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É verdade que islâmicos queimaram ”700 igrejas” na França?

No rescaldo da recente tragedia patrimonial que foi o Incêndio da Catedral de Nantes na França, alguns ativistas políticos inclusive no Brasil foram a público denunciar o que seria um padrão de violência anti-cristã na Europa, que teria somente em terras francesas atingido a marca de 700 igrejas incendiadas, por, adivinhem, ”muçulmanos”. Porém, o quanto desta cifra é verídica ou quantos muçulmanos são culpados de tais crimes?

Este argumento de uma epidemia de incêndios criminosos à igrejas francesas não é novo, ele vem desde o ano passado na verdade, com a tragédia da Catedral de Nortredame, e foi retirado primeiramente de um suposto mapa identificando ataques à igrejas em território francês pelo site christianophobie.fr , que se apresenta como uma plataforma de monitoramento de violência “cristãofobica” na Europa e outras regiões.

Embora a imagem seja frequentemente compartilhada como se mostrasse todas as igrejas que foram “destruídas” na França, este mapa na verdade documenta segundo o próprio site de origem uma ampla gama de atividades, como vandalismo, roubo e incêndio criminoso, que ocorreram em igrejas e cemitérios em todo o país, num período, alegadamente, que cobre entre os anos de 2017 e 2018.

Deve-se notar também que, embora este mapa documente alguns crimes relativamente graves, como incêndio criminoso ou vandalismo de estátuas de igrejas, muitos desses pinos correspondem a incidentes relacionados a pichações, ou a uma simples interrupção de um culto de igreja sem especificação de natureza. Ou seja, toda a evidencia circunstancial para que tal argumentação fosse embasada, a existência não só de uma cifra de 700 igrejas queimadas, como dos atos terem sido especificamente praticados por muçulmanos, simplesmente não existe. Se num casamento a amante interromper a parte do “se existe alguém contra este matrimônio”, o site provavelmente noticiará como um ataque cristãofóbico, e, obviamente, islâmico.

Entretanto a violência anti-religiosa na França tem subido, e vitimando não somente locais de culto cristão. Segundo um relatório do Ministério de Interior francês, 1.063 atos classificados como anticristãos foram cometidos em 2018 (aproximadamente 700 dos quais relacionados a crimes patrimoniais e 100 dos quais relacionados a atos violentos. São 700 atos de vandalismos não especificados, muito diferente de 700 igrejas queimadas como divulgam), 541 atos antissemitas (81 dos quais relacionados à violência pessoal, 102 relacionados à propriedade), e 100 atos anti-islâmicos.

O Ministério declarou que uma das razões pelas quais as igrejas eram alvo mais frequente do que locais de culto de outras religiões no país era porque a França simplesmente tinha mais igrejas de que sinagogas ou mesquitas. Cerca de 40.000 mais especificamente. Tais locais são muitas vezes o lar de obras de arte valiosas, peças de ouro, e demais objetos de valor histórico geralmente cobiçados por ladrões, e não vilipendiados por uma febre de iconoclastia islâmica. Vale salientar que os incêndios de igrejas que ocorreram não foram todos circunstancialmente criminosos para começar, com problemas de manutenção de prédios históricos ocorrendo também.

Fonte: https://www.snopes.com/fact-check/churches-destroyed-in-france/

Equipe História Islâmica

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