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O conflito entre turcos e armênios não era inevitável. Os dois povos deveriam ter sido amigos, e convivido pacificamente ao longo de toda sua história. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, armênios e turcos viviam juntos há 800 anos. Os armênios da Anatólia e da Europa eram súditos otomanos por quase 400 anos. Houveram problemas durante esses séculos – problemas causados ​​principalmente por quem atacou e acabou destruindo o Império Otomano. Todos no Império sofreram, mas foram os turcos e outros muçulmanos que mais sofreram. Se julgados por todos os padrões econômicos e sociais, os armênios viviam bem sob o domínio otomano. No final do século XIX, em todas as províncias otomanas os armênios eram mais instruídos e mais ricos que os muçulmanos em geral. Suas riquezas comparativas foram em grande parte devido à influência européia e americana e à tolerância otomana. Os comerciantes europeus fizeram dos cristãos otomanos seus agentes. Os comerciantes europeus deram-lhes os seus negócios. Os cônsules europeus intervieram em seu nome. Os armênios se beneficiaram da educação dada a eles, e não aos turcos, pelos missionários americanos.

Armênios na História Otomana

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Um “bey armênio” ou oficial do estado otomano pertencente a comunidade armênia, século XVII. Do Levante a Anatólia, os armênios eram a comunidade cristã mais dispersa e mais bem sucedida financeiramente do Império Otomano, cuidando por vezes inclusive das finanças pessoais do próprio sultão.

Durante o período bizantino, a Igreja Apostólica Armênia não tinha permissão para operar em Constantinopla porque as duas igrejas [Igreja Armênia e Igreja Ortodoxa] se consideravam mutuamente heréticas. O cisma estava enraizado na rejeição do Concílio de Calcedônia pelas Igrejas Ortodoxas Orientais, das quais a Igreja Armênia é parte.Depois de conquistar Constantinopla em 1453, o Império Otomano permitiu que o Patriarcado Ortodoxo Grego de Constantinopla permanecesse na cidade.

Mas o sultão Mehmed II pediu aos armênios que estabelecessem sua própria igreja na nova capital otomana, como parte do sistema Millet. A partir de então, o Patriarcado Armênio de Constantinopla atuou como instituição religiosa superior no Império Otomano, superior até mesmo ao “Católico de todos os armênios”. Por um curto período, a Igreja Ortodoxa Siríaca também foi colocada sob a jurisdição do Patriarcado Armênio.

O primeiro patriarca armênio de Constantinopla foi Hovakim I, que na época era o metropolita de Bursa. Em 1461, ele foi trazido para Constantinopla pelo sultão Mehmed II e estabelecido como o patriarca armênio de Constantinopla. Hovakim I foi reconhecido como o líder religioso e secular de todos os armênios no Império Otomano, e carregava o título de milletbaşı (chefe de uma nação) assim como patriarca. O patriarca e seus clientes, dentro dos limites, possuíam autoridade penal sobre o povo armênio. Na capital, o patriarca tinha sua própria prisão e mantinha uma pequena força policial. Sua autoridade sobre o clero sendo absoluto, ele poderia aprisioná-los ou exilá-los à vontade; e enquanto ele era compelido a garantir o consentimento do sultão para prender ou exilar leigos de sua comunidade, o firman necessário era muito facilmente obtido. O sistema patriarcal de governo, ao colocar os poderes civis nas mãos dos altos eclesiásticos, foi o resultado do fato de o sultão não fazer distinção entre igreja e comunidade, e muitas vezes emprestou o peso de sua autoridade para manter a integridade da igreja. Tudo isso dentro de um califado islâmico.


Na capital do sultão, vivia a maior comunidade armênia do mundo; e sua autoridade civil-eclesiástica tornou o sultão praticamente o mais poderoso oficial entre os armênios em geral. Antes da conquista otomana em 1453, provavelmente não haviam igrejas armênias em Constantinopla. Desde 1453, 55 novas igrejas armênias foram construídas em Istambul, algumas são do século XVI e outras anteriores.

Fonte: Mansel, Piliph ”Constantinople: City of the World’s Desire, 1453-1924”, 1995.

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Família de armênios do Império Otomano, 1905.

Enquanto as vidas dos armênios como um grupo estavam melhorando, os muçulmanos viviam alguns dos piores sofrimentos experimentados na história moderna: nos séculos XIX e XX, os bósnios foram massacrados por sérvios, russos mataram e exilaram os circassianos, abkhazianos, lazes e turcos foram mortos e expulsos de suas terras por russos, búlgaros, gregos e sérvios. No entanto, em meio a todo esse sofrimento muçulmano, a situação política dos armênios otomanos melhorava constantemente. Primeiro, direitos iguais para cristãos e judeus eram garantidos por lei. Direitos iguais tornaram-se cada vez mais uma realidade também. Os cristãos ocuparam altos cargos no governo. Tornaram-se embaixadores, funcionários do tesouro e até ministros das Relações Exteriores. De muitas maneiras, de fato, os direitos dos cristãos se tornaram maiores que os dos muçulmanos, porque poderosos estados europeus intervieram em seu favor. Os europeus exigiram e receberam tratamento especial para os cristãos. A população muçulmana em geral não tinha essas vantagens.

Dawud Pasha, o governador armênio otomano do Monte Líbano, final dos anos 1800. Dawud Pasha foi um político de origens armênias nascido em Constantinopla, capital do Império Otomano, em 1816. Antes de ser nomeado como o Mutasarrif (governador) do Monte, Dawud ocupou cargos muito importantes representando o Império em vários locais. Por exemplo, trabalhou como adido à Embaixada Otomana em Berlim. Mais tarde, foi designado como cônsul-geral otomano em Viena. Além disso, ele também foi colocado em importantes posições burocráticas dentro das instituições do Estado otomano, tento sido funcionário do Ministério do Interior Otomano

Foi nesse ambiente que os armênios se revoltaram contra o Império Otomano – centenas de anos de paz, superioridade econômica, melhorando constantemente as condições políticas. Isso não parece ser um motivo de revolução. No entanto, o século XIX viu o início de uma revolução armênia que culminaria em desastre para ambos. Mas afinal, o que levou a separação de armênios e turcos?

Antes de mais nada, haviam os russos. As regiões em que cristãos e muçulmanos viviam juntos em relativa paz foram dilaceradas quando os russos invadiram as terras muçulmanas do Cáucaso. A maioria dos armênios provavelmente era neutra, mas um número significativo ficou do lado dos russos. Os armênios serviam como espiões e até forneciam unidades armadas de soldados para os russos. Havia benefícios significativos para os armênios: os russos tomaram a província de Erivan, atual República Armênia, em 1828. Eles expulsaram os turcos e deram a terra turca, isenta de impostos, aos armênios. Os russos sabiam que, se os turcos continuassem, sempre seriam os inimigos de seus conquistadores, então os substituíram por uma população mais amigável – os armênios.

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A Batalha de Akhalzic 1828, na invasão russa do território otomano.

O exílio forçado dos muçulmanos continuou até os primeiros dias da Primeira Guerra Mundial: 300.000 tártaros da Crimeia, 1,2 milhão de circassianos e abkhazianos, 40.000 lazes e 70.000 turcos. Os russos invadiram a Anatólia na guerra de 1877-78 e mais uma vez muitos armênios se juntaram ao lado russo. Eles serviram como batedores e espiões. Os armênios se tornaram a “polícia” em territórios ocupados, perseguindo a população turca. O tratado de paz de 1878 devolveu grande parte do nordeste da Anatólia aos otomanos.

