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O Highlander Escocês que tomou Meca e Medina das mãos dos Sauditas

Nascido nas cercanias de Edimburgo em 1793 na Escócia, Thomas Keith alistou-se no 78º Regimento de Highlanders do exército britânico, em 4 de agosto de 1804 aos 11 anos. Ele foi com o 2º batalhão do regimento para se juntar a John Stuart na campanha britânica à Sicília em 1806. Logo depois, Keith foi enviado como parte da expedição inglesa à Alexandria em 1807. Contudo, a expedição foi um fracasso, e as forças britânicas foram destruídas pela cavalaria de mamelucos albaneses comandadas por Muhammad Ali, paxá otomano do Egito.

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Depois de ser capturado em Al Hamed perto de Rosetta em 21 de abril de 1807, Keith e um baterista em seu regimento, William Thompson, teriam sido enviados ao Cairo juntos com cerca de 450 cabeças de soldados ingleses derrotados. Chegando lá, ambos foram comprados de um lanceiro albanês por um oficial otomano de nome ”Ahmad Bonaparte”,  e feitos mamelucos, ou “escravos militares”, do mesmo. Keith tornou-se o favorito de Ahmad. Durante o tempo inicial de serviço, os dois escoceses resolveram se converter ao Islã e mudar seus nomes: Keith se tornando Ibrahim e Thompson Osman. Posteriormente, Keith acabou se envolvendo numa briga com um dos mamelucos de Ahmad, ironicamente um siciliano, que o havia insultado.

O siciliano foi morto num duelo, e o escocês, para escapar de represálias, então buscou a ajuda da esposa de Muhammad Ali, o próprio paxá do Egito, Amina Hanim. Ela comprou Keith e o enviou Keith ao serviço de seu filho macedônio, Tusun, de quem o escocês ganhou admiração por sua inteligencia em assuntos militares e domínio do idioma árabe. Porém, o jovem Tusun era de temperamento quente, e depois de um desentendimento com Keith, que cometera um erro, ordenou seu assassinato. Contudo, o bravo highlander conseguiu entrincheirar-se no quarto, onde fora ordenado que seria morto, e com pistolas e seu sabre, deu cabo de seus assassinos e fugiu pulando pela janela.

Após o infeliz ocorrido, Keith novamente buscou a ajuda da mãe de Tusun, que agiu de modo a por fim a contenda. Apesar de bravo com seu servo, os dois adolescents acabaram por fazer as pazes, e Tusun o promoveu pela sua valentia contra seus executores ao posto de “aga”, ou “chefe” de seus homens. E daí em diante, Thoman Keith passou a ser conhecido pelo nome que o imortalizaria na história: Ibrahim Aga.

Em 1811, aos 18 anos, Keith se juntou à expedição de Tusun, com 17, liderando 2 mil homens entre beduínos e albaneses, contra os wahhabis liderados pela família saudita na Arábia. O wahhabis eram membros de uma seita religiosa puritana fanática anti-sunita, e movidos pela sede de sangue e pilhagem, espalharam o terror por toda a região, adentrando até mesmo às cidades santas de Meca e Medina, massacrando e roubando a tudo e a todos. As forças sauditas foram bem sucedidas em derrotar os otomanos em um primeiro momento, devido a seu número esmagadoramente maior e mais experiencia no terreno. Porém, em 1812, uma nova campanha fora deflagrada, e os wahhabis da casa saud foram derrotados. As forças lideradas pelo highlander conseguiram chegar a cidade sagrada de Medina, onde Keith tornou-se governador em 1815, tomando-a dos sauditas, e logo, no ano seguinte, a expedição à Meca também foi vitoriosa. No mesmo ano de sua vitória em Meca, em 1816, Keith foi emboscado com Tusun pelos wahhabis num confronto nas cercanias de El Bass, onde liderava 250 homens, e defendendo a vida do príncipe contra 2 mil inimigos, morreu bravamente enquanto tinha em suas mãos quatro wahhabis, após o que foi esquartejado pelos sauditas, aos 23 anos. Até mesmo após a vitória final contra os sauditas, Abdullah Ibn Saud, líder dos wahabis capturado pelos otomanos em 1818, deu testemunha da bravura escocesa no campo de batalha.

Fontes: 

https://electricscotland.com/history/scotreg/fortune/08Chp12LandOfTurban.pdf

 ج. ل. بيركهارت (ملاحظات عن البدو والوهابيين) الصفحة 351.
Grant, James. “Story of Thomas Keith.” The Constable of France: And Other Military Historiettes. London: G. Routledge and Sons, 1866
 Philipp, Thomas, and Ulrich Haarmann. The Mamluks in Egyptian Politics and Society. Cambridge: Cambridge UP, 1998
 Burckhardt, John Lewis. Notes on the Bedouins and Wahábys: Collected during His Travels in the East. London: H. Colburn and R. Bentley, 1831
 Grant, James. “The Scots in the Land of the Turban.” The Scottish Soldiers of Fortune, Their Adventures and Achievements in the Armies of Europe. London: Routledge, 1890

 

 

 

Victor Peixoto

Digital influencer, startuper e produtor de conteúdo com impacto em mais de 200 mil pessoas por mês. Estudante da história e religião Islâmica, falante de árabe, inglês e espanhol.

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