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A evolução da Turquia no início dos anos 1900 é uma das mudanças culturais e sociais mais desconcertantes na história islâmica. Em poucos anos, o Império Otomano foi derrubado a partir de dentro, despojado de sua história islâmica, e transformado em uma nova nação secular conhecida como Turquia. As conseqüências dessas mudanças ainda se fazem sentir hoje em todo o mundo muçulmano e especialmente em uma Turquia muito polarizada e ideologicamente segmentada.

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Mustafa Kemal

O que causou essa mudança monumental no governo e na sociedade turca? No centro de tudo isso está Mustafa Kemal, mais conhecido como ‘’Ataturk’’ (pai dos turcos). Através de sua liderança nos anos 1920 e 1930, o estado moderno secular da Turquia nasceu, e o Islã ficou em segundo plano na sociedade turca.

A Ascensão de ‘’Ataturk’’

A decisão do Império Otomano de entrar na Primeira Guerra Mundial, em 1914, acabou por ser um erro terrível. O império era liderado pela ditadura dos “Três Paxás” que entraram de forma unilateral na guerra ao lado da Alemanha, contra os britânicos, franceses e russos. O Império Otomano foi invadido a partir do sul pelos britânicos, a partir do Oriente pelos russos e pelos gregos no Ocidente. Por volta de 1918, quando a guerra terminou, o império estava dividido e ocupado pelos aliados vitoriosos, deixando apenas as terras altas da Anatólia Central sob controle turco nativo.

Foi na Anatólia Central, onde Mustafa Kemal iria ascender para se tornar um herói nacional para os turcos. Enquanto oficial do exército otomano, ele mostrou grande liderança quando em batalha, especialmente em Gallipoli, onde os otomanos conseguiram repelir a invasão britânica que visava a capital, Istambul. Depois da guerra, no entanto, Kemal deixou claro quais eram suas prioridades. Seu principal objetivo foi a criação do nacionalismo turco como força unificadora do povo turco. Ao contrário do multi-étnico e diversificado Império Otomano, Kemal tinha como objetivo criar um Estado monolítico com base na identidade cultural e racial dos turcos.

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Os generais otomanos, Enver Bey e Mustafa Kemal Ataturk (fundador da Turquia Moderna), na Líbia, juntamente com os dervixes da ordem sufi sanussiyah em sua resistência contra a ocupação italiana na guerra ítalo-turca (1911-1912).


Nas próprias palavras de Mustafa Kemal, ele descreve a importância da identidade turca e a insignificância do Islã como ele o via:

Diante do conhecimento, da ciência, e de toda a extensão da radiante civilização, não posso aceitar a presença na comunidade civilizada da Turquia de pessoas tão primitivas a ponto de procurar benefícios materiais e espirituais sob a orientação de imãs. A república turca não pode ser um país de xeques, dervixes e discípulos. A melhor ordem é a da civilização moderna. Ser um homem é o bastante para preencher as exigências da civilização. Os líderes das ordens sufis compreenderão a verdade de minhas palavras, e eles próprios fecharão seus centros [tekke] e admitirão que suas disciplinas tornaram-se obsoletas.

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Mustafa Kamal em meio a dervixes membros da ordem sufi mavlevi, talvez a mais influente do Império Otomano. Muitos de seus aderentes serviram no exército otomano durante a Primeira Guerra. Porém, após as reformas de Ataturk, a ordem foi perseguida por lei, suas instituições banidas, e o mausoléu de Rumi, funador da ordem, em Konya transformado em museu.

“Mesmo antes de aceitar a religião dos árabes [o Islã], os turcos eram uma grande nação. Depois de aceitar a religião dos árabes, esta religião, não afetou a combinação dos árabes, persas e egípcios com os turcos para constituir uma nação. (Esta religião) ao invés, afrouxou o nexo nacional da nação turca, e adormeceu a excitação nacional. Isso foi muito natural. Pois o objetivo da religião fundada por Muhammad, sobre todas as nações, era draga-las para uma política nacional árabe inclusiva .”

