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Jabir Ibn Hayyan – O Pai da Química

O cientista muçulmano do século VIII Jabir Ibn Hayyan, conhecido no ocidente pelo seu nome latinizado “Geber”(721-815), foi um dos maiores polímatas do mundo muçulmano medieval, sendo um dos principais nomes da ”Era de Ouro” islâmica. Pouco é sabido de sua vida, porém, sua educação é atribuída a ninguém menos que o grande Jafar as-Sadiq, grande polo do conhecimento islâmico, reverenciado por muçulmanos sunitas e xiitas, e que era filho do farmacêutico Hayyan al-Azdi.

Jabir ibn Hayyan, retratado em um manuscrito europeu do século XV, Codici Ashburnhamiani 1166

Também lhe é creditada uma participação na Revolução Abássida contra o Califado Omíada, porém fontes divergem se foi executado no processo de recrutamento de apoiadores para causa abássida, ou se continuou sua vida na corte dos mesmos após a vitória.

Por volta de 500 tratados são atribuidos a Jabir, cujo corpus é vasto, e tratam de cosmologia, música, medicina, magia, biologia, tecnologia química, geometria, gramática, metafísica, lógica, geração artificial de seres vivos, astrologia e simbologia.

O uso da experimentação em química foi o maior legado de Jābir. Ele é creditado pelo uso de mais de vinte tipos de equipamentos químicos básicos de laboratório, incluindo o alambique e a retorta, além de descrever muitos processos químicos, incluindo cristalização e destilação. Acredita-se que ele tenha descoberto o aqua regia, uma mistura de ácido clorídrico e ácido nítrico, que tem a capacidade de dissolver ouro, no processo de ajudar a justificar a busca dos alquimistas pela pedra filosofal. Jābir também introduziu vários termos técnicos arábicos, como álcali, no vocabulário científico, e descobriu o ácido sulfúrico.

Uma ilustração dos vários experimentos e instrumentos usados por Jabir Ibn Hayyan.

Foi o reconhecimento de Jābir que experimentos são vitais para a ciência que transformaram a prática mística da alquimia no que se tornaria a química moderna. A classificação de elementos de Jābir em três categorias pode ser vista como o início do agrupamento moderno de elementos em metais e não metais.

Seus livros influenciaram fortemente os alquimistas europeus medievais onde os tratados de Jabir sobre alquimia foram traduzidos para o latim e tornaram-se textos padrão para os alquimistas europeus. Estes incluem o Kitab al-Kimya (intitulado Livro da Composição da Alquimia na Europa), traduzido por Robert of Chester (1144) e o Kitab al-Sabien (Livro dos Setenta), traduzido Gerard de Cremona (antes de 1187).

Referências

-Selin, Helaine (2008). Encyclopaedia of the History of Science, Technology, and Medicine in Non-Western Cultures.

-Holmyard, Eric John (1931). Makers of Chemistry

-E.J. Holmyard (ed.) The Arabic Works of Jabir ibn Hayyan,

-Josef W. Meri; Jere L. Bacharach (2006). Medieval Islamic Civilization.

-Syed Nomanul Haq, Names, Natures and Things: The Alchemist Jābir ibn Hayyān and his Kitāb al-Ahjār (Book of Stones),

-Ismail al-Faruqi and Lois Lamya al-Faruqi (1986), The Cultural Atlas of Islam

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