Civis muçulmanos de origens mistas nas marchas forçadas de expulsão promovidas pelo exército russo,.

Os armênios que ajudaram os russos temeram vingança e fugiram, embora os turcos não tenham se vingado. Tanto os muçulmanos quanto os armênios lembraram-se dos eventos das invasões russas. Os armênios podiam ver que teriam mais chances de prosperar se os russos vencessem. A terra livre, mesmo que roubada dos muçulmanos, era um incentivo poderoso para os agricultores armênios. Os armênios otomanos rebeldes haviam encontrado um poderoso protetor na Rússia. Os rebeldes também tinham uma base na Rússia, a partir da qual podiam organizar rebeliões e contrabandear homens e armas para o Império Otomano. Os muçulmanos sabiam que, se os russos eram anjos da guarda dos armênios, eles eram demônios para os muçulmanos. Eles viram que quando os russos triunfaram sobre os muçulmanos, tais perderam suas terras e suas vidas. Eles sabiam o que aconteceria se os russos viessem novamente. E eles puderam ver que os armênios estavam do lado dos russos. Assim, 800 anos de coexistência pacífica se desintegraram.

Foi somente quando os armênios russos trouxeram sua ideologia nacionalista para a Anatólia Oriental que a rebelião armênia se tornou uma ameaça real ao Estado otomano. Embora houvessem outros, dois partidos de nacionalistas liderariam a rebelião armênia. O primeiro, o Partido Revolucionário Hunchakiano, chamado Hunchaks, foi fundado em Genebra, na Suíça, em 1887, por armênios da Rússia. O segundo, a Federação Revolucionária Armênia, conhecido como Dashnaks, foi fundada no Império Russo, em Tiflis, em 1890. Ambos eram marxistas. Seus métodos eram violentos. Os Manifestos do Partido Hunchak e Dashnak pediram revolução armada no Império Otomano. O terrorismo, incluindo o assassinato de funcionários otomanos e armênios que se opunham a eles, fazia parte do modus operandi do partido. Embora fossem marxistas, ambos os grupos fizeram do nacionalismo a parte mais importante de sua filosofia de revolução. Nisso eles eram muito parecidos com os revolucionários nacionalistas da Bulgária, Macedônia ou Grécia.

O Partido Revolucionário Hunchakian

”O Partido Revolucionário Hunchakian foi fundado em Genebra na Suíça em 1887 por estudantes armênios do Império Russo, liderados por Avedis Nazarbekian. Os organizadores eram marxistas confessos, porém favoreciam de forma mais abrangente a filosofia dos narodniks, que advogavam por uma organização revolucionária de camponeses e o uso de assassinatos estratégicos para chamar atenção a sua causa (os narodniks assassinaram o czar Alexandre II em 1881.)

Apesar de serem similares em diversas maneiras aos grupos revolucionários marxistas europeus do século XIX, os hunchaks eram diferentes a medida em que salientavam o nacionalismo ao invés do internacionalismo dos demais marxistas. Seu plano era usar as táticas violentas dos narodniks para criar uma “Armênia” dentro do Império Otomano. A população armênia era mais concentrada no que era conhecido como “Armênia Russa” (hoje parte da “República da Armênia”) onde formavam uma leve minoria, de que nos domínios otomanos onde eram dispersos e nem perto de uma maioria em qualquer província. Os hunchaks e outros revolucionários armênios escolheram o Império Otomano como alvo de sua revolução porque eles sentiram que seria mais facil criar uma estado armênio nele de que no Império Russo,

Os russos eram poderosos, de tal forma que contribuíram para a revolução armênia no Império Otomano para seus próprios propósitos. Os hunchaks acreditavam que somente quando os armênios otomanos fossem “libertados” os armênios na Rússia e Pérsia se uniriam a eles em um só estado. Os armênios se organizariam em uma sociedade socialista que faria parte do mundo socialista antecipado.

O programa oficial do partido revolucionário declarava que violência era essencial para atingir os objetivos do grupo, que poderia somente ser alcançado através de revolução armada. O partido era indubitavelmente uma organização terrorista; o programa apresentava o uso de terrorismo contra o governo otomano bem como turcos e armênios que se mostrassem contrários a “causa”. Havia uma seção do partido designada apenas para execução de atentados.

A agenda dos hunchaks seria implementada através de propaganda entre os armênios otomanos, e aterrorizaria tanto oficiais otomanos como armênios que apoiassem o estado, bem como ataques contra a população muçulmana que traria represálias, e, consecutivamente, intervenção europeia para defesa dos armênios. O melhor momento para a revolução, declarava o manifesto do partido, seria quando os otomanos estivessem em guerra, onde seriam atacados enquanto suas divisões militares estivessem lutando em outro lugar.

Os hunchaks começaram a organizar-se em Istambul e resto da Anatólia em 1889, rapidamente estabelecendo ramos do partido e atraindo apoio, em sua maioria de jovens armênios. As atividades do partido e suas orientações ideológicas eram, no entanto, enviadas da Europa Central. Até alguns hunchaks se rebelarem contra seu controle, Nazarbekian permaneceu no comando.

De 1896 em diante, os revolucionários do Partido Hunchak alastraram vários ataques pela Anatólia Oriental, sempre dirigidos contra populações muçulmanas onde a intervenção do exército otomano extremamente deficiente e mal pago não poderia chegar. Eles matavam fiéis em oração nas mesquitas, cortavam as linhas de comunicação, incendiavam bazares, casas e centros sufis, oque despertava o ódio visceral de muçulmanos turcos, curdos e circassianos contra armênios em geral, que eram massacrados por serem minoria em combates intercomunais terríveis. A cada 50 civis turcos mortos por revolucionários armênios, 200 civis armênios morriam em represálias: os marxistas desencadearam sua tão sonhada guerra civil.

Ai entravam em cena os jornais das embaixadas ocidentais para retratar os ocorridos como uma especie de violência deliberada contra armênios sem motivo algum, por ”pura maldade turca”, ignorando quase que completamente o papel fundamental dos terroristas socialistas e incompetência do estado otomano de conseguir defender a minoria armênia em suas províncias mais longínquas durante os conflitos intercomunais explicitamente iniciado pelos hunchaks.

O plano era provocar uma intervenção russa como na Bulgária em 1876, onde rebeldes búlgaros mataram cerca de 1.000 aldeões muçulmanos turcos, o que levou a uma represália de 10.000 búlgaros cristãos mortos por civis muçulmanos antes que o exército regular otomano conseguisse intervir. Isso levou ao ataque russo contra o Império Otomano, anexação do território, e criação da Bulgária, bem como a subsequente expulsão e morte dos muçulmanos que restavam na região, cerca de 1/4 da população.

Fonte: McCarthy, Justin “Turks and Armenians”, pg 37-38.

Ao contrário dos revolucionários gregos ou búlgaros, os armênios tinham um problema demográfico. Na Grécia, a maioria da população era grega. Na Bulgária, a maioria era búlgara. Nas terras reivindicadas pelos armênios, no entanto, os armênios eram uma minoria razoavelmente pequena. A região chamada “Armênia Otomana”, os “Seis Vilâyets” de Sivas, Mamüretülaziz, Diyarbakir, Bitlis, Van e Erzurum, era apenas 17% armênia e 78% muçulmana de etnias diversas. Isso teria conseqüências importantes para a revolução armênia, porque a única maneira de criar a “Armênia” que os revolucionários queriam era expulsar os muçulmanos que moravam lá. Quem duvida das intenções dos revolucionários precisa apenas olhar para suas ações recordes, como o assassinato de um governador da província de Van e tentativa de assassinato des outros, assassinatos de chefes de polícia e outros oficiais, a tentativa de assassinato do sultão Abdülhamid II. Estes eram nacionalistas radicais que estavam em guerra com o Estado otomano.

