A Indústria da Islamofobia: como você é manipulado para odiar muçulmanos

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Texto de James S. Coates, publicado originalmente no brjimc.com em 14 de março de 2026.

Você não está errado em estar com raiva do Islã. Você só está com raiva das pessoas erradas.

Eu sei que não é isso que você esperava ler. Você clicou porque o título confirmou algo em que você já acreditava — que há algo errado com o Islã, que alguém está armando algo, que você está sendo manipulado. Você está correto nos três pontos. Só está errado sobre quem está manipulando.

Meu nome é James Coates. Sou um americano branco, nascido católico, criado em Illinois. Servi como agente da Equipe Conjunta de Repressão a Drogas para o Escritório de Investigações Especiais da Força Aérea dos Estados Unidos e, mais tarde, como agente disfarçado de contraterrorismo para o FBI. Em 2004, quando descobri que membros de um grupo islâmico no qual eu estava infiltrado planejavam viajar para o Iraque e se juntar à insurgência da Al-Qaeda contra as forças americanas, eu agi. Usei escuta em suas reuniões semanais. Conduzi treinamentos com armas de fogo em seu acampamento jihadista enquanto agentes federais observavam da linha das árvores e snipers mantinham posições nas matas ao redor. Fiz isso por dois anos. Quando tudo terminou, os quatro homens foram condenados. A mídia os chamou de “Talibã de Houston”.

Sou também um autor publicado e especialista no Islã, tendo treinado policiais na Academia de Polícia de Houston sobre o extremismo islâmico na América. Passei décadas estudando sua teologia, suas tradições legais, suas rupturas internas e a forma como é explorado por pessoas de todos os lados. Tenho escrito publicamente sobre o tribalismo nas comunidades muçulmanas, as hierarquias étnicas, a covardia organizacional que se recusa a confrontar o radicalismo quando este surge em suas próprias fileiras. Nomeei esses problemas e paguei o preço por nomeá-los. Se você quer alguém que lhe diga que está tudo bem, está lendo o artigo errado.

Mas não escrevi isso para lhe dizer o que há de errado com os muçulmanos. Escrevi porque a sua raiva — que é real e, em muitos casos, justificada — está sendo explorada por pessoas que você ainda não identificou, para propósitos que nada têm a ver com a sua segurança ou com o seu país. Alguém está lucrando, e essas pessoas precisam que você nunca descubra quem são.

Permita-me mostrar.

A Indústria

Existe uma indústria multibilionária nos Estados Unidos cujo produto é a sua raiva em relação aos muçulmanos. Ela possui estrutura organizacional, modelo de receita, redes de doadores, infraestrutura legislativa e um histórico muito bem documentado. Não é uma teoria da conspiração. É um fato. O rastro financeiro é de registro público para quem quiser ver.

Instituições de caridade americanas tradicionais já foram pegas canalizando, sem saber, milhões de dólares para grupos de militância anti-islâmica através de um mecanismo financeiro chamado fundos aconselhados por doadores (donor-advised funds), que permitem a doadores ricos contribuir anonimamente através de instituições respeitáveis. O dinheiro flui de nomes que você reconheceria — fundações de caridade amplamente conhecidas — para organizações para as quais você nunca viu, administradas por pessoas que fizeram carreira em cima da sua preocupação. As únicas pessoas que não lhe contaram sobre isso são aquelas que estão descontando os cheques.

Apenas entre 2014 e 2016, auditores identificaram 1.096 organizações de caridade canalizando dinheiro para 39 grupos anti-islâmicos, com uma capacidade de receita combinada de pelo menos US$1,5 bilhão. Desde 2010, mais de 230 projetos de lei anti-islâmicas, de banimento de muçulmanos e anti-sharia foram introduzidos ou sancionados em legislativos estaduais por todo o país. Isso não é uma preocupação popular. É uma indústria.