– Mustafa Kemal, Medeni Bilgiler

As opiniões enviesadas de Mustafa Kemal [e, francamente, factualmente incorretas] da história islâmica ajudaram a impulsionar sua agenda nacionalista. Usando a identidade turca como um ponto de encontro, ele conseguiu unir antigos oficiais otomanos sob seu comando na Guerra de Independência Turca no início de 1920 e expulsar as forças de ocupação dos gregos, britânicos e franceses, que haviam invadido as terras turcas após a Primeira Guerra Mundial. Em 1922, Kemal conseguiu libertar completamente os turcos da ocupação estrangeira e aproveitou a oportunidade para estabelecer a moderna República da Turquia, liderada pela Grande Assembleia Nacional, o GAN, em Ancara. À frente do novo governo turco estava um presidente, eleito pelo GAN. A escolha natural foi Mustafa Kemal, o herói da Guerra da Independência, que agora assumiria o título de “Ataturk”, que significa “pai dos turcos.”

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Poster da propaganda kemalista retratando Ataturk matando o “monstro da superstição religiosa” na sociedade turca.

Abolição do Sultanato Otomano e do Califado

A princípio, o novo governo turco parecia herdar o papel do governo otomano como o defensor do Islã. Uma nova Constituição elaborada pelo GAN declarou que o Islã era a religião oficial do estado da Turquia e que todas as leis tinham de ser controladas por um painel de especialistas em direito islâmico, para se certificar de que não contradiriam a sharia.

The last Ottoman sultan, Mehmed VI, departs his palace in Istanbul after the abolition of the monarchy
O último sultão otomano Mehmed VI , partindo de seu palácio em Istambul após a abolição da monarquia.

Este novo sistema de governo não poderia funcionar, no entanto, desde que continuasse a haver um governo rival em Istambul, liderado pelo sultão otomano. Os governos de Ancara e Istambul ambos reivindicavam a soberania sobre a Turquia, e tinham metas francamente conflitantes. Ataturk eliminou este problema em 1 de Novembro de 1922, quando ele aboliu o sultanato otomano, que existia desde 1299 e transferiu oficialmente seu poder para a GAN. Ele não aboliu o califado de imediato, no entanto. Embora o sultanato não mais existisse, ele permitiu que o califado otomano continuasse a existir, embora sem poderes oficiais, apenas como uma figura simbólica.

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Abdul Májid II, o último califa otomano que ocupou o cargo entre 1922-1924.

Sabendo que este movimento seria muito impopular entre a população turca, Ataturk justificou-o, alegando que ele estava simplesmente retornado para uma forma islâmica tradicional de governo. A partir dos anos 900 até o ano de 1500, os califas abássidas eram em sua maioria figuras representativas, com o real poder estando nas mãos de vizires ou senhores da guerra. Ataturk usou este exemplo para justificar a sua criação de um califado impotente. O califado existia desde os dias seguintes à morte do Profeta Muhammad, quando Abu Bakr foi eleito como o primeiro líder do mundo muçulmano no século VII. Para os muçulmanos fora da Turquia, as ações de Ataturk colocaram claramente o papel do próprio califado em perigo. Na Índia, especialmente, os muçulmanos manifestaram indignação com as ações de Ataturk e organizaram o Movimento Khilafat, que procurava proteger o califado, seja de invasores estrangeiros ou do próprio governo turco. Para Ataturk, as expressões de apoio ao califado pelos muçulmanos fora da Turquia foram vistas como uma interferência nos assuntos internos turcos. Citando essa suposta interferência internacional, em 03 de março de 1924, Ataturk e a Grande Assembleia Nacional aboliram o próprio califado e enviaram todos os membros restantes da família real otomana para o exílio na Europa.

Com o califado fora do caminho, o governo turco tinha mais liberdade para buscar políticas que atacassem as instituições sociais islâmicas. Sob o pretexto de “afastar o Islã da interferência política”, o sistema educacional foi completamente reformulado. A educação islâmica foi proibida em favor de escolas seculares não-dogmáticas. Outros aspectos da infra-estrutura religiosa também foram derrubados. O conselho de sharia para aprovar leis que o GAN havia estabelecido apenas dois anos antes, foi abolido. Instituições de caridade religiosas foram tomadas e colocadas sob controle do governo. Centros sufis, uma força de coesão social no país desde de a chegada dos turcos à Anatólia, foram combatidos com toda força. Todos os juízes de lei islâmica no país foram imediatamente demitidos, bem como todos os tribunais de sharia foram fechados. Os ataques de Ataturk contra o Islã não se limitaram ao governo, no entanto. A vida cotidiana para os turcos também foi ditada pelas idéias seculares dele. O hijab (véu) das mulheres foi ridicularizado como um “objeto ridículo” e proibido em prédios públicos. O calendário foi mudado oficialmente, a partir do calendário islâmico tradicional, com base na Hégira – ida do Profeta Muhammad para Medina – para o calendário gregoriano, com base no nascimento de Jesus Cristo (de acordo com a igreja católica). As sextas-feiras não eoram mais consideradas dias de folga, devido a sua simbolização sagrada para os muçulmanos. Em vez disso, a Turquia foi obrigada a seguir as normas europeias de sábado e domingo, como sendo dias de folga do trabalho.