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Em 21 Julho 1905 a organização nacionalista “Federação Revolucionária Armênia” realizou um plano para o assassinato do sultão otomano Abdul Hamid II em um atentado a bomba. O estratagema foi executado na oração de sexta-feira em frente a Mesquita Yıldız em Istambul. O sultão, no entanto, escapou da morte por ter saído atrasado do templo tendo sido distraído por uma conversa com seu grão-mufti Mehmet Cemaleddin Efendi. 26 oficiais da corte otomana foram mortos e 58 outros oficiais e civis ficaram feridos.

Começando mais intensamente na década de 1890, os revolucionários armênios russos começaram a se infiltrar no Império Otomano. Eles contrabandearam rifles, cartuchos, dinamite e guerrilheiros através das fronteiras mal defendidas nas províncias de Van, Erzurum e Bitlis ao longo das rotas mostradas no mapa:

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Os otomanos estavam mal equipados para combatê-los. O problema era financeiro. O Império ainda sofria de suas terríveis perdas na guerra de 1877-78 com a Rússia. Padeciam com os resultados das Capitulações, dívidas e banqueiros europeus predadores. Também deve-se admitir que o governo otomano era economicamente mal administrado. O resultado era uma falta de dinheiro para apoiar as novas unidades policiais e militares necessárias para combater os revolucionários e restringir as tribos curdas que também se rebelavam. O número de soldados e gendarmaria no Oriente nunca foi suficiente, e eles geralmente não eram pagos por meses seguidos. Era impossível derrotar os rebeldes com tão poucos recursos.

De longe, os revolucionários mais bem-sucedidos foram os Dashnaks. Dashnaks da Rússia foram os líderes da rebelião. Eles foram os organizadores e os “executores” que transformaram os armênios da Anatólia em soldados rebeldes. Não foi uma tarefa fácil, porque a princípio a maioria dos armênios otomanos não desejava se rebelar. Eles preferiram a paz e a segurança e desaprovaram os revolucionários socialistas ateus. Um sentimento de separatismo e até superioridade entre os armênios ajudou os revolucionários, mas a principal arma que transformou os armênios do Oriente em rebeldes foi o terrorismo. A principal causa que uniu os armênios contra seu governo foi o medo.

Analises dos historiadores

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Tropas revolucionárias armênias na cidade otomana de Kars.

No final do século XIX, quase todas as nações cristãs do Império Otomano conquistaram sua independência após revoltas nacionais, largamente fruto de ideais nacionalistas europeus trazidos por missionários cristãos ocidentais de forte orientação secular iluminista. O movimento de independência armênia começou um pouco mais darde de que seus correligionários, por volta da década de 1880, principalmente porque os armênios eram muito mais integrados a sociedade otomana e tinham uma posição privilegiada entre as populações não-muçulmanas do império. Ainda assim, a principal razão pela qual os eventos não seguiram o mesmo curso foi demográfico. Os armênios estavam dispersos por toda a Anatólia e Istambul; eles eram uma minoria, mesmo na maior parte da Anatólia Oriental.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou, os armênios formaram milícias para ajudar o avanço russo na Anatólia. Revoltas em larga escala em diferentes partes da Anatólia, notavelmente na cidade de Van, criaram pânico na retaguarda do exército turco. Em fevereiro de 1915, as populações muçulmanas e armênias locais no país estavam em um conflito comunal feroz. Em abril, os otomanos estavam recuando da fronte oriental e os armênios controlavam certas províncias. No final de abril, os otomanos deram a primeira ordem para a “realocação”. Os meses seguintes testemunharam a situação dos armênios: quando foram transportados para as províncias sírias do império, foram mortos por ataques de muçulmanos locais geralmente em busca de vingança, gangues de bandidos, fome e epidemias – assim como as dificuldades de se mover através das montanhas e desertos da região. Nas províncias sob controle armênio, atrocidades de escala semelhante estavam ocorrendo, e a população muçulmana fugiu em grande número para salvar suas vidas.

Historiadores proeminentes, como Bernard Lewis, Stanford Shaw e Justin McCarthy (que possui uma extensa obra no assunto), sustentam que não havia uma política oficial de genocídio. A alegação baseia-se no fato de que os abrangentes arquivos otomanos não contêm documentos que sugiram tal plano. Os relatos de conduta imprópria de soldados e funcionários públicos quase sempre os mencionam no contexto de como tal comportamento deveria ser e é penalizado; temos relatos de 1.397 policiais sendo punidos, criando um contraste impressionante com o Holocausto. Além disso, as mudanças começaram somente depois que os exércitos russo e armênio começaram a adentrar a Anatólia e estavam confinados na região em torno da linha de combate.

Depois que os otomanos perderam a guerra, o Alto Comissariado Britânico em Istambul prendeu 144 altos oficiais otomanos e os deportou para Malta para julgamento sob acusação de crimes contra os armênios. Enquanto os deportados foram confinados em Malta, os britânicos nomearam um erudito armênio, Haig Khazarian, para conduzir um exame completo dos registros otomanos, britânicos e americanos para substanciar as acusações. Embora tenha acesso completo a todos os registros, o corpo de pesquisadores de Khazarian descobriu uma total falta de provas demonstrando que os oficiais otomanos sancionaram ou encorajaram o assassinato de armênios. O procurador-geral britânico exonerou e libertou todos os 144 detidos.

As evidências mostram que tudo foi resultado da incapacidade do Estado otomano para controlar suas províncias, ao invés de um plano pretendido, que levaram às atrocidades. A autoridade governamental na maior parte dessas áreas estava limitada a uma rede de alianças com chefes regionais turcos e curdos semi independentes, e tinham controle limitado sobre as ações destes.

Em entrevista ao jornal frances Le Mond, o renomado historiador judeu do mundo islâmico Bernard Lewis foi perguntado: ”Por que os turcos sempre se recusam a admitir o genocídio armênio?”

Ao que respondeu: ”Você quer dizer, a versão armênia da história? Havia um problema armênio para os turcos, criado pelo avanço dos russos, e também havia uma população com um sentimento anti-turco no Império Otomano que buscava a independência, e eles manifestamente simpatizavam com os russos que avançavam do Cáucaso. Além disso, haviam bandos armênios, os armênios se gabavam de suas façanhas heroicas em resistência, e os turcos tinham problemas para manter a ordem sob as condições de guerra prevalecentes. Para os turcos era necessário tomar a medida punitiva e preventiva contra uma população hostil em uma região ameaçada por invasão estrangeira. Para os armênios, estavam liberando sua terra. No entanto, ambas as partes concordam que a repressão foi geograficamente limitada; por exemplo, essas medidas não afetaram os armênios que viviam nas outras partes do Império Otomano.

Ninguém duvida que eventos terríveis ocorreram; os armênios, assim como os turcos, sofreram e pereceram em igual medida. No entanto, ninguém será capaz de dizer como foram as circunstâncias e quantas pessoas morreram. Considere, por exemplo, o caso do Líbano [Beirute] que ocorreu recentemente e à vista de todo o mundo. Durante a sua mudança [dos armênios] para a Síria [uma província otomana na época], centenas de milhares de armênios morreram por causa da fome e das epidemias. No entanto, quando você levantou a questão do “genocídio”, você insinua que havia uma política deliberada de extermínio, para aniquilar sistematicamente a nação armênia.”