O ecossistema tem papéis claramente definidos. O ACT for America — a maior organização anti-Islã do país, com filiais em todos os estados e canal direto com legisladores — fornece a “força bruta” nas bases. O Center for Security Policy serve como a central de pensamento (think tank), produzindo relatórios sobre a Sharia. O David Horowitz Freedom Center atua como uma fábrica de conteúdo, publicando a FrontPage Magazine e financiando o blog Jihad Watch de Robert Spencer. Spencer foi proibido de entrar no Reino Unido por causa de suas ideias. Em minhas décadas de estudo sobre o Islã, posso dizer que grande parte do que ele publica não sobreviveria a cinco minutos de escrutínio de qualquer um que já tenha feito trabalho de campo. Mas a precisão nunca foi o objetivo. O objetivo sempre foi a indignação.

O financiamento flui por canais projetados para garantir o anonimato. Fundações de caridade tradicionais — organizações comerciais, comunitárias e religiosas — têm sido exploradas como veículos para canalizar doações anônimas de doadores ricos para essa rede. Um doador contribui para uma instituição crível por meio de um fundo, e esse dinheiro é silenciosamente desviado para organizações cujo modelo de negócios depende inteiramente de manter a máquina de indignação em funcionamento.

E então há a infraestrutura política. Em 18 de dezembro de 2025, os deputados Chip Roy e Keith Self lançaram a Bancada para uma América Livre da Sharia (Sharia Free America Caucus). Agora ela afirma ter 47 membros de 22 estados, incluindo o Whip (Líder) da Maioria na Câmara. A bancada já introduziu sete projetos de lei. A Lei de Preservação de uma América Livre da Sharia tornaria a defesa da Sharia motivo de deportação. Outro projeto daria ao Congresso o poder de designar organizações como grupos terroristas por meio de legislação — não por meio dos tribunais, não por evidências, mas por meio de voto.

Se isso não o preocupa, deveria. O Patriot Act [lei antiterrorismo pós 11/09] foi vendido como uma ferramenta para combater a Al-Qaeda. E acabou sendo usada para vigiar cidadãos americanos. A TSA foi vendida como segurança aeroportuária. E se tornou uma burocracia permanente que nunca capturou um único terrorista. Cada expansão do poder do governo é vendida com o alvo com o qual você concorda, mas acaba usada contra o alvo que você não previu. Isso não é discurso de esquerda. Isso é a história americana. Políticos se alimentam de nossas preocupações, fomentando o medo. Organizações lucram com a nossa preocupação. E descobrimos que as liberdades de que desfrutamos se tornam cada vez menores com o tempo.

Eis o que nenhum desses 47 membros da bancada lhe dirá: cada um desses sete projetos de lei é uma máquina de arrecadação de fundos. Cada comunicado à imprensa gera e-mails de doadores. Cada aparição na mídia impulsiona contribuições de campanha. Eles não estão resolvendo um problema. Eles estão arrecadando fundos a partir dele. E a última coisa que qualquer um deles quer é que o problema seja efetivamente resolvido — porque no momento em que for, as doações param.

Você talvez já esteja familiarizado com o que os membros dessa bancada dizem quando acham que você está do lado deles.

O Deputado Andy Ogles do Tennessee — cujo distrito inclui mais de 40.000 muçulmanos americanos — postou no X: “Muçulmanos não pertencem à sociedade americana. O pluralismo é uma mentira.” Essa postagem recebeu 2,6 milhões de visualizações. No dia seguinte ele escreveu: “Papéis não tornam você magicamente americano. Muçulmanos são incapazes de se assimilar; todos eles têm que voltar.” Quando questionado, sua resposta foi: “Meus comentários nem seriam notícia se eu tivesse dito isso sobre cristãos. Chorem mais. Cristo é Rei.”

O Deputado Randy Fine da Flórida postou: “Se eles nos forçarem a escolher, a escolha entre cachorros e muçulmanos não é difícil.” Essa postagem recebeu 45,6 milhões de visualizações. Quarenta e cinco milhões. Quando questionado sobre os comentários de Ogles, o Presidente da Câmara, Mike Johnson, recusou-se a condená-los, dizendo que há “um forte sentimento popular de que a exigência de impor a Sharia na América é um problema sério” — validando a mentira enquanto fingia distanciar-se da sua linguagem.