Em 1932, o Azan – o chamado para a oração muçulmana – foi proibido em árabe. Em vez disso, ele foi reescrito usando palavras turcas e forçado em milhares de mesquitas do país.

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Uma manchete da época noticiando o banimento.

Depois de todas essas mudanças, a GAN deu sua cartada final em 1928 e suprimiu a cláusula na Constituição que declarava o Islã como a religião oficial do Estado. O Islã tinha sido substituído pelas ideologias seculares de Ataturk.

Ataque aos turbantes

“Chapéus” sempre representaram a filiação e classe social de seus usuários em todos os períodos e civilizações. As pessoas eram diferenciadas umas das outras pelo que usavam em suas cabeças. Como resposta ao chapéu de três pontas que simbolizava a Trindade no cristianismo, os revolucionários da Revolução Francesa (1789 – 1799) usavam gorros vermelhos frígios, como uma demonstração de rompimento com o forte legado cristão da França. Em 1828, o sultão otomano Mahmud II emitiu um édito que padronizava por todo o império o uso do chapéu vermelho sem abas conhecido como “fez”, vindo do Norte da África, que foi rapidamente adotado por toda população otomana em diversos estilos e modalidades. O novo chapéu não dificultava a oração islâmica, e tinha um certo ar de sofisticação. O fez gozou de seu domínio no Império por um século, e era por vezes acompanhado por diversos tipos de turbantes. Após a proclamação da República da Turquia em 1923, Mustafa Kemal, com sua compulsão por modas europeias, passou a usar cartola e chapéus ocidentais ao invés do tradicional fez. Com a promulgação de uma lei em 1925, sem precedentes na história, o povo turco agora do dissolvido império, foi obrigado por lei a usar boinas e chapéus ocidentais. Aqueles que desobedeceram foram multados. Certos discursos feitos durante o anúncio da lei disseram que o caráter humano está associado ao uso de chapéus. Esses discursos apoiavam a idéia de que o público turco se modernizaria usando o chapéu ocidental – a roupa de cabeça das nações civilizadas.

A reforma do chapéu causou reações que nenhuma outra reforma havia causado até aquele momento, nem mesmo a abolição do califado. As revoltas que eclodiram em diferentes cidades foram silenciadas de forma sangrenta. O navio blindado turco Hamidiye bombardeou o mar da cidade de Rize, no norte, e 57 religiosos que usavam turbantes foram enforcados como aviso a quem ainda quisesse “se vestir de muçulmano”.

Um dos mártires da “Revolta do Chapéu”, foi Atıf Efendi, de İskilip, executado por seu livro “Frenk Mukallitliği ve Şapka” (Imitação dos Valores Ocidentais e o Chapéu) publicado muito antes da lei do chapéu entrar em vigor. Aqueles que acusavam as pessoas de usarem chapéus alguns meses antes da lei entrar em vigor agora emitiam penas de morte nos tribunais para outros que não usavam chapéus.