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Malachia Ormanian ( 1841 – 1918), removido do cargo pela Assembleia Armênia por suas lealdades ao governo turco, e por ser uma voz contra os revolucionários.

Antes que os armênios pudessem se transformar em rebeldes, sua lealdade tradicional à Igreja e seus líderes comunitários tinham que ser destruídas. Os rebeldes perceberam que os armênios sentiam maior amor e respeito por sua Igreja, não pela revolução. O Partido Dashnak, portanto, decidiu tomar o controle efetivo da Igreja. A maioria dos clérigos, no entanto, não apoiava o ateísta Dashnak. A Igreja só poderia ser tomada através da violência.

O que aconteceu com os clérigos armênios que se opunham aos Dashnaks? Sacerdotes foram mortos em vilas e cidades. O crime deles? Eles eram súditos otomanos leais. O bispo armênio de Van, Boghos, foi assassinado pelos revolucionários em sua catedral na véspera de Natal. O crime dele? Ele era um súdito otomano leal. Os Dashnaks tentaram matar o Patriarca Armênio em Istambul, Malachia Ormanian. O crime dele? Ele se opôs aos revolucionários.

Arsen, o padre encarregado da importante Igreja Akhtamar em Van, o centro religioso dos armênios no leste otomano, foi assassinado por Ishkhan, um dos líderes do Dashnaks de Van. O crime dele? Ele se opôs aos Dashnaks. Mas havia um motivo adicional para matá-lo: os Dashnaks queriam dominar o sistema de ensino armênio, baseado em Akhtamar. Depois que o padre Arsen foi morto, o dashnak Aram Manukian, um homem sem crença religiosa conhecida, tornou-se diretor das escolas armênias. Ele pôs fim a educação religiosa e começou a educação revolucionária. Os chamados “professores religiosos” se espalharam por toda a província de Van, ensinando revolução, não religião.

Aram Manukian  (1879 – 1919), teria sido expulso da própria escola diocesana em 1901 por sua pregação de revolução.

A lealdade dos rebeldes era para a revolução. Nem a igreja ”deles” estava a salvo de seus ataques. O outro grupo que mais ameaçou o poder dos rebeldes era a classe de comerciantes armênios. Como um grupo, eles favoreciam o governo. Eles queriam paz e ordem, para poderem fazer negócios. Eles eram os líderes seculares tradicionais da Comunidade Armênia; os rebeldes queriam liderar a Comunidade, então os comerciantes tiveram que ser silenciados. Aqueles que mais apoiaram publicamente o governo otomano, como Bedros Kapamaciyan, o prefeito de Van, e Armarak, o kaymakam de Gevash, foram assassinados, assim como numerosos policiais armênios, e conselheiros armênios do governo. Devido aos assassinatos estratégicos, apenas armênios muito corajosos ficariam agora contra a revolução.

Os Dashnaks encaravam os comerciantes como uma fonte de dinheiro. Mas eles nunca doariam voluntariamente à revolução. Eles tiveram que ser forçados a fazê-lo. O primeiro caso relatado de extorsão de comerciantes ocorreu em Erzurum em 1895, logo após o Partido Dashnak se tornar ativo nos domínios otomanos. A campanha começou a sério em 1901. Naquele ano, a extorsão de fundos através de ameaças e assassinatos tornou-se a política oficial do Partido Dashnak. A campanha foi realizada na Rússia e nos Bálcãs, bem como no Império Otomano. Um importante comerciante armênio, Isahag Zhamharian, se recusou a pagar e denunciou os Dashnaks à polícia. Ele foi assassinado no pátio de uma igreja armênia. Outros que não pagaram também foram mortos. O resto dos comerciantes então pagou. De 1902 a 1904, a principal campanha de extorsão trouxe o equivalente, no dinheiro atual, a mais de oito milhões de dólares. E esse foi apenas o valor arrecadado pelo comitê central dos Dashnak em um curto período, quase todo de fora do Império Otomano. Não inclui as quantias extorquidas de 1895 a 1914 em muitas áreas do Império. Logo os comerciantes estavam pagando seus impostos aos revolucionários, não ao governo. Quando o governo de Van exigiu que os comerciantes pagassem seus impostos, os comerciantes alegaram que pagaram impostos, mas aos revolucionários. Eles disseram que só poderiam pagar ao governo se o governo os protegesse dos rebeldes. A mesma condição prevaleceu em todo o leste da Anatólia, em Izmir, na Cilícia e em outros lugares.

O povo armênio como também não escapou das extorsões dos rebeldes. Eles foram forçados a alimentar e abrigar os revolucionários. O cônsul britânico Elliot relatou:

“Eles [os Dashnaks] se alojam em aldeias cristãs, vivem da melhor maneira possível, recebem contribuições exatas de seus fundos e fazem com que as mulheres e meninas mais jovens se submetam à sua vontade. Aqueles que incorrem em seu descontentamento são assassinados. a sangue frio “. [1]

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Mulheres armênias armadas com rifles durantes as ações terroristas de grupos separatistas armênios, apoiados pela Rússia no Império Otomano, 1895. 

O maior custo para os moradores foi a compra forçada de armas. Os moradores foram transformados em “soldados” rebeldes, querendo ou não. Para combater os turcos, eles precisavam de armas. Os revolucionários contrabandearam armas da Rússia e forçaram os aldeões armênios a comprar. Os métodos usados ​​para forçar os moradores a comprar foram muito eficazes, como relatou o cônsul britânico Seele:


 ”Um agente chegou a uma certa vila e informou um morador que ele deveria comprar uma pistola Mauser. O aldeão respondeu que não tinha dinheiro, e o agente respondeu: “Você deve vender seus bois”. O miserável aldeão passou a explicar que a estação de semeadura chegaria em breve e perguntou como uma pistola Mauser lhe permitiria arar seus campos. Para responder, o agente começou a alvejar os bois do pobre homem com sua pistola e depois partiu. “[2]

Os rebeldes tinham mais do que uma organização militar em mente quando forçaram os moradores a comprar armas. Os aldeões foram cobrados o dobro do custo normal das armas. Um rifle no valor de £ 5 era vendido por £ 10. Tanto a organização rebelde como os próprios rebeldes se saíram muito bem com as vendas.

Foram os camponeses que mais sofreram. A política mais básica dos revolucionários era uma exploração insensível da vida dos armênios: tribos curdas e suas aldeias foram atacadas pelos rebeldes, sabendo que as tribos se vingariam de inocentes aldeões armênios. Os revolucionários escaparam e deixaram seus companheiros armênios para morrer.

Até os europeus, amigos dos armênios, podiam ver que os revolucionários foram a causa da maldição que desceu sobre a Anatólia Oriental. O cônsul Seele escreveu em 1911:

”Pelo que tenho visto nas partes do país que visitei, fiquei mais convencido do que nunca da influência desagradável do Comitê Taschnak no bem-estar dos armênios e, geralmente, desta parte da Turquia. É impossível ignorar o fato de que em todos os lugares onde não existem organizações políticas armênias ou onde essas organizações são imperfeitamente desenvolvidas, os armênios vivem em harmonia comparativa com os turcos e curdos. [3]

O inglês viu, com razão, que a causa dos distúrbios no Oriente foram os revolucionários armênios. Se não houvesse Dashnaks, os turcos e armênios teriam vivido juntos em paz. O governo otomano sabia que isso era verdade. Por que o governo tolerou tanto os rebeldes? Por que o governo não os eliminou?