Mike Davis, presidente do Projeto Artigo III e ex-Conselheiro Chefe de Nomeações do Comitê Judiciário do Senado — um homem com 475.000 seguidores e acesso direto ao poder — postou uma linha do tempo do que ele imagina ser a noite de um muçulmano: “18h: rezar para o seu deus pedófilo. 19h: comer no chão como cães. 20h: curtir posts de mulheres judias e seus bebês sendo estuprados e massacrados. 21h: construir bombas sujas. 22h: rezar para o seu deus pedófilo.”

O comentarista conservador Benny Johnson, com mais de 2,5 milhões de seguidores, postou: “Uma bandeira muçulmana foi hasteada na Prefeitura de Newark enquanto as pessoas entoavam ‘Allahu Akbar.’ Mamdani sentou no chão e comeu com as mãos na Prefeitura de Nova York. Isso não é assimilação. Isso é uma tomada de poder.” Esse post recebeu 215.000 visualizações. Eis o que Johnson omitiu: o hasteamento da bandeira em Newark fez parte do Mês Oficial da Herança Muçulmana de Nova Jersey, promulgado através de lei estadual bipartidária em 2022. A bandeira dos EUA voou ao lado dela, como exigido por lei. “Allahu Akbar” se traduz como “Deus é grande”. Sentar-se no chão para comer é uma tradição cultural mais antiga que os Estados Unidos. Johnson removeu o contexto, fabricou uma ameaça e um quarto de milhão de pessoas absorveu isso sem verificar um único fato. Isso não é jornalismo. É um modelo de negócios.

A popular conta Libs of TikTok descreveu um homem realizando o gesto do tawhid — um dedo indicador levantado significando monoteísmo, usado em todas as orações diárias por todos os muçulmanos na face da terra — como “um muçulmano fazendo o símbolo do Estado Islâmico.” Essa postagem recebeu 426.000 visualizações. Grandes veículos internacionais de notícias tiveram que emitir correções formais e pedidos de desculpas por fazerem a mesma falsa alegação. O gesto precede o ISIS em catorze séculos. Mas 426.000 pessoas agora associam um gesto de oração ao terrorismo, porque uma conta com milhões de seguidores disse a elas que sim.

A comentarista política Stacy Ruth declarou: “O budismo é uma religião. O hinduísmo é uma religião. O judaísmo é uma religião. O cristianismo é uma religião. O islamismo é uma ideologia política mascarada de religião.” A Deputada Mary Miller disse estar “orgulhosa de permanecer firmemente contra esta ideologia radical que busca erradicar os princípios constitucionais e valores cristãos nos quais nossa nação foi fundada.”

Estes não são parlamentares de baixo clero. São vozes poderosas com audiências na casa das dezenas de milhões. Mas pergunte a si mesmo — o que algum deles realmente fez sobre o problema que não param de dizer que existe? Algum desses sete projetos de lei foi aprovado? Alguma dessas postagens tornou sua comunidade mais segura? Ou será que apenas aumentaram a contagem de seguidores de alguém e engordaram o fundo de campanha? A questão não é se eles acreditam no que estão dizendo. A questão é quem mais se beneficia quando eles dizem isso.

Você achava que estava formando sua própria opinião. Você estava consumindo um produto. E o produto é a nossa raiva.

A Mão Estrangeira

Antes de continuar, preciso fazer uma distinção que as pessoas que lucram com isso deliberadamente confundem, porque manter a confusão os protege do escrutínio.