Indumentarias de cabeça tinham um lugar importante na cultura otomana e no Islã como um todo. O Profeta Muhammad teria dito: ” O usado na cabeça é o sinal de separação entre fé e infidelidade”. Vestir um chapéu ocidental era semelhante a abandonar a religião, pois no mundo pré moderno, as diferentes indumentárias usadas ao redor do mundo por diferentes povos tinham diversas simbologias; religiosas principalmente. Ebussuud Efendi, grão mufti otomano do século XVI, emitiu a seguinte fatwa: “Aqueles que usam chapéus exclusivos dos estrangeiros cometem kufr (infidelidade)”. Datando do século XV, o famoso livro “Mizraklı İlmihal”, que era um catecismo islâmico muito popular entre o público otomano, considerava o chapéu, a cruz e o zünnar (o cinturão dos sacerdotes) iguais. Cidadãos otomanos não-muçulmanos eram chamados pela suave frase de “ellik gavuru” (“infiel local”), enquanto os europeus estrangeiros eram chamados “şapkalı gavur” (ou, “infiéis de chapéu”) para expressar a paixão pela sua fé. O público considerava um chapéu ocidental um assustador mau agouro, que trazia infelicidade e tinham medo de tocá-lo. Servos costumavam limpar a mesa onde um médico estrangeiro colocava o chapéu por dias, quando ele vinha para uma visita domiciliar. Não é surpreendente o motivo pelo qual a lei do chapéu de Mustafa Kamal desencadeou um alvoroço de reações. Embora o orçamento do novo estado fosse relativamente pequeno, os funcionários civis recebiam empréstimos para chapéus. Navios estrangeiros importavam chapéus de segunda mão nos portos turcos durante meses. Aqueles que não podiam comprar chapéus usavam toucas estranhas que pareciam chapéus, para não serem presos.

O fez continuou a ser usado em países árabes, que foram excluídos da antiga terra otomana por algum tempo. A imprensa européia ficou surpresa, pois eles não esperavam que o governo turco estivesse tão disposto a se adaptar ao seu estilo, mas os europeus pareciam não levar os turcos a sério – como se muitas vezes se despreza um imitador.

Aqueles que não usavam chapéus eram presos e sentenciados a seis meses de prisão. Multas também foram aplicadas a homens sem chapéu. Quando a lei do chapéu entrou em vigor, os religiosos emitam fatwas secretas, dizendo que os chapéus não prejudicavam a fé, pois eram usados a força, mas deveriam ser retirados em casa. Para facilitar a oração islâmica, os turcos religiosos passaram a usar “chapéus coco”, com abas mais curtas, que podiam ser mais facilmente movidas para trás.

Como alguns chapéus não têm viseiras, algumas pessoas preferiam usar presilhas conhecidas como “bósnios” ou “presas de pintor” com origem em Bask. Os policiais também negligenciaram tais chapéus em certos lugares.

Com as leis de liberdade religiosa do governo Erdogan, em 2014, o artigo especificando uma penalidade para quem não usa chapéus ocidentais foi abolido.

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Mustafa Kamal, fundador da Republica da Turquia e o autor da “lei do chapéu”, usando uma típica cartola inglesa, e uma manchete do jornal americano Unided Press de 1925 noticiando sobre a perseguição e execução a quem ainda usava turbantes e fez na turquia e a infame lei.

Reforma Linguística

Ataturk sabia que essas reformas seculares seriam inúteis se o povo turco conseguisse juntar forças para se opor à elas. O maior perigo para esta nova ordem era a história dos turcos, que desde os anos 900 fora entrelaçada com o Islã. A fim de afastar as novas gerações de turcos do seu passado, Ataturk teve de fazer o passado ilegível para eles.

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Ataturk introduzindo o novo alfabeto latino em 1928.

Com a desculpa de aumentar a alfabetização entre turcos (que era de fato muito baixa na época), Ataturk defendeu a substituição de letras árabes do alfabeto otomano por letras latinas. Muito parecido com o persa, a língua turca era escrita em letras árabes por centenas de anos após a conversão dos turcos ao Islã nos anos 900. Sendo o turco escrito em letras árabes, os turcos podiam ler o Alcorão e outros textos islâmicos com relativa facilidade, conectando-os a uma identidade islâmica – que Ataturk via como uma ameaça. Além da introdução das letras latinas, Ataturk criou uma comissão responsável pela substituição do árabe e estrangeirismos persas no turco. De acordo com sua agenda nacionalista, Ataturk queria uma linguagem que fosse puramente turca, o que significava que velhas palavras turcas, que se tornaram obsoletas, durante a era otomana, voltassem ao uso em vez de palavras em árabe. Por exemplo, a Guerra da Independência Turca, anteriormente conhecida como o Istiklal Harbi, é agora conhecida como Kurtuluş Savasi, porque “istiklal” e “harb” são estrangeirismos árabes no turco. Da perspectiva de Ataturk, a reforma do idioma foi um sucesso estrondoso. Dentro de algumas décadas, o velho turco-otomano foi efetivamente extinto. As novas gerações de turcos foram completamente desligadas das gerações mais velhas, com conversas simples sendo difíceis. Com o povo turco sendo analfabeto de seu passado, o governo turco foi capaz de criar uma versão da história que eles consideravam aceitável, que promovia as idéias nacionalistas turcas do próprio Ataturk.