O fracasso otomano em se opor efetivamente aos rebeldes é realmente difícil de entender. Imagine um país no qual vários revolucionários radicais, a maioria deles de um país estrangeiro, organizam uma rebelião. Eles infiltram soldados e armas deste país estrangeiro para liderar seu ataque ao governo e ao povo. Os radicais afirmam abertamente que desejam criar um estado em que a maioria da população será excluída do regime. Eles assassinam e aterrorizam seu próprio povo para forçá-lo a se unir à sua causa. Eles matam funcionários do governo. Eles deliberadamente assassinam membros da maioria na esperança de que represálias levem outras nações a invadir. Eles armazenam milhares de armas em preparação para a revolta. Eles se revoltam, são derrotados, depois se revoltam repetidamente. O país que mais ganha com as ações dos rebeldes é o país de onde eles vêm – o país em que se organizam, o país em que eles têm sua base.

Que governo toleraria isso? Já houve um país que não iria prender e provavelmente enforcar esses rebeldes? Já houve um país que lhes permitisse continuar operando abertamente? Sim. Esse país era o Império Otomano. No Império Otomano, os rebeldes armênios operavam abertamente, armazenavam milhares de armas, assassinavam muçulmanos e armênios, matavam governadores e outras autoridades e se rebelavam repetidamente. O único a se beneficiar verdadeiramente de suas ações foi a Rússia – o país em que se organizaram, o país de onde seus líderes vieram.

Como isso pôde acontecer? Os otomanos não eram covardes. Os otomanos não eram tolos. Eles sabiam o que os rebeldes estavam fazendo. Os otomanos toleravam os revolucionários armênios porque os otomanos não tinham escolha.

É preciso lembrar que a própria existência do Império Otomano estava em jogo. Sérvia, Bósnia, Romênia, Grécia e Bulgária já haviam sido perdidas por causa da intervenção européia. Os europeus quase dividiram o Império em 1878 e planejaram fazê-lo na década de 1890. Apenas o medo de que a Rússia se tornasse poderosa demais os deteve. A opinião pública na Grã-Bretanha e na França poderia facilmente mudar isso. Na verdade, era exatamente isso que os revolucionários armênios queriam. Eles queriam que os otomanos prendessem e executassem rebeldes armênios. Os jornais europeus relatariam isso como perseguição governamental a armênios inocentes. Eles queriam que o governo processasse os partidos revolucionários armênios. Os jornais europeus reportariam isso como negando liberdade política aos armênios. Eles queriam que os muçulmanos reagissem às provocações e ataques armênios matando armênios. Os jornais europeus reportariam apenas os armênios mortos, não os muçulmanos mortos. A opinião pública forçaria os britânicos e franceses a cooperar com os russos e desmembrar finalmente o Império.

Muitos políticos na Europa, homens como Gladstone, tinham tanto preconceito contra os turcos quanto a imprensa e o público. Eles estavam simplesmente esperando a oportunidade certa de destruir o Império Otomano.

O resultado foi que era quase impossível para os otomanos punir adequadamente os rebeldes. Os europeus exigiram que os otomanos aceitassem ações dos revolucionários que os próprios europeus nunca tolerariam em seus próprios países. Quando os Dashnaks ocuparam o Banco Otomano, os europeus organizaram sua libertação. Os embaixadores europeus forçaram os otomanos a conceder anistia aos rebeldes em Zeytun. Eles arranjaram perdão para aqueles que tentaram matar o sultão Abdülhamid II. Os cônsules russos não permitiram que os tribunais otomanos julgassem os rebeldes de Dashnak, porque eram súditos russos. Muitos rebeldes que foram julgados e condenados com sucesso foram libertados, porque os europeus exigiram e receberam perdão por eles, ameaçando essencialmente o sultão se ele não libertasse rebeldes e assassinos. Um cônsul russo em Van até treinou publicamente rebeldes armênios, atuando pessoalmente como instrutor de armas.

Havia dois fatores que causaram a perda otomana no Oriente na Primeira Guerra Mundial: o primeiro foi o desastroso ataque de Enver Pasha a Sarikamish. O ataque de Enver aos russos em dezembro de 1914 foi de todo modo um desastre. Das 95.000 tropas turcas que atacaram a Rússia, 75.000 morreram. O segundo fator, o que nos preocupa aqui, foi a revolta armênia.

Quando a Primeira Guerra Mundial ameaçou e o Exército Otomano se mobilizou, os armênios que deveriam ter servido seu país tomaram o lado dos russos. O Exército Otomano informou: “Dos armênios com obrigações de recrutamento, os das cidades e vilas a leste da linha Hopa-Erzurum-Hinis-Van não cumpriram o chamado para se alistar, mas seguiram para o leste até a fronteira para se juntar à organização na Rússia”. O efeito disso é óbvio: se os jovens armênios da “zona de deserção” tivessem servido no Exército, teriam fornecido mais de 50.000 soldados. Se eles tivessem servido, talvez nunca houvesse uma derrota em Sarikamish.

Os armênios de Hopa a Erzurum, de Hinis a Van não foram os únicos armênios que não serviram. Os milhares de armênios de Sivas não serviram. Os rebeldes em Zeytun e em outros lugares da Cilícia não serviram. Os armênios que fugiram para as ilhas gregas ou para o Egito ou Chipre não serviram. Mais precisamente, muitos desses jovens armênios serviram, mas serviram nos exércitos dos inimigos dos otomanos. Eles não protegeram sua terra natal, eles a atacaram.

No leste da Anatólia, os armênios formaram grupos para combater uma guerra de guerrilha contra seu governo. Outros fugiram apenas para retornar com o exército russo, servindo como batedores e unidades avançadas para os invasores. Foram aqueles que ficaram para trás que foram o maior perigo para o esforço de guerra otomano e o maior perigo para a vida dos muçulmanos da Anatólia Oriental.

Os nacionalistas armênios costumam alegar que a ordem otomana de deportar armênios não foi causada pela rebelião armênia. Como evidência, eles observam o fato de que a lei de deportação foi publicada em maio de 1915, aproximadamente na mesma época em que os armênios tomaram a cidade de Van. De acordo com essa lógica, os otomanos deviam ter planejado a deportação algum tempo antes dessa data, para que a rebelião não pudesse ter sido a causa das deportações. É verdade que os otomanos começaram a considerar a possibilidade de deportação alguns meses antes de maio de 1915. O que não é verdade é que maio de 1915 foi o início da rebelião armênia. Tudo começou muito antes.

Os observadores europeus sabiam muito antes de 1914 que os armênios se uniriam ao lado russo em caso de guerra. Já em 1908, o cônsul britânico Dickson havia relatado:


  ”Os revolucionários armênios em Van e Salmas [no Irã] foram informados pelo seu comitê em Tiflis de que, em caso de guerra, ficarão do lado dos russos contra a Turquia. Sem a ajuda dos russos, eles poderiam mobilizar cerca de 3.500 atiradores armados para assediar os turcos sobre a fronteira e suas linhas de comunicação.” [4]

Fontes diplomáticas britânicas informaram que, em preparação para a guerra, em 1913, os grupos revolucionários armênios se reuniram e concordaram em coordenar seus esforços contra os otomanos. Os britânicos informaram que essa aliança foi resultado de reuniões com “as autoridades russas”. O líder dashnak (e membro do parlamento otomano) Vramian fora a Tiflis para conversar com as autoridades russas. Os britânicos também informaram que “[os armênios] desprezaram qualquer pretensão de lealdade que possam ter demonstrado uma vez, e abertamente saúdam a perspectiva de uma ocupação russa dos vilayets armênios” [5].

