permite uma troca entre homens e mulheres dotados igualmente de discernimento e, portanto, livres – ele percebe que tal condição não se adequa ao colonialismo. De acordo com o professor Silvio de Almeida:
“A expansão econômica mercantilista e a descoberta do novo mundo forjaram a base material a partir da qual a cultura renascentista iria refletir sobre unidade e multiplicidade da existência humana. Se antes desse período ser humano relaciona-se ao pertencimento a uma comunidade política ou religiosa, o contexto da expansão comercial burguesa e da cultura renascentista abriu as portas para a construção do moderno ideário filosófico que mais tarde transformaria o europeu no homem universal (atentar ao gênero aqui é importante) e todos os povos e culturas não condizentes com os sistemas culturais europeus em variações menos evoluídas. (ALMEIDA, 2018, p. 3)”
Ao mesmo tempo, portanto, que na Europa se criava o discurso do Homem Universal, o racionalismo do século XVIII criava a ideia de civilização e com ela a ideia de selvageria. E a mesmíssima ideia levou a iniciativas de civilizar os selvagens – negros, indígenas, asiáticos. Ora, a colonização, como visto anteriormente, não é apenas dispor das terras de seus colonizados, mas também dos corpos deles. A civilização, nascida desse espelho, não foi uma troca cultural, mas sim uma imposição brutal que levou a processos de espoliação, destruição e morte. Aqui, argumenta Mbembe:
“Operando com base em uma divisão entre os vivos e os mortos, tal poder se define em relação a um campo biológico – do qual toma o controle e no qual se inscreve. Esse controle pressupõe a distribuição da espécie humana em grupos, a subdivisão da população em subgrupos e o estabelecimento de uma censura biológica entre uns e outros. Isso é o que Foucault rotula com o termo (aparentemente familiar) “racismo”. (…) Referindo-se tanto a essa presença atemporal como ao caráter espectral do mundo da raça como um todo, Arendt localiza suas raízes na experiência demolidora da alteridade e sugere que a política da raça, em última análise, está relacionada com a política da morte. Com efeito, em termos foucaultianos, racismo é acima de tudo uma tecnologia destinada a permitir o exercício do biopoder, “este velho direito soberano de matar”. Na economia do biopoder, a função do racismo é regular a distribuição da morte e tornar possíveis as funções assassinas do Estado. Segundo Foucault, essa é “a condição para a aceitabilidade do fazer morrer”. (MBEMBE, 2003, p. 4)
E nessa perspectiva o Estado Nazista foi, nos dizeres de Foucault, o cume do biopoder. Retome-se, porém, à diferença teórica entre Aimé Césaire e Hannah Arendt e faça-se o questionamento: como balizar esses dados diante do fenômeno colonial? Se a tragédia do Holocausto levou 10 milhões de almas, só o Congo Belga levou o dobro, isso sem contar a fome provocada nas Filipinas pelos EUA, as guerras do ópio, o massacre dos bôeres na África do Sul, o genocídio indígena. Parafraseando Césaire, o que não se perdoa no nazismo é que ele tratou a Europa como a Europa tratou suas colônias com as escusas de “civilizar”, o “fardo do homem branco”. Afirmar Césaire: “É nazismo, sim, mas que antes de serem suas vítimas, eram seus cúmplices; que toleraram esse nazismo antes que lhes fosse imposto, que o absolveram, fecharam os olhos para ele, legitimaram-no, porque, até então, ele havia sido aplicado apenas a povos não europeus”.
Dresden ao fim da Segunda Guerra Mundial.
A partir daí, Mbembe começa a fazer toda uma série de reflexões ampliando o conceito de Biopolítica para Necropolítica, ou seja, a afirmação da soberania por meio do monopólio no direito de matar. E o faz com os olhos postos, não nos colonizadores, mas nos colonizados. E nesse rol, os escravizados são o resumo de uma não cidadania, um espaço – seus corpos – de repressão total. No entanto, essa reflexão não é um fim em si mesma, mas uma ponte para o caso mais emblemático de necropolítica contemporânea: a ocupação colonial da Palestina.