Algumas das comunidades judaicas mais devotas do mundo — grupos como os Neturei Karta, os Hasidim de Satmar, a True Torah Jews — se opuseram ao sionismo por motivos religiosos desde que a ideologia foi fundada na década de 1890. Argumentam que o sionismo sequestrou a identidade judaica em prol de um projeto político que não tinha base na teologia judaica antes do século dezenove. Por isso, são chamados de judeus que odeiam a si mesmos (self-hating Jews). É lhes dito que não são judeus de verdade. São marginalizados, difamados e excluídos — pelo mesmo aparato que afirma falar por todos os judeus em toda parte. Pergunte a si mesmo o porquê. Essas comunidades não arrecadam dinheiro para Israel. Eles não fazem lobby no Congresso. Eles não se encaixam no modelo. E quando os judeus que mais seguem sua religião do planeta lhe dizem que o governo de Israel não os representa nem a sua fé, e são atacados por dizer isso, isso deve lhe dizer tudo sobre a operação que estou prestes a descrever. O que se segue é sobre a fonte de dinheiro do governo israelense, seu aparato de lobby e para onde o nosso dinheiro está indo.

O governo israelense gasta enormes quantias para moldar a forma como pensamos sobre os muçulmanos. Em 2025, o Ministério das Relações Exteriores de Israel assinou um contrato de US 6 milhões com a empresa americana Clock Tower X LLC para produzir conteúdo digital e influenciar como os sistemas de inteligência artificial — incluindo ferramentas como o ChatGPT — respondem a tópicos envolvendo Israel. O orçamento de 2025 alocou um adicional de US 150 milhões ao Ministério das Relações Exteriores para operações de influência — um aumento de vinte vezes em relação a anos anteriores. Esses fundos têm como alvo campi universitários americanos, plataformas de mídia social e a mídia internacional.

E então temos o TikTok. Em setembro de 2025, Netanyahu sentou com um grupo de influenciadores americanos no Consulado Geral de Israel em Nova York — e a reunião foi gravada. Suas palavras não foram ambíguas. Ele chamou as redes sociais de “a arma mais importante para garantir nossa base nos EUA”. Ele identificou a venda do TikTok como “a compra mais importante em andamento neste momento. Número um. Número um.” Em seguida, ele disse sobre Elon Musk e o X (antigo Twitter): “Temos que conversar com Elon. Ele não é um inimigo, é um amigo. Se conseguirmos essas duas coisas, conseguiremos muita coisa.”

Dias depois, o acordo do TikTok foi concluído. As operações nos EUA foram transferidas para um consórcio liderado pela Oracle, cujo cofundador Larry Ellison é um aliado de longa data de Netanyahu e um dos principais doadores para as Forças Armadas israelenses. Ellison já recebeu Netanyahu em sua ilha privada. O consórcio inclui Rupert Murdoch e Michael Dell — Dell postou uma foto com o presidente de Israel com a legenda “É uma honra estar ao lado de Israel” e é um grande doador da associação Amigos das Forças de Defesa de Israel (Friends of the Israel Defense Forces).

Um chefe de estado estrangeiro apareceu em frente às câmeras, chamou nossas plataformas de mídia social de armas, comemorou a compra destas por seus aliados, e disse a uma sala cheia de influenciadores que o controle dessas plataformas permitiria a Israel “conseguir muita coisa”. Novamente, isso não é teoria da conspiração. Isso é uma Operação Psicológica (PsyOp) de um governo estrangeiro agindo em nossas mentes.

A lógica estratégica é simples. Nossa preocupação com o Islã serve à política externa de Israel ao reenquadrar o conflito como uma questão civilizacional — o Ocidente contra o Islã — em vez do que realmente é: um conflito político sobre ocupação, espoliação de terras e os direitos dos árabes palestinos. Quanto mais focados estivermos no Islã como uma ameaça interna, nos preocupando com o que nosso vizinho está tramando, menos probabilidade teremos de questionar o que está sendo feito com o dinheiro dos nossos impostos no exterior.

E é o nosso dinheiro. Os Estados Unidos forneceram a Israel mais de 317 bilhões de dólares em ajuda financiada pelo contribuinte americano desde 1951, ajustados pela inflação, tornando o país o maior recipiente de ajuda externa americana desde a Segunda Guerra Mundial. Apenas nos dois anos desde outubro de 2023, os EUA gastaram US 21,7 bilhões de dólares em ajuda militar direta a Israel, com um adicional de 9 a 12 bilhões de dólares em operações militares relacionadas na região. O Ministério da Defesa de Israel confirmou que, desde outubro de 2023, os Estados Unidos entregaram noventa mil toneladas de armas e equipamentos em oitocentos aviões de transporte e cento e quarenta navios.

