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Em 1934, após a criação da Líbia italiana, Mussolini adotou uma política para encorajar aproximações com o Islã, chamando a população local de “muçulmanos italianos da quarta margem da Itália”, construindo ou restaurando mesquitas e escolas corânicas, preparando instalações de serviço para os peregrinos rumo a Meca e até mesmo inaugurando a ”Escola Secundária de Cultura Islâmica” em Trípoli. Por trás da aparente intenção humanitária, o líder fascista e alguns setores do mundo islâmico viam a França e o Reino Unido como inimigos comuns e Mussolini queria explorar isso a seu favor. Esses interesses comuns foram gerados a partir do ressentimento aos acordos do Tratado de Versalhes de 1919, em vantagem da França e Reino Unido, que não satisfizeram plenamente as demandas da Itália, nem dos muçulmanos.

A fim de obter o favor dos árabes e selar-se a aliança, Mussolini, embora signatário do Tratado de Latrão com a Santa Sé, decidiu conceder-lhe o título de Protetor do Islã. De acordo com a interpretação de Mussolini, com o governo italiano assumindo o lugar dos otomanos na Líbia, tal título lhe foi legado, já que, de alguma maneira, ele era herdeiro da autoridade do califa. Em 20 de março de 1937, nos arredores de Trípoli, Mussolini recebeu a ”Espada do Islã” de Yusuf Kerisc, um importante apoiador berbere da ocupação italiana contra a resistência líbia, durante uma cerimônia pródiga. Depois de entrar em Trípoli entre saudações de canhões e à frente de um contingente de 2.600 cavaleiros, Mussolini reafirmou sua proximidade com a população muçulmana, garantindo “paz, justiça, bem-estar e respeito pelas leis do Profeta”.

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Imagens do líder fascista italiano Benito Mussolini (1883-1945) empunhando a “Espada do Islã”, que segundo ele, lhe garantia direitos colonias sobre a Líbia como seu ”califa pós-otomano”, bem como da estatua erigida por ele no centro de Trípoli na qual ele posava como mantenedor da “paz, justiça, bem-estar e respeito pelas leis do Profeta”. No canto esquerdo segurando a Espada, acredita-se que seja o líder líbio pró-colonização, Yusuf Kersic.

Apesar da aprovação da mídia do regime, a cerimônia provocou hilaridade entre o povo italiano por causa de suas conotações absurdas e paradoxais. Uma das fotografias do evento, retratando Mussolini na sela de um cavalo segurado pelo cabresto por um cavalariço, em sua versão oficial foi retocada e publicada excluindo o cavalariço, a fim de fazer parecer que Mussolini era capaz de montar o seu próprio cavalo sem a ajuda de ninguém, e claro, o mais importante, brandindo a famosa “Espada do Islã’.

No ano seguinte, um monumento a cavalo foi inaugurado na praça principal da capital da Líbia em homenagem a Mussolini. Sua base dizia: “Para Benito Mussolini, pacificador do povo, redentor da terra da Líbia, a população consciente e exposições onde a Espada do Islã brilhou consagram no signo do Lictor uma lealdade que desafia o destino “.

A espada, decorada em arabesco, equipada com uma lâmina reta de dois gumes e com um punho e frisos de ouro maciço, foi obtida do ateliê de arte Picchiani e Barlacchi di Firenze, por ordem do próprio Mussolini. Depois de 1937, o objeto não era mais usado e estava guardado em um pequeno relicário de vidro em Rocca delle Caminate, residência de verão de Mussolini. Não houve mais sinais do objeto depois de 25 de julho de 1943, quando Rocca delle Caminate foi devastada e saqueada por antifascistas.


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