Ei cidadão, fale turco!

Apesar de ser historicamente conhecido como um “Império turco”, o otomano foi uma das nações mais multiétnicas e multilinguísticas da história. Os cidadãos do império, até mesmo na Anatólia, falavam árabe, persa, grego, georgiano, armênio, hebraico, curdo, circassiano, zazar, laz e mais uma infinidade de idiomas, sendo a osmanlica, ou o “turco otomano”, apenas uma língua franca, e não muito utilizada de modo geral entre estas minorias. Era parte da cultura dos antigos sultões a não imposição do Islã e cultura turca sobre as demais populações, que tinham inclusive autonomia legislativa. Este legado da monarquia otomana era outro desafio na campanha de turquificação de Mustafa Kamal. Mediante o quadro, em 1930 fora lançada a campanha governamental do “Vatandaş Türkçe konuş!”, ou “Ei cidadão, fale turco!”, que visava suprimir as demais identidades das populações não-turcas da Turquia, fossem elas muçulmanas ou não. Outro slogan da campanha era “Fale turco ou vá embora!”. A lei foi implementada sob penas de multa, prisão ou alienação de cidadania para infratores que continuassem a falar seus idiomas próprios. Nas palavras do próprio Ataturk:

“Uma das qualidades mais óbvias e preciosas de uma nação é a linguagem. Uma pessoa que diz pertencer à nação turca deve, em primeiro lugar e sob todas as circunstâncias, falar turco. Não é possível acreditar nas alegações de uma pessoa de que ela pertence à nação turca e à cultura turca se ela não fala turco.”

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Página de um calendário otomano de 1 de Janeiro de 1905 que reflete a diversidade etno-cultural do Império. Ele está escrito em: turco otomano, árabe, grego, armênio, hebraico e francês.

Turquia Secular

Todas estas reformas trabalharam juntas para apagar efetivamente o Islã das vidas dos turcos. Apesar dos melhores esforços de alguns religiosos para preservar a sua herança, idioma e religião, a pressão do governo para adotar idéias seculares era forte demais. Por mais de 80 anos, o governo turco permaneceu veementemente secular. As tentativas de trazer de volta os valores islâmicos no governo foram recebidas com resistência por parte dos militares, que se viam como os protetores do secularismo de Ataturk. Em 1950, Adnan Menderes foi democraticamente eleito primeiro-ministro da Turquia em uma campanha para trazer de volta o azan (chamado à oração) em árabe. Embora ele fosse bem-sucedido, ele foi derrubado por um golpe militar em 1960 e executado por enforcamento após um julgamento precipitado.

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Ex-primeiro ministro turco Adnan Menderes sendo enforcado por membros do exército secular.

Mais recentemente, em 1996, Necmettin Erbakan foi eleito primeiro-ministro, enquanto notavelmente e abertamente declarando-se um “islamista”. Mais uma vez, os militares intervieram, e derrubaram-o do poder depois de apenas um ano no cargo. As relações da Turquia moderna com o Islã e sua própria história são complicadas. Porções da sociedade apoiam fortemente a ideologia de Ataturk e acreditam que o Islã não deve ter nenhum papel na vida pública. Outros segmentos da sociedade vislumbram um retorno à uma politica e governo mais orientados a religião, bem como nas relações com o resto do mundo muçulmano. O mais preocupante, porém, é que o conflito ideológico entre esses dois lados opostos não mostra sinais de cederem tão cedo.

Bibliografias

– Hiro, Dilip. Inside Central Asia: A Political and Cultural History of Uzbekistan, Turkmenistan, Kazakhstan, Kyrgyzstan, Tajikistan, Turkey, and Iran. 9. New York: Overlook Duckworth, 2011. Print.

– Ochsenwald, William, and Sydney Fisher. The Middle East: A History. 6th. New York: McGraw-Hill, 2003. Print.

Fonte: https://iqaraislam.com/como-ataturk-criou-a-turquia-secular/


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