Até mesmo os líderes de Dashnak admitiram que os Dashnaks eram aliados russos. O dashnak Hovhannes Katchaznouni, primeiro ministro da República da Armênia, afirmou que o plano do partido no início da guerra era aliar-se aos russos. Desde 1910, os revolucionários distribuíam um panfleto por toda a Anatólia Oriental. Ele demonstrou como as aldeias armênias deveriam ser organizadas em comandos regionais, como as aldeias muçulmanas deveriam ser atacadas e as especificidades da guerra de guerrilhas.

Antes da guerra começar, a Inteligência do Exército Otomano informou sobre os planos dos Dashnak: Eles declarariam sua lealdade ao Estado Otomano, mas aumentariam o armamento de seus apoiadores. Se a guerra fosse declarada, os soldados armênios abandonariam o exército russo com as armas. Os armênios não fariam nada se os otomanos começassem a derrotar os russos. Se os otomanos começassem a recuar, os armênios formariam bandos guerrilheiros armados e atacariam conforme o planejado. Os relatórios de inteligência otomanos estavam corretos, pois foi exatamente o que aconteceu.

Os russos deram 2,4 milhões de rublos aos Dashnaks para armar os armênios otomanos. Eles começaram a distribuir armas para armênios no Cáucaso e no Irã em setembro de 1914. Naquele mês, sete meses antes da ordenação das deportações, começaram os ataques armênios aos soldados e oficiais otomanos. Os desertores do exército otomano formaram o que as autoridades chamavam de “gangues de bandidos”. Eles atacaram oficiais de alistamento, coletores de impostos, postos avançados de gendarmerias e muçulmanos comuns nas ruas. Em dezembro, uma revolta geral eclodiu na província de Van. Estradas e linhas telegráficas foram cortadas, postos avançados de gendarmerias atacados e aldeias muçulmanas queimadas, seus habitantes mortos. A revolta logo cresceu: em dezembro, perto do Passo de Kotur, que os otomanos tiveram que manter para se defender da invasão russa do Irã, um grande grupo de batalha armênio derrotou unidades do exército otomano, matando 400 soldados otomanos e forçando o exército a recuar para Saray. Os ataques não ocorreram apenas em Van: o governador de Erzurum, Tahsin, disse que não poderia adiar os ataques armênios que estavam ocorrendo na província; soldados teriam que ser enviados pela frente.

Em fevereiro, começaram a surgir relatos de ataques de todo o Oriente – uma batalha de duas horas perto de Mush, uma batalha de oito horas em Abaak, 1.000 armênios atacando perto de Timar, chettes armênios invadindo Sivas, Erzurum, Adana, Diyarbakir , Bitlis e Van. Linhas de telégrafo para a frente e das cidades otomanas para o oeste foram cortadas, reparadas e cortadas várias vezes. Caravanas de suprimentos para o exército foram atacadas, assim como colunas de soldados feridos. Unidades de gendarmeria e soldados enviados para reconectar linhas telegráficas ou proteger as próprias colunas de suprimentos foram atacadas. Como exemplo da enormidade do problema, em meados de abril toda uma divisão de tropas da gendarmaria foi ordenada de Hakkâri a Çatak para combater um grande levante ali, mas a divisão não conseguiu combater as defesas armênias.

Civis muçulmanos entre eles crianças mortos pelas milicias armênias no massacre de Kars, 1918.

Depois de cuidadosos preparativos, os armênios se revoltaram na cidade de Van. Em 20 de abril, unidades armênias bem armadas, muitas vestindo uniformes militares, tomaram a cidade e levaram as forças otomanas para a cidadela. Os rebeldes queimaram a maior parte da cidade, alguns edifícios também foram destruídos pelos dois canhões que os otomanos tinham na cidadela. As tropas foram enviadas das frentes Erzurum e Irã, mas não conseguiram aliviar a cidade. Os russos e armênios avançavam do norte e do sudoeste. Em 17 de maio, os otomanos evacuaram a cidadela. Soldados e civis abriram caminho a sudoeste ao redor do lago Van. Alguns foram para barcos no lago, mas quase metade deles foi morta por rebeldes que disparavam da costa ou quando seus barcos encalharam. Alguns muçulmanos de Van sobreviveram pelo menos por um tempo, sob os cuidados de missionários americanos. Muitos que não escaparam foram mortos. Os aldeões foram mortos em suas casas ou coletados nas áreas circundantes e enviados para o grande massacre em Zeve.

O sofrimento subsequente dos muçulmanos e armênios é bem conhecido. Era uma história de guerra sangrenta entre povos em que todos morreram em grande número. Quando os otomanos retomaram grande parte do leste, a população armênia fugiu para a Rússia. Lá eles morreram de fome e doenças. Quando os russos retomaram as províncias de Van e Bitlis, não permitiram que os armênios retornassem, deixando-os morrer de fome no norte. Os russos queriam a terra para si. Também é sabido que os armênios que permaneceram na província de Erzurum massacraram muçulmanos em grande número no final da guerra.

Os armênios do leste otomano se rebelaram exatamente nas áreas mais importantes para os russos. O benefício da rebelião em Van o centro da administração otomana no sudeste é óbvio. Os outros locais de rebelião eram, na realidade, mais importantes: a rebelião na província de Erzurum cortou o exército otomano de suprimentos e comunicações. A rebelião estava diretamente no caminho do avanço russo do norte. Os armênios se rebelaram nas regiões de Saray e Bashkale, nas duas principais passagens que os russos deveriam usar na invasão do Irã. Os armênios se rebelaram na região perto de Çatak, nas passagens de montanha necessárias para os otomanos trazerem tropas para a fronteira do Irã, as passagens necessárias para o retiro otomano. Os armênios se rebelaram em grande número na província de Sivas e em Shebinkarahisar. Esse seria um local estranho para uma revolta, uma região em que os armênios eram em menor número que os muçulmanos de dez para um, mas Sivas era taticamente importante. Era a cabeça da ferrovia de onde todos os suprimentos e homens passavam para o fronte, basicamente ao longo de uma estrada. Era o local perfeito para ações de guerrilha para assediar as linhas de suprimentos otomanas. Os armênios também se rebelaram na Cilícia, o local pretendido para uma invasão britânica que teria cortado as ligações ferroviárias para o sul. Não foi culpa dos rebeldes que os britânicos preferiram tentar a loucura em Gallipoli, em vez de um ataque na Cilícia que certamente teria sido mais bem-sucedido.

Todas essas regiões eram os pontos que um planejador militar escolheria para prejudicar mais o esforço de guerra otomano. Não pode ser por acaso que eles também foram os locais escolhidos pelos rebeldes para sua revolta. Qualquer um pode ver que as revoltas foram um desastre para o Exército. O desastre foi agravado pelo fato de os otomanos serem obrigados a retirar divisões inteiras da frente para combater os rebeldes armênios. A guerra poderia ter sido muito diferente se essas divisões tivessem sido capazes de combater os russos, não os rebeldes. Concordo com Field-Marshall Pomiankowski, que era o único verdadeiro historiador europeu da Primeira Guerra Mundial no Império Otomano, de que a rebelião armênia era a chave da derrota otomana no Oriente.

