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Sancho I, o rei cristão obeso que foi se tratar com um Médico Judeu na corte de um Califa Muçulmano

A obsessão por corpos magros não é um problema atual, os cavaleiros do século XVI já estavam sofrendo para perder peso

Por: Miguel Zorita

O preconceito que as pessoas acima do peso sofrem em nossa sociedade de consumo se torna mais evidente no verão, onde o excesso de peso parece um crime imperdoável. É por isso que hoje falaremos sobre Sancho I de Leão, um rei que enfrentou seu pior inimigo, a obesidade! 

É fácil pensar que quilos extras são um problema apenas nos dias de hoje, mas a história nos mostra que não é bem assim. No século XVI,  cavaleiros como extremenho (gentílico de Extremedura, Espanha) Luis Zapata, deixaram por escrito em seu calvário, sobre perder peso:

Eu não jantei por mais de dez anos, comia apenas uma vez por dia; Eu nunca bebi vinho nem antes ou depois, o que engorda muito; Não comi (comida) excessivamente cozida; Eu enfaixei meu corpo por algum tempo, dormi algumas noites com caneleiras para deixar minhas pernas magras; vestia e calçava tão justo, que precisava remover os sapatos à noite para tirá-las ”

Nessas amargas queixas, Luis de Zapata lamenta a dificuldade em ser gordo nos saraus e bailes das damas da corte. No entanto, se para alguém obesidade foi um problema real, esse alguém foi Sancho I de Leão, mais conhecido como “el Crasso” (quer dizer, o gordo). 

Para conhecer sua história, voltamos para o século X, mais especificamente para 951, quando seu pai Ramiro II deixou a coroa nas mãos de Ordoño III, irmão de Sancho (embora de uma mãe diferente).

Ambos irmãos acabaram disputando a coroa, e a verdade é que ao pobre Ordoño os problemas não pararam de crescer. 

Rebeliões na Galiza, guerra com Navarra, ataques de Al Andalus e ainda por cima com o seu sogro Fernán González, que se declarou independente de Castela … no fim, o Reino de Leão se tornou uma algazarra, que não é de se estranhar que Ordoño durasse apenas 5 anos no trono, deixando este mundo com apenas 30 anos de idade.

Enquanto isso Sancho, conseguiu sua tão esperada coroa e foi nomeado rei no ano de 956. Porém, não durou muito no trono, pois caiu em desgraça, vítima das mesmas intrigas que o levaram ao poder. Qual foi a principal desculpa para arrebatar-lhe o trono? Sendo trapaceado, alegando, que sua obesidade era o problema fundamental para reinar.

Os nobres alegaram que um monarca como ele, não poderia cavalgar e dificilmente seria um bom guerreiro. Como isso, Sancho foi deposto em favor de seu sobrinho Ordoño IV, um rei manipulável, que além de ser mais magro era acima de tudo mais administrável à nobreza. 

Nosso jovem protagonista, lembre-se que Sancho tinha apenas 21 anos, não desistiu e pediu ajuda à sua avó Toda de Pamplona, que encontrou uma solução. Ele viajou à Al-Andalus (a parte muçulmana da Ibéria) para entrar em forma. Toda, que era uma das melhores comerciantes da Idade Média, propôs um acordo para o califa de Córdoba (que por sinal, era primo de Sancho): o serviço do melhor de seus nutricionistas em troca de três regiões no reino de Leão. Abdul Rahman III logo colocou Sancho nas mãos do médico jienense (gentílico de Jaén, Espanha) Hasday ibn Shaprut, que o fez se despedir dos quilos à mais.

O método deste médico judeu não é totalmente claro, e até se diz que ele manteve o garoto à base de infusões durante 40 dias, mas seja o que for, a verdade é que a dieta funcionou. 

Depois de sua permanência na capital andaluza, Sancho parecia ótimo ante suas tropas e conseguiram tomar a cidade de Zamora em 959 e um ano depois o Reino de Leão devolveu à Sancho, a coroa que seus “pneuzinhos” (e especialmente o golpe dos nobres) o fizeram perder.

Fonte: https://www.elplural.com/regreso-al-futuro/sancho-i-el-rey-que-estuvo-en-un-campamento-para-gordos_201379102?fbclid=IwAR35HpdSQ_78fvL0La0vA1tzQsqViB1FX9dBvpCheq-6yjg9oZElDZoYuTU

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