Israel recebe sua ajuda anual nos primeiros trinta dias do ano fiscal — nenhum outro país tem esse tratamento. Ao contrário de qualquer outro, Israel não é obrigado a prestar contas de como gasta a ajuda dos EUA, o que inclui assentamentos que violam a política oficial dos EUA. Enquanto isso, Israel mantém saúde pública universal e educação gratuita para os seus cidadãos. Estamos subsidiando a rede de segurança social de outro país enquanto a nossa própria desmorona, e as pessoas que nos dizem para ficarmos com raiva dos muçulmanos garantem que nunca conectemos esses pontos.

Pergunte a si mesmo por que a conversa é sempre direcionada para o Islã e nunca para o cheque que o nosso governo assina todo ano. Alguém não quer que conectemos esses pontos.

A mesma infraestrutura se estende à tecnologia — e é aqui que o problema chega às nossas casas. As empresas de tecnologia que lucram bilhões em contratos de defesa com Israel, pagos pelos dólares dos nossos impostos, são as mesmas que estão construindo os sistemas de vigilância implementados em solo americano. O Projeto Nimbus do Google, no valor de US$ 1,2 bilhão, fornece serviços de nuvem e inteligência artificial aos militares israelenses. O Azure da Microsoft impulsiona as operações do governo de Israel. O Amazon Web Services possibilita a coleta de inteligência no exterior. Estas são as mesmas empresas que fornecem reconhecimento facial a departamentos de polícia americanos, algoritmos de policiamento preditivo a cidades americanas e infraestrutura de nuvem a agências de inteligência americanas. A tecnologia é testada em outra população, a IA projetada para guerra, e depois são implementadas sobre nós. Se você acha que as ferramentas de IA que estão sendo construídas para operações militares estrangeiras não acabarão, eventualmente, sendo apontadas para os cidadãos americanos, você não tem prestado atenção a como essas coisas funcionam. Isso já está chegando até nós enquanto estamos distraídos pelos truques e manobras dos nossos políticos.

O dinheiro de nossos impostos financia as bombas. Nossa raiva fornece a cobertura política. E as pessoas nos dizendo para ficarmos bravos com os muçulmanos são as mesmas garantindo que nunca perguntemos o porquê. O caminho para a verdade repousa sempre ao final do rastro de dinheiro.

A Inteligência (Os Fatos)

Agora vamos analisar algumas das alegações que todos nós já ouvimos serem repetidas. Algumas delas não se sustentam quando você verifica a fonte.

A Sharia é uma das palavras mais mal compreendidas neste debate. Não existe um livro único de Sharia — você não pode entrar em uma livraria e comprar um, do jeito que se pode comprar uma Bíblia ou um Alcorão. Existem livros sobre a Sharia, e existem livros de direito em países de maioria muçulmana que refletem as normas culturais locais — às vezes com um sabor islâmico. Mas isso não é diferente das nações ocidentais cujas leis carregam uma influência cristã sem se basearem na Bíblia, ou Israel, onde a identidade judaica molda o estado, mas nem toda lei da Torá é praticada. A Sharia não é um código legal esperando para ser imposto. É uma tradição de pensamento que diferentes países aplicam de forma diferente — ou não aplicam de forma alguma. A Sharia é uma ciência de interpretação praticada através de cinco grandes escolas de pensamento, cada uma alcançando conclusões diferentes sobre questões que vão desde a postura da oração até o direito comercial. Mais de noventa por cento da Sharia nada tem a ver com direito penal. Ela abrange oração, jejum, caridade, higiene pessoal, herança e ética nos negócios. Quando os políticos banirem a Sharia, eles não estarão banindo um livro — eles estarão banindo uma forma de pensar. E uma vez que o governo consiga banir uma forma de pensar, a sua será a próxima.