Somente após sete meses de rebelião armênia (fora as das décadas anteriores) os otomanos ordenaram a deportação de armênios (26 a 30 de maio de 1915), o então considerado ápice do genocídio. Um Império falido, com suas fronteiras em constante ataque por todos os frontes, não encontrou “solução” melhor de que adotar a política de transferência populacional. O resultado? Os civis armênios, exauridos pela guerra, morreram aos montes.

As histórias do período dão muitos exemplos de colunas de centenas de armênios protegidas por talvez dois guardas do governo em trocas populacionais. Quando as colunas eram atacadas por membros de tribos curdas ou bandidos, armênios eram assaltados e mortos. A violência intercomunal e “vinganças” contra civis armênios eram comuns. Deve ser lembrado que estas tribos curdas eram as mesmas que tinham sofrido muito nas mãos de armênios e russos pouco tempo antes. Qual a culpa otomana? Eles foram culpados de não proteger adequadamente os seus cidadãos. Dada a situação do tempo, com todos lutando por suas vidas contra russos e armênios, isso é compreensível, embora nunca é desculpável que um governo não proteja seu povo. Embora a fraqueza otomana deva ser censurada, ainda que devida a sua pobreza econômica, o que devemos também nos perguntar é se armênios e russos protegiam os turcos e curdos que caíram sob seu controle. A resposta é que em províncias como Van, onde os combates inter-comunais foram mais ferozes, os muçulmanos que não conseguiram escapar dos bandos armênios e foram mortos. Praticamente toda a população muçulmana do sudeste e leste da Anatólia também se tornaram refugiados ou morreram. Como a deportação de armênios, estas também foram deportações com grande mortalidade.

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População armênia escoltada em marcha por soldados otomanos nas desastrosas deportações de 1915.

Como sabemos que essa análise é verdadeira? Afinal, é muito diferente do que costuma ser chamado de história dos armênios. Sabemos que é verdade porque é o produto da análise histórica fundamentada, não da ideologia.

Para entender isso, devemos considerar a diferença entre história e ideologia, a diferença entre análise científica e crença nacionalista, a diferença entre o historiador adequado e o ideólogo. Para o historiador, o que importa é a tentativa de encontrar a verdade objetiva. Para o ideólogo nacionalista, o que importa é o triunfo de sua causa. Um historiador adequado primeiro procura evidências e depois decide. Um ideólogo primeiro se decide, depois procura por evidências.

Manchetes ocidentais (inglesas e americanas) do período com noticias de ataques e ofensivas armênias.

Um historiador procura um contexto histórico. Em particular, ele julga a confiabilidade das testemunhas. Ele julga se aqueles que deram relatórios tiveram motivos para mentir. Um ideólogo obtém evidências sempre que pode encontrá-la e pode inventar a evidência que não consegue encontrar. Ele não olha muito de perto as evidências, talvez porque tenha medo do que encontrará. Como exemplo, os ideólogos sustentam que os julgamentos dos líderes otomanos após a Primeira Guerra Mundial provam que os turcos eram culpados de genocídio. Eles não mencionam que os chamados julgamentos chegaram ao seu veredicto quando os britânicos controlaram Istambul. Eles não mencionam que os tribunais estavam nas mãos do governo de Damad Ferid Pasha, que tinha um longo histórico de mentiras sobre seus inimigos, o Comitê de União e Progresso. Eles não mencionam que Damad Ferid faria qualquer coisa para agradar os britânicos e manter seu emprego. Eles não mencionam que os britânicos, mais honestos que seus empregados na administração da Istambul ocupada, admitiram que não encontraram evidências de nenhum “genocídio”. Eles não mencionam que os réus não foram representados por seus próprios advogados. Eles não mencionam que os crimes contra os armênios eram apenas uma pequena parte de uma longa lista dos chamados ”crimes otomanos”, tudo o que os juízes poderiam inventar. Os ideólogos não mencionam que os tribunais deveriam ser melhor comparados aos convocados por Josef Stalin. Os ideólogos não mencionam essa evidência.

Um historiador primeiro descobre o que realmente aconteceu, depois tenta explicar as razões. Um ideólogo esquece o processo de descoberta. Ele assume que o que ele acredita ser correto, então constrói uma teoria para explicá-la. Ele primeiro aceita completamente as crenças dos nacionalistas armênios. Ele então constrói uma teoria sociológica elaborada, alegando que o genocídio foi o resultado da história e do caráter turco. Esse tipo de análise é como uma casa construída sobre uma base de areia. A casa parece boa, mas o primeiro vento forte a derruba. Nesse caso, o vento forte que destrói a teoria é a força da verdade.

Recorte do jornal The Liverpool Courier, 10 de Agosto de 1897, noticiando agressões armênias contra muçulmanos.

Um historiador sabe que é preciso olhar para trás na história, às vezes para trás na história, para encontrar as causas dos eventos. Um ideólogo não se incomoda. Novamente, ele pode ter medo do que encontrará. Lendo os nacionalistas armênios, seria de se supor que a Questão Armênia começou em 1894. Muito raramente se encontra em seus trabalhos menção de alianças armênias com os russos contra os turcos que remontam ao século XVIII. Nunca se reconhece que foram os russos e os próprios armênios que começaram a dissolver 700 anos de paz entre turcos e armênios. Estes são assuntos importantes para o historiador, mas prejudicam a causa do ideólogo.

O historiador estuda. O ideólogo empreende uma guerra política. Desde o início, a questão armênia tem sido uma campanha política. Os materiais que foram usados ​​para escrever a longa e falsa história da Questão Armênia foram escritos como documentos políticos. Eles foram escritos para efeito político. Sejam artigos no jornal Dashnak ou documentos falsos produzidos pelo Gabinete Britânico de Propaganda, eles são propaganda, não fontes de história precisa. Os historiadores examinaram e rejeitaram todas essas chamadas “fontes históricas”. No entanto, as mesmas falsidades aparecem continuamente como “prova” de que houve um genocídio armênio – no sentido de uma deliberada politica otomana de extermínio, e não uma guerra intercomunal na qual morreram ambas as partes. As mentiras existem há tanto tempo, as mentiras foram repetidas tantas vezes, que aqueles que não conhecem a história real assumem que as mentiras são verdadeiras.

A Famosa foto do Oficial otomano

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Em 2005, a Oxford University Press publicou o livro ”The Great Game of Genocide. Imperialism, Nationalism and the Destruction of the Ottoman Armenians” de Donald Bloxham. O livro incluía nove fotografias impressas em papel fotográfico que visavam retratar os trágicos incidentes do Genocídio Armênio. Oito das fotografias foram creditadas. Uma não é. Ele mostra um homem de paletó desabotoado e gravata em pé na frente de um círculo de crianças miseráveis que estendem suas mãos para algo que parece ser alimento. A legenda diz: “Oficial turco provocando armênios famintos com pão”.

Um olhar superficial é suficiente para mostrar que há algo de errado com esta foto. Um lado da jaqueta do homem é mais escuro que o outro. Uma linha irregular corre claramente entre as duas metades. A parede no fundo desaparece abruptamente em um espaço em branco atrás do homem em pé. Uma criança deitada no chão está levantando um braço emaciado. Se esticado até o comprimento total, cairia abaixo dos joelhos. Suas outras mãos e pulsos pouco visíveis parecem bastante gordos em comparação ao resto do membro. O garotinho sentado à direita do homem de pé parece estar segurando algo na mão, mas é impossível dizer oque pode ser.

