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Vizir de grandes sultões, campeão do sunismo, patrono de al-Ghazali, construtor de universidades, inimigo da seita dos Assassinos e o pavimentador do caminho de Saladino. Abu Ali Hasan ibn Ali Tusi, ou como é mais conhecido, Nizam al-Mulk, “Ordem do Reino” ( 1018 -1092) foi sem sombra de dúvidas um dos personagens mais influentes da história islâmica. Porém, um dos muitos legados desta grande figura história pouco conhecida, é que ele além de tudo, foi o “Maquiavel do Islã”.

Seu tratado politico, o Siyāsatnāmeh ( “Livro do Governo”), também conhecido como Siyar al-mulûk (”Biografia dos Reis”), é a obra mais famosa de Nizam al-Mulk. Escrito em persa no século XI, o Siyasatnameh foi criado a pedido do sultão seljúcida Malik Shah I, filho do grande Alp Arslan, a fim de obter um manual de administração para enfrentar os problemas que a nação vivia. Antes de ser aceito, o livro teve de passar por um concurso, no qual cada ministro escreveu um “manual”, no entanto, o tratado compilado por Nizam foi o único a receber aprovação e foi consequentemente aceito. Ao todo, são 50 capítulos sobre religião, política e várias outras questões sobre administração de reinos, com os 11 capítulos finais – escritos pouco antes do assassinato de Nizam pelos membros da seita dos Assassinos – que lidam principalmente com os perigos que o império enfrentava e particularmente a ameaça ascendente dos xiitas ismaelitas. O tratado se preocupa em orientar o governante em relação às realidades do governo e como ele deve administrar. Cobre “o papel apropriado de soldados, policiais, espiões e autoridades financeiras” e fornece conselhos éticos enfatizando a necessidade de justiça e piedade religiosa no governante. Nizam define em detalhes o que ele vê como justiça; que todas as classes sejam “dadas as devidas atenções” e que os fracos sejam protegidos. Sempre que possível, a justiça é definida tanto pelo costume quanto pela lei muçulmana, e o governante é considerado responsável perante Deus pelos seus servos.

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Com anedotas enraizadas na cultura e história islâmica, e ocasionalmente pré-islâmica persa, o livro possui contos de heróis populares – por exemplo, Mahmud de Ghazna e o pré-islâmico xá Cosroes I – que foram considerados exemplares do bem e da virtude. O Siyasatnameh é considerado fornecedor de insights sobre a atitude da elite persa do século XI em relação ao passado de sua civilização, bem como evidências de métodos da burocracia seljúcida na medida em que foi influenciada pelas tradições pré-islâmicas.

Bibliografia:

– Khismatulin, Alexey. ‘To Forge a Book in the Medieval Ages: Nezām al-Molk’s Siyar al-Moluk (Siyāsat-Nāma)’ in Journal of Persianate Studies 1 (2008),

– Khismatulin, Alexey. Two Mirrors for Princes Fabricated at the Seljuq Court: Nizām al-Mulk’s Siyar al-mulūk and al-Ghazālī’s Nasīhat al-mulūk in The Age of the Seljuqs – The Idea of Iran Vol. 6. London: I.B. Tauris, 2015.


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