Tribunais da Sharia nos países ocidentais — incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido — operam de maneira idêntica aos tribunais da Halakha judaica, conhecidos como Beth Din. Ambos tratam de questões civis através de adesão voluntária (opt-in): divórcios, heranças, disputas de contratos. Nenhum dos dois impõe leis religiosas a não-adeptos. Nenhum deles possui jurisdição sobre matérias criminais. O sistema do Beth Din operou na América durante décadas sem um único projeto de lei para “Banir o Beth Din”. Os quarenta e sete membros da Bancada América Livre da Sharia não conseguiram definir o que eles estão tentando banir — e nunca propuseram banir o equivalente judaico. A inconsistência lhe diz tudo sobre quem está no controle desse jogo.

De fato, o próprio Estado de Israel — o país que nossos impostos subsidiam ao custo de US$ 317 bilhões para se expandir e operar campanhas de influência contra nós — opera tribunais da Sharia para seus cidadãos muçulmanos, lidando com questões de casamento, divórcio e herança. Os políticos que votam para enviar esse dinheiro para um país com tribunais da Sharia são os mesmos dizendo a você que a Sharia nos EUA é uma ameaça existencial. Reflita sobre isso.

A alegação de que Muhammad era um pedófilo é um boato frequentemente refutado, o qual Mike Davis recentemente compartilhou com 475.000 seguidores. Ele é construído sobre um único hadith — uma tradição oral gravada, escrita de dois a três séculos depois dos eventos que descreve. O que ninguém que compartilha essa alegação lhe diz é que a literatura do hadith contém múltiplos relatos contraditórios, e o peso da evidência — extraído de registros cronológicos independentes, fontes biográficas e diários de participação em campos de batalha, os quais proibiam a participação de qualquer pessoa com menos de quinze anos de idade nas expedições militares — coloca Aisha no fim da adolescência ou no início dos seus vinte anos no momento do casamento. O único relato que alega que ela tinha nove anos requer a ignorância de todos os outros dados. Nenhum contemporâneo do Profeta — nem mesmo os seus inimigos mais duros, que o acusaram de tudo, desde insanidade até bruxaria — jamais o acusou de ter se casado com uma menina muito jovem. Paralelamente, as leis dos estados norte-americanos permitem, até os dias de hoje, casamentos de meninas com doze anos através do consentimento dos pais. Antes de condenar a Arábia do século sete, examine seus próprios códigos legais. A pessoa que lhe disse isso estava contando que você nunca iria investigar a respeito.

O abate Halal requer que um animal seja criado de forma humanizada durante toda a sua vida, seja removido da vista de outros animais antes do abate, e seja morto com um único corte limpo na jugular usando uma faca extremamente afiada, precedido por uma curta oração. Isso é praticamente idêntico, em princípio, ao abate kosher judaico, conhecido como shechita. Ambas as tradições exigem um tratamento humanizado e o rápido escoamento de sangue. O público que grita “proíbam o Halal” nunca propôs proibir o kosher. Pergunte a si mesmo o porquê. Quando os políticos visam uma prática e protegem uma idêntica, eles não estão legislando para garantir a segurança alimentar ou pela preocupação com a crueldade contra os animais. Eles estão escolhendo um alvo e torcendo para que você não perceba a duplicidade de critérios. Lembre-se do truque político de ilusão e de quem se beneficia com a indignação.

A ideia de que o Islã é incompatível com a democracia ou que está tentando dominá-la não é nova — e também não convenceu os pais fundadores de nossa grande nação. Thomas Jefferson sediou o primeiro jantar de iftar na Casa Branca em 1805, reorganizando a hora de um jantar de estado para acomodar o jejum de Ramadã do embaixador da Tunísia, Sidi Soliman Mellimelli. Jefferson possuía um exemplar do Alcorão. E o autor deste artigo serviu como um agente de contraterrorismo protegendo a democracia americana — e ajudou a levar à justiça pessoas que conspiravam contra ela.