Suspeitas despertadas, a fotografia foi levada a um analista fotográfico. Demorou dez minutos para concluir que não se trata de uma “fotografia”, e sim de uma salada fotográfica, composta de fragmentos tirados de outras fotografias.

O analista concluiu que o braço direito do homem não pertence ao corpo. Veio de algum outro lugar. Sua perna direita parece ter desaparecido completamente. O garoto sentado no chão à direita do homem não está segurando nada. O falsificador simplesmente não tomou cuidado suficiente ao cortar o papel em torno dos dedos na fotografia de onde tirou sua figura.

O homem na legenda obviamente não pode ser um “oficial turco”, já que não havia a Turquia no momento em que a foto foi tirada (ou seja, durante ou logo após a Primeira Guerra Mundial). O analista fotográfico apontou o óbvio de que nenhum integrante otomano ou funcionário público estaria vestido com uma jaqueta desabotoada sobre uma camisa com gola e gravata. Ele estaria vestindo uma camisa sem colarinho abotoada até o pescoço. Quase certamente (definitivamente para uma fotografia) ele teria um ”fez” (chapéu vermelho alto) em sua cabeça, e de qualquer maneira é pouco provável que um oficial otomano posasse para tal fotografia.

A Oxford University Press foi informada de que a “fotografia” era uma falsificação. O estoque existente do livro foi destruído, mas a fotografia foi retida em uma nova impressão com a seguinte legenda: “Esta fotografia pretende ser um oficial otomano provocando os armênios famintos com pão. É falsificada, combinando elementos de duas (ou mais) fotografias separadas: uma demonstração era necessária das disputas de propaganda de ambos os lados da questão do genocídio, com evidências de todos os tipos manipuladas para fins políticos nos últimos anos. A fotografia também foi incluída quando o livro foi publicado pela primeira vez, mas acreditava-se ser genuína. Anteriormente tinha sido usada no livro de Gérard Chaliand e Yves Ternon ”Le Genocide des Arméniens” (1980), que mostra que o uso anterior não substitui a investigação rigorosa da procedência de uma imagem – e na ausência de proveniência clara, para um exame minuciosamente detalhado da foto. É um aviso de advertência para historiadores, muitos dos quais são mais bem treinados em testes e uso de fontes escritas do que na avaliação de evidências fotográficas. Os editores e o autor agradecem o esclarecimento da falsificação.”

A Foto das Mulheres Crucificadas pelos turcos

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Um dos problemas envolvendo a narrativa do Genocídio Armênio é a natureza de suas fontes descritivas: países em guerra com o Império Otomano. Basicamente, 90% das supostas atrocidades turcas são reportadas por membros da elite intelectual armênia aliada da Rússia czarista (autora de vários massacres e atendados dentro do Império Otomano) e potencias ocidentais, bem como missionários americanos (o Gospel Prime do inicio do século XX). Porém, fonte contra fonte, quem diz a verdade? A Turquia não nega que armênios morreram, e sim afirma que não foi intenção das autoridades otomanas a morte de armênios nos deslocamentos populacionais que houveram na guerra, nos quais, morreram infinitamente mais pessoas dentre as populações muçulmanas. Contudo, poucos se dão conta de que muitas das “fotos” do genocídio que atualmente são utilizadas como “provas cabais” dos ocorridos, na verdade se tratam de imagens de filmes americanos feitos na segunda década do século XX como forma de propaganda anti-turca.

Talvez a mais famosa foto do genocídio armênio seja a das mulheres armênias crucificadas. Entretanto, a “imagem que vale mais de que mil palavras” na verdade trata-se de uma cena do filme “Ravished Armenia” ou “Auction of Souls” de 1919 estrelado por Aurora Mardiganian, que também é autora de um livro com o mesmo titulo.

Aurora Mardiganian retratou dezesseis jovens garotas armênias sendo “crucificadas” por seus algozes otomanos. No entanto, quase 70 anos depois, Mardiganian revelou ao historiador do cinema Anthony Slide que a cena era não era verdadeira, e apimentou mais ainda a suposta execução, dessa vez dizendo que os otomanos empalavam as garotas. Ela afirmou que “os turcos não faziam suas cruzes assim. Os turcos faziam pequenas estacas pontiagudas. Tiravam as roupas das meninas. Eles faziam com que elas se curvassem e, depois de estuprá-las, faziam com que sentassem na madeira pontiaguda, através da vagina. Foi assim que eles as mataram.”

Muitos estudiosos, aceitaram como fontes os jornais de grupos como o Partido Dashnak e nem olharam para os relatórios internos dos otomanos. Os estudiosos têm o direito de cometer erros, mas também têm o dever de examinar todas as fontes de informação antes de escreverem. É errado basear os escritos em propaganda política e ignorar os relatos honestos dos otomanos. O primeiro lugar para procurar a história otomana deve ser o registro dos otomanos.

Por que confiar nas contas de arquivo otomanas para escrever história? Porque eles são o tipo de dados sólidos que são a base de toda boa história. Os otomanos não escreveram propaganda para a mídia de hoje. Os relatos de soldados e oficiais otomanos não eram documentos políticos ou exercícios de relações públicas. Eram relatórios internos secretos, nos quais homens responsáveis ​​transmitiam o que acreditavam ser fiel ao seu governo. Às vezes eles podem ter se enganado, mas nunca foram mentirosos. Não há registro de engano deliberado nos documentos otomanos. Compare isso com a história sombria dos enganos nacionalistas armênios: estatísticas falsas sobre a população, declarações falsas atribuídas a Mustafa Kemal, telegramas falsos de Talat Pasha (que hoje é creditado como quem ordenou a morte de todos os armênios, uma especie de “Hitler turco”).

Muçulmanos de etnia azeri agrupados em deportações promovidas por armenios após a conquista do território por russos.

O veredito esmagador por historiadores imparciais é que o que aconteceu com os armênios em 1915 não foi um genocídio no sentido de uma politica organizada intentando extermino. Não só não houve qualquer política do governo no sentido especifico de eliminar armênios, como o número total de vítimas que morreram durante o deslocamento ou a reinstalação foi uma pequena fração do número reivindicado.

Atualmente a questão armênia é explorada não só pelo governo da Armênia, como mito de criação nacional – bravos revolucionários que se levantaram contra um dominio opressor turco – , como também por políticos no Ocidente por conveniência política, que visam (mas não limitado a) ganhar apoio dentro de ricos financiadores da comunidade armênia. Recentes milagres econômicos da Turquia e ascendência no cenário mundial, bem como condenação veemente do governo turco a barbaridade israelense, e não menos importante, a pertença entrada da Turquia na União Européia, fazem grupos militantes reacenderem um suposto passado genocida do país. A morte desses armênios continua a ser um assunto altamente controverso e, portanto, deve continuar a ser uma questão de inquérito para pesquisadores e não engasgos ou silenciamento. É triste ver como algumas figuras políticas e religiosas importantes continuam a explorar questões sensíveis por motivos ignóbeis.

 Uma boa bibliografia para o estudo do período histórico é “Turks and Armenians: Nationalism and Conflict in the Ottoman Empire” de Justin McCarthy e “The Young Turks and the Ottoman Nationalities: Armenians, Greeks, Albanians, Jews, and Arabs, 1908–1918” de Feroz Ahmad.

Fonte e citações: http://homepages.cae.wisc.edu/~dwilson/Armenia/justin.html


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