“De fato, a condição de escravo resulta de uma tripla perda: perda de um “lar”, perda de direitos sobre seu corpo e perda de status político. Essa tripla perda equivale a uma dominação absoluta, uma alienação de nascença e uma morte social (que é expulsão fora da humanidade). Enquanto estrutura político-jurídica, a plantation é sem dúvida um espaço em que o escravo pertence ao senhor. Não é uma comunidade porque, por definição, a comunidade implica o exercício do poder de fala e de pensamento.” (MBEMBE, 2003, p. 10)
Agora faça-se o seguinte exercício: troque-se escravo por Palestino. Em quais aspectos esse tipo de violência/necropolítica não se aplica a eles? Substitua-se plantation por zonas ocupadas, campos de refugiados ou mesmo a faixa de Gaza, conhecida como maior prisão a céu aberto do mundo. É exatamente nesse tópico que Mbembe discute não só a atitude colonial, mas a fabricação de novas formas de matar. As guerras contemporâneas importaram do racionalismo a sua impessoalidade. O Holocausto não foi apenas um assassinato em massa, mas uma linha de produção da morte. O mesmo se aplica às guerras a distância, os drones teleguiados, onde a vítima sequer sabe quem a matou. É mais “eficiente”, não permite resposta ou resistência. Essa impessoalidade na concepção, porém, mira em alvos de carne e osso. Mira em toda uma população e, como exposto, carrega em seu bojo a desumanização e, por conseguinte, o extermínio da mesma. A segurança, nesse aspecto, não é o pleno estado de conforto social e psicológico de uma população, mas um eterno “Nós contra eles”. O lado ameaçado precisa comprar armas melhores para usar nos corpos que ameaçam a ordem social. E o que a assegura: narrativas nacionalistas, argumentos religiosos, passado idealizado etc. E, ao mesmo tempo esse conceito de segurança cria ameaças, ela também cria ameaçados – se retroalimenta – e, logo, uma geografia do apartamento, um verdadeiro Apartheid. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, a faixa de Gaza, os postos de controle, o arranque de oliveiras, o roubo de gado; agora o sitiamento e o ataque para qualquer forma de dignidade humana:
“Viver sob a ocupação tardo-moderna é experimentar uma condição permanente de “estar na dor”: estruturas fortificadas, postos militares e bloqueios de estradas em todo lugar; construções que trazem à tona memórias dolorosas de humilhação, interrogatórios e espancamentos; toques de recolher que aprisionam centenas de milhares de pessoas em suas casas apertadas todas as noites desde o anoitecer ao amanhecer; soldados patrulhando as ruas escuras, assustados pelas próprias sombras; crianças cegadas por balas de borracha; pais humilhados e espancados na frente de suas famílias; soldados urinando nas cercas, atirando nos tanques de água dos telhados só por diversão, repetindo slogans ofensivos, batendo nas portas frágeis de lata para assustar as crianças, confiscando papéis ou despejando lixo no meio de um bairro residencial; guardas de fronteira chutando uma banca de legumes ou fechando fronteiras sem motivo algum; ossos quebrados; tiroteios e fatalidades – um certo tipo de loucura.” (MBEMBE, 2003, p. 25)
Os quadcópteros israelenses são responsáveis por soltar bombas e atirar contra palestinos.
Não é a primeira vez que tecnologia militar israelense mata corpos latino-americanos. Há evidências desse uso desde as ditaduras militares dos anos 70, quando generais argentinos diziam usar manuais israelenses de tortura, justificando que se o inimigo é perigoso, a tortura é válida. Não à toa as ditaduras militares ficaram conhecidas pelos voos da morte e por torturar crianças, prática ainda comum nos territórios ocupados pelas forças de Defesa de Israel, segundo relatórios das Nações Unidas. A recente compra peça prefeitura de Salvador não foi algo gratuito, durante os bombardeios iranianos a Israel, alguns prefeitos brasileiros ficaram presos em Tel Aviv, sendo resgatados pelo governo brasileiro. No fim se descobriu que estava fazendo cursos de segurança e recebendo as informações oficiais do que estava acontecendo em Gaza. Em linguagem informal: lobby. Os mesmos drones que miraram em corpos de homens, mulheres e crianças nos territórios ocupados, agora miram nos considerados perigosos. E no Brasil, onde os efeitos da colonização se fazem sentir até hoje, já podemos imaginar o perfil de suspeitos que teremos.
Referências bibliográficas:
ALMEIDA, Silvio de. Racismo estrutural. São Paulo: Editora Jandaíra, 2021.
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. Nova York: Monthly Review Press, 2000.
GO, Julian. The Racist Origins of U.S. Policing. Foreign Affairs, 16 jul. 2020. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2020-07-16/racist-origins-us-policing.
GRAHAM, Stephen. Foucault’s boomerang: o novo militarismo urbano. OpenDemocracy, 14 fev. 2013. Disponível em: https://www.opendemocracy.net/en/opensecurity/foucaults-boomerang-new-military-urbanism/.
MARQUES, Millena. Entenda como vai funcionar o sistema com drones israelenses em Salvador. Correio 24 Horas, Salvador, 10 jul. 2025. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/salvador/entenda-como-vai-funcionar-o-sistema-com-drones-israelenses-em-salvador-0725.
MBEMBE, Achille. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. São Paulo: N-1 Edições, 2018. (revista.unitins.br)
SANTOS, André Almeida. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Humanidades & Inovação, Palmas, v. 9, n. 7, 20 jul. 2022. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/7372.
WOODMAN, Connor. The Imperial Boomerang: How colonial methods of repression migrate back to the metropolis. Verso Books, 09 jun. 2020. Disponível em: https://www.versobooks.com/en-gb/blogs/news/4383-the-imperial-boomerang-how-colonial-methods-of-repression-migrate-back-to-the-metropolis?srsltid=AfmBOop9IaubFDSylfZV7Atsh3_pO3tS1wQ6f2GtdDK36IQS8tpaaQC_.