Numa nação de muitas religiões — e com frequência esquecemos que diferentes denominações cristãs foram outrora tratadas como religiões separadas e rivais — é aqui onde deveríamos estar mais preocupados. O Artigo VI da Constituição dos Estados Unidos afirma: “Nenhum Teste religioso jamais será exigido como Qualificação para qualquer Cargo ou Função pública sob os Estados Unidos.” A Primeira Emenda proíbe o Congresso de criar qualquer lei proibindo o livre exercício da religião. A Décima Quarta Emenda garante igualdade de proteção perante a lei, independentemente de religião. Todos os projetos de lei introduzidos pela Bancada América Livre da Sharia — desde tornar a defesa da Sharia como base para deportação até a designação de organizações como terroristas por voto legislativo — violam os princípios fundamentais do país que esses legisladores dizem defender.

E aqui é onde as coisas se tornam pessoais. O que acontece quando os Evangelicais estabelecem testes religiosos para os Católicos? Ou os Protestantes para os Mórmons? Estabelecer o precedente ao banir o Islã — uma religião que acredita que Jesus é o Cristo, que Ele subiu aos Céus e que Ele retornará em sua segunda vinda — demonstra com exatidão o quão fácil seria banir qualquer denominação que o grupo no poder considerar indesejável ou uma ameaça ao que eles acreditam ser a verdadeira religião da nação. A pessoa que lhe disse que o Islã é incompatível com a América estava contando que você nunca havia lido sua própria Constituição. Ou que simplesmente não se importava. Benjamin Franklin nos alertou: “Aqueles que abrem mão da Liberdade para adquirir um pouco de Segurança temporária não merecem nem Liberdade nem Segurança.” Ele não estava falando sobre o Islã. Ele estava falando sobre nós.

A Saída

As pessoas que lucram com a nossa raiva não moram nos nossos bairros. Elas nunca puseram os pés nas comunidades sobre as quais falam. Elas construíram, em prol do lucro e do poder político, uma imagem de 1,8 bilhão de pessoas baseada nas piores ações de uma fração de uma fração — e construíram uma vida bastante confortável com isso.

E não são apenas aproveitadores domésticos. O AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense) e o governo israelense beneficiam-se diretamente de cada grama de nossa indignação. É a cobertura política para uma política externa que custa milhares de vidas americanas e recursos americanos — US$ 317 bilhões e subindo — enquanto os beneficiários aproveitam os programas sociais que nós não podemos pagar. A máquina de indignação mantém nossos olhos voltados para o Islã de modo que nunca olhemos para o custo no orçamento federal.

Nós nunca fomos estúpidos. Fomos os alvos. A mesma maquinaria psicológica que radicaliza um jovem rapaz muçulmano assistindo a vídeos de recrutamento jihadista em seu quarto é a mesma maquinaria que está sendo usada contra nós: conteúdo curado e selecionado para máximo impacto emocional, um círculo social que recompensa a escalada, um algoritmo que nos oferece mais do que nos deixa com raiva, e uma indústria que lucra com nossa incapacidade de enxergar através do ruído. O mecanismo é idêntico. Apenas o conteúdo muda.

Eu sei disso porque observei a radicalização a partir de todos os ângulos pelos quais alguém pode observá-la. Eu mesmo fui radicalizado, na adolescência, em uma seita cristã que me batia com pernas de mesa de carvalho e cabos de vassoura em nome da autoridade de Deus — eu sei o que é sentir ter uma visão de mundo construída para você por pessoas que lucram em mantê-lo em cativeiro. Eu vi pessoas próximas a mim se radicalizarem por propaganda online até estarem prontas para voar ao Iraque e matar soldados americanos. Eu as treinei em um acampamento jihadista usando um grampo, e ajudei a prendê-las. E agora vejo americanos comuns e decentes se radicalizarem por uma indústria multibilionária que precisa mais da nossa raiva do que da verdade.

A máquina funciona da mesma forma em todas as ocasiões. Um feed curado. Uma figura de autoridade que lucra com nossa indignação. Uma comunidade que policia a dúvida — onde questionar a narrativa faz com que você seja tachado de traidor ou simpatizante. E um conjunto de alegações que desmoronam no momento em que você as verifica de forma independente. Os homens que ajudei a condenar tinham gravações de Anwar al-Awlaki e vídeos do Sniper de Bagdá. Nós temos as nossas postagens de Benny Johnson e prints do Libs of TikTok. A arquitetura emocional é idêntica: selecionar o conteúdo mais inflamatório, tirar do contexto, servi-lo a pessoas que já estão com raiva e assistir a radicalização se multiplicar.

As consequências no mundo real já estão aqui. Em 2024, monitores registraram 8.658 denúncias sobre incidentes que visavam muçulmanos por todos os Estados Unidos — o maior número já documentado. Esse não é o sinal de um país que está ficando mais seguro. Esse é o sinal de uma população que está sendo manipulada para atacar seus próprios vizinhos enquanto as pessoas que gerenciam a operação descontam cheques e ganham eleições. Cada incidente é um ponto na apresentação para angariar fundos de alguém. Cada manchete é um motivador para doações. A indignação não é um efeito colateral da indústria. Ela é a indústria.

A saída começa com a verificação do que nos têm dito — e não perguntando às pessoas que nos contaram, pois elas possuem um interesse financeiro em nos manter no escuro. Nem buscando refúgio no nosso próprio conteúdo curado para reforçar o que já acreditamos. Saia dessa bolha. Desafie as crenças que temos carregado. Crenças não são permanentes — elas mudam à medida que crescemos, e mudá-las é um sinal de força, não de fraqueza. Procure os registros financeiros dos fundos aconselhados por doadores. Leia o texto real dos projetos de lei sendo propostos em nosso nome. Pesquise os nomes que forneci aqui e siga o dinheiro. Veja quem está sendo pago e pergunte a si mesmo se as pessoas que enriquecem com a nossa raiva alguma vez fizeram uma única coisa para tornar as nossas vidas melhores.

Eu lhes falei sobre o meu trabalho para o Escritório de Investigações Especiais da Força Aérea dos EUA (USAF) e meu trabalho no contraterrorismo para o Federal Bureau of Investigations (FBI), falei sobre ter sido criado católico, sobre meu tempo em uma seita cristã e o período após me tornar um cristão evangélico, mas existe mais uma coisa que você deve saber sobre o homem que escreveu este artigo.

Sou muçulmano há quase trinta anos. Mas eu não abandonei o cristianismo — eu fui para o Islã por meio dele. Passei anos estudando a Bíblia, as escrituras judaicas e, por fim, o Alcorão. O que eu descobri foi que o Islã não me pediu para rejeitar Jesus — pediu-me para reverenciá-lo, como o Cristo, nascido de uma virgem, que subiu ao Céu e retornará. Minha fé se aprofundou. Ela não se quebrou. Os homens que ajudei a condenar não traíram apenas a pátria — traíram uma fé que ensina a mesma reverência a Jesus que a sua igreja lhe ensinou.

Tudo o que lhes disse sobre os aproveitadores, as operações de influência estrangeira, a indignação fabricada, as alegações que desabam quando você as investiga — eu lhes disse como um homem que conhece o Islã por dentro, que o vivenciou, que sangrou por ele e que foi exilado por defendê-lo com honestidade.

O próprio Cristo nos disse: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.” Cada político, cada grupo de lobby, cada influenciador, cada organização que nomeei neste artigo — pergunte a si mesmo a qual dos dois eles estão servindo. A resposta esteve nos olhando no rosto durante todo esse tempo.

Você acabou de ler um artigo inteiro escrito por um muçulmano e não o jogou no lixo. Você avaliou a evidência por seus próprios méritos. Você seguiu os fatos aonde quer que levassem. Essa é a versão de você que a indústria do ódio não pode permitir que exista — porque uma pessoa que avalia evidências é uma pessoa que não pode ser manipulada.

A coisa mais radical que você pode fazer neste momento é verificar os